BC reduz Selic para 6% e indica mais estímulo

Depois de mais de 16 meses, o Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a cortar a taxa básica de juros. O colegiado decidiu de maneira unânime pela queda da Selic de 6,5% ao ano para 6%. Além disso, indicou que o ciclo de corte de juros terá continuidade na próxima reunião, em setembro.

“A evolução do cenário básico e, em especial, do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic”, afirma o Banco Central (BC) em comunicado divulgado após a decisão. “O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo.” O resultado de ontem, que veio em linha com o esperado pela maior parte dos economistas de mercado, leva a Selic para nova mínima histórica.

No comunicado, o BC fez uma leitura mais positiva da inflação. Afirmou que os núcleos de inflação, que procuram identificar a tendência da inflação livre das oscilações temporárias de alguns preços, estão em níveis “confortáveis”. No vocabulário do BC, significa que estão entre o centro e o piso da meta de inflação. Na reunião anterior, o órgão dizia que os núcleos eram “apropriados”, ou próximos do centro da meta.

Em todos os cenários descritos pelo Copom, as projeções de inflação melhoraram. Até junho, a inflação ficaria em 3,9% em 2020, em linha com a meta anual (4%), se os juros caíssem a 5,75% ao ano. Nas projeções rodadas ontem, é possível chegar a essa mesma inflação com juros um pouco menores, em 5,5% ao ano.

Mais do que a inflação projetada, porém, foi o balanço de riscos que abriu o espaço para mais estímulo monetário, depois da aprovação em primeiro turno da proposta de reforma da Previdência na Camara dos Deputados.

O Copom destaca que “o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado” desde a última reunião. No começo de julho, a Câmara dos Deputados aprovou em primeiro turno a proposta de reforma da Previdência.

A continuidade desse processo, porém, é vista como “essencial” pela autoridade monetária, tanto para a diminuição da taxa de juros estrutural quanto para a retomada “sustentável” da atividade. “A percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes”, diz. “Avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva.”

O colegiado indica que haverá novos cortes da Selic, com a consolidação desse cenário benigno, mas evita amarrar definitivamente seus passos ao afirmar que “a comunicação dessa avaliação não restringe” a sua próxima decisão. “Os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, diz o comunicado do Copom.

O corte de juros deverá apoiar a fraca recuperação da economia. O BC estima um crescimento de apenas 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019. Em junho, o Copom assinalou que a economia interrompeu seu processo de crescimento no primeiro semestre deste ano.

No comunicado de ontem, o BC adota um tom mais positivo: as perspectivas para a atividade econômica se mostram mais favoráveis. “Indicadores recentes da atividade econômica sugerem possibilidade de retomada do processo de recuperação da economia”, diz, afirmando que essa recuperação deve ser gradual.

Com o corte, o BC coloca fim ao período mais longo em que a Selic permaneceu em um mesmo patamar. Na semana passada, o Valor apontou que, entre 48 instituições financeiras ou consultorias, 25 (ou 52%) projetavam um corte de 0,5 ponto da Selic. O Copom volta a se reunir nos dias 17 e 18 de setembro.

Fonte Valor Economico