De acordo com a ciência moderna, o tempo é considerado como tendo uma dimensão a qual, juntamente com o espaço tridimensional, constitui o contínuo espaço-tempo. Na vida prática, o tempo é algo que pode ser medido e portanto pode ser usado para organizar nossas atividades do dia-a-dia. No entanto, de certa forma, ele tem se tornado uma fonte de conflito, ansiedade e profunda confusão. Parece que o tempo está nos usando, isto é, nós estamos sendo governados pelos relógios, que na realidade deveriam ser nossos servos.
Parecemos estar sempre correndo e sempre atrasados. Apesar de termos nos tornado mais organizados, a escravidão ao tempo nos fez menos espontâneos, menos tranquilos e menos alegres. O trabalho toma mais e mais o nosso tempo e nós temos cada vez menos tempo para nós. Por exemplo, há dez anos um americano trabalhava, em média, 41 horas por semana. Hoje, ele trabalha 48. Profissionais trabalham cerca de 52 horas enquanto pequenos comerciantes trabalham mais de 57 horas por semana.
Parece que o tempo está correndo muito rápido e nós estamos sendo deixados para trás. Mas, na realidade, é a nossa percepção do tempo que mudou da nossa sincronização natural para séries mais altas, artificiais e instáveis. Trabalhar rotineiramente sob tais condições, não-sincronizadas, gera estresse e tensão incontroláveis com perda da nossa preciosa energia nervosa e aumento da entropia mental. Nós não conseguimos repousar bem nem relaxar adequadamente, o que é essencial para recuperação física e alerta mental. Estresse acumulado leva a problemas psiquicos e doenças psicossomáticas como hipertensão, colesterol alto, problemas cardiovasculares, depressão, in-sônia, dores de cabeça, desordens estomacais, úlceras e até mesmo câncer. A fim de nos mantermos em total obediência ao senhor tempo, e para cumprir nossos compromissos, nos refugiamos na bebida alcoólica, nas drogas, nos tranqüilizantes, nos antidepressivos etc. Tais medidas não-naturais podem propiciar um alívio temporário mas não podem ir mais além, para remover e remediar as causas na raiz. Por outro lado, os efeitos colaterais de tais base de medidas reduzem não só nossa eficiência e eficácia, mas também nos induzem aos problemas familiares, conduta social indesejável e autodepreciação. Nos tornamos então muito ativos ou muito passivos mas não tranqüilos e equi librados.
O exemplo clássico de alguém dominado pelo senhor tempo é conhecido como personalidade tipo A, o que corresponde a líderes em negócios, indústria, governo,profissões liberais e pessoas egocêntricas e egoístas em geral. É o típico workaholic (viciado em trabalho), cada
minuto seu é destinado a conseguir mais e mais. É ele quem corre os maiores riscos de doenças cardiovasculaes, hemorragias cerebrais, úlceras etc.
Além disso, essas pessoas, que são habitualmente pressionadas pelo tempo e estão constantemente apressadas, se tornam impacientes, irritadas, arrogantes, hostis, autocratas e não democratas. De fato, tais características indesejáveis são exatamente o oposto daquelas que realmente formam um líder, isto é, visão holística, criatividade, tomadas de decisão cuidadosas, consideração e respeito pelos outros.
A questão é como nos livrarmos da escravidão do tempo e começarmos a viver mais eficientemente e em harmonia, usando a nossa criatividade. A resposta está em duas abordagens principais: nova percepção do tempo, assim como reconsideração e reavaliação do verdadeiro significado do sucesso.
O segredo está no relaxamento mental. O estado relaxado da mente ajuda-nos a tornar mais lento o sentido da percepção do tempo.
A ressincronização com nossos estados mentais equilibrados é conseguida. A bioenergia do nosso sistema, que é a base de performance otimizada das nossas faculdades, é mais bem utilizada. A eficiência e eficácia aumentam enquanto a dispersão e entropia mental são minimizadas.
O relaxamento pode ser aprendido por meio de técnicas bem conhecidas como biofeedback, regulagem da respiração, yoganidra etc. Um sentido mais lento do tempo conseguido a partir de tais técnicas é acompanhado de variáveis psicossomáticas quantitativas e qualitativas – normalização da pressão arterial, redução do colesterol do sangue e níveis de hormônio do estresse, sono profundo, melhor metabolismo, normalização das batidas cardíacas e das características da respiração etc.
A prática de relaxamento, mesmo por poucos minutos diariamente, nos induziria a nos vermos um pouco mais objetivamente, aprendendo um pouco mais sobre nós mesmos, nossas qualidades e falhas. Esse deveria ser o primeiro passo importante para o autoconhecimento e o auto-aperfeiçoamento. Esses estados de consciência nos capacitaram a reavaliar o verdadeiro significado do sucesso, que e, na realidade, uma combinação harmoniosa de vários ingredientes, tais como: profissional, familiar, social, emocional, intelectual e espiritual.
Espera-se que a importância da abordagem “lento é belo” seja reconhecida. Ela nos livraria do nosso modo de vida presente, tão caótico, confuso, egoísta e egocêntrico, puramente material, e nos encaminharia a uma era de desenvolvimento harmonioso, saudável, com uma visão ecológica e holística.
Fonte: A Ciência Moderna à Luz do Yoga Milenar – Harbans Lal Arora