Censo e história: os dados como bússola para a ação pública

Considerado um retrato das condições de vida dos brasileiros, levantamento acontece a cada 10 anos e mobiliza um batalhão de recenseadores em todo o país

Principal fonte de informações sobre a condição de vida dos brasileiros, o censo demográfico é feito a cada dez anos no país. Em 2020, cerca de 234 mil recenseadores contratados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) saem às ruas para realizar sua 13ª edição, numa megaoperação que exige bilhões de reais e planejamento prévio.

Sua realização, embora complexa, é crucial para governo e sociedade. “Não existe país sem censo. Não temos políticas públicas sem um censo adequado”, disse o secretário executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, na sede do IBGE, em maio de 2019.

210 milhões

é a população brasileira estimada pelo IBGE em 2018

70 milhões

de endereços estão espalhados pelo país no mesmo ano, segundo o instituto

5.570

é a quantidade de municípios brasileiros

O QUE é o Censo

A palavra censo deriva do latim “census”, que significa “recenseamento, lista ou rol das pessoas e dos bens, feito pelo censor”. O objetivo da operação é contar os habitantes do território nacional e revelar como eles vivem, ao identificar suas principais características socioeconômicas. É, portanto, um retrato da sociedade num determinado momento de sua história, feito por meio de uma pesquisa quantitativa.

Foto: Divulgação/IBGE

Cartão perfurado para registro de dados do IBGE, em 1940

Cartão perfurado para registro de dados do IBGE, em 1940 

Para que esse levantamento seja possível, define-se uma data de referência, já que a sociedade está em constante mudança. Segundo cálculos do IBGE, a população brasileira aumenta na proporção de uma pessoa a cada 20 segundos. Como pessoas nascem e morrem todos os dias, e por isso o número flutua permanentemente, as informações precisam ser colhidas ancoradas num período específico de tempo.

Em 2010, no último Censo realizado no Brasil, a referência foi a noite de 31 de julho para 1º de agosto. Ou seja, apenas as pessoas que moravam em seus domicílios naquela data eram contadas. Quem nasceu depois de 31 de julho não entrava nas estatísticas, mas quem morreu depois da data era levado em conta, pois fazia parte do domicílio no dia de referência.

Na prática, os recenseadores visitam todas as casas brasileiras ao longo de quatro meses, entre agosto e novembro, para aplicar os questionários. Eles falam com pelo menos um dos moradores de cada residência, e as respostas precisam estar ligadas à data de referência. Em 2010, por exemplo, a pergunta sobre o número de moradores era: “Quantas pessoas moravam neste domicílio em 31 de julho de 2010?”.

A finalidade da operação, porém, não se resume a levantar o número de habitantes. Os recenseadores querem saber também como as pessoas vivem. A importância do levantamento está em detalhar a condição de cada um dos domicílios brasileiros. Isso permite que se compare os dados com os censos anteriores, possibilitando que os governos conheçam a evolução de algumas de suas características. A partir disso, temas e áreas prioritárias para os investimentos são definidos. Segundo o IBGE, a pesquisa permite responder às seguintes perguntas:

  • Quantos somos?
  • Como somos?
  • Onde vivemos?
  • Como vivemos?

12

recenseamentos foram realizados no Brasil desde o século 19 

Para traçar o raio-X de toda a população os agentes do IBGE aplicam dois questionários: um básico, com uma quantidade menor de perguntas, é feito em todo o país; outro, mais longo e detalhado, é respondido apenas por parte da população, ou seja, por uma amostra. Sua extensão, que exige mais tempo para as respostas, torna sua aplicação em todas as residências impraticável.

Tipos de questionário

BÁSICO

Em 2010, o questionário básico, aplicado em todos os domicílios do país, continha 37 perguntas, distribuídas em seis blocos, sobre características do morador, do domicílio, emigração, mortalidade, lista de moradores e responsabilidade pelo domicílio. São colhidas, por exemplo, informações como sexo, idade, cor da pele ou “raça” (branca, preta, parda, indígena ou amarela), educação e rendimento mensal. O recenseador também levanta dados sobre os domicílios, perguntando, por exemplo, sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário, existência de energia elétrica e destino do lixo.

AMOSTRA

Tinha 108 perguntas na edição de 2010 e, naquele ano, foi aplicado em 11% (cerca de 6,4 milhões) das moradias, escolhidas aleatoriamente. Este questionário, também dividido nos mesmos seis blocos, contém as mesmas perguntas do básico, mas aprofunda a investigação sobre as condições de vida das pessoas. O agente busca saber, por exemplo, sobre o material predominante nas paredes externas, a existência de microcomputador com acesso à internet, de automóveis para uso particular, de medidor ou relógio de energia elétrica. Também entra em questões como religião, deficiência física, migração, frequência em cursos de pós-graduação, tempo de deslocamento da casa até o trabalho, do estudo para o trabalho, fecundidade e até se a mãe do entrevistado estava viva durante a visita. Em cidades com até 2.500 habitantes, é usado em metade das casas. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, apenas 5% o respondem. Questões sobre nupcialidade, trabalho e rendimento podem ser puladas dependendo da idade do entrevistado.

A seleção das perguntas e dos entrevistados

Os temas investigados pelo IBGE não são escolhidos aleatoriamente. A seleção é feita com base em consultas a órgãos de governo, pesquisadores e organizações da iniciativa privada. Para o Censo de 2010, foram feitas cerca de 9.000 consultas. Também foram organizados fóruns de discussão. O instituto recebe também sugestões sobre o conteúdo dos questionários por meio de seu site.

Todos os responsáveis pelos domicílios precisam ser entrevistados. Na ausência deles, os recenseadores são orientados a procurar uma pessoa que more no local e saiba passar todas as informações. Caso essa pessoa não exista, o funcionário do IBGE precisa retornar nos horários em que o responsável possa ser encontrado.

Informar os dados solicitados na pesquisa é obrigatório. Em caso de recusa, os recenseadores citam a lei nº 5.534, de 14 de novembro de 1968. Em seu artigo 1º ela diz que “toda pessoa natural ou jurídica de direito público ou de direito privado que esteja sob a jurisdição da lei brasileira é obrigada a prestar as informações solicitadas pela Fundação IBGE para a execução do Plano Nacional de Estatística”. Em caso de descumprimento, a pessoa pode ser multada em dez vezes o valor do salário mínimo (de R$ 998 em 2019). A multa pode chegar a 20 vezes em caso de reincidência. Os entrevistadores também precisam ressaltar que o caráter das informações colhidas é sigiloso.

COMO os dados são usados

O Censo serve tanto para os governos identificarem áreas prioritárias em saúde, educação, habitação, transporte, energia — e definirem, a partir disso, políticas públicas —, como para a iniciativa privada investir seus recursos.

Fundos de participação

Os dados levantados pelo Censo são essenciais para o repasse de recursos da União que ocorre nos dias 10, 20 e 30 de cada mês para os municípios. O chamado FPM (Fundo de Participação dos Municípios), previsto na Constituição, é uma parcela (22,5%) do IR (Imposto de Renda) e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) destinada às prefeituras. A distribuição segue um coeficiente calculado pelo Tribunal de Contas da União a partir de faixas populacionais fixadas de acordo com o número de habitantes. O mesmo ocorre com o FPE (Fundo de Participação dos Estados), que prevê repasse de 21,5% dos mesmos impostos para as unidades federativas, com base na população e na renda per capita.

Vacinação

O governo traça metas de coberturas vacinais ao longo dos anos. Para isso, calcula percentuais usando número de doses e grupos de pessoas por idade com base em contagens populacionais feitas pelo IBGE, além dos registros do Sinasc (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos). Em 2018, por exemplo, para estimar a população alvo para a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e contra o Sarampo, por estado e faixa etária, o governo usou informações do Censo de 2010 e estimativas populacionais de 2012.

Bolsa Família

O governo também usa dados do IBGE para o planejamento de programas sociais como o Bolsa Família, instituído em 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o cadastro dos beneficiários é feito pelas prefeituras, o governo faz uma estimativa de famílias em situação de extrema pobreza (com renda mensal de até R$ 89 por pessoa) em cada município usando o Censo e a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) também realizada pelo instituto. Dessa forma, ele atualiza a cota destinada a cada localidade. O valor é concedido a famílias com mulheres grávidas, que amamentam ou que possuem crianças e adolescentes de 0 a 15 anos. Cada benefício é de R$ 41 e pode ser cumulativo, até o máximo de cinco, chegando a R$ 205. Segundo dados de 2018, 21% dos brasileiros recebiam a bolsa. No Maranhão, quase metade da população (48%) ganhava o auxílio naquele ano.

Metas em educação

Em 2014, o governo federal estebeleceu 20 metas dentro do Plano Nacional de Educação, um conjunto de diretrizes e estratégias para serem alcançadas até 2024. Em 2018, quatro anos após o documento ser lançado, apenas uma meta, a 13, que determina a taxa de 75% de professores mestres e 35% de doutores em nível superior foi batida. Os indicadores definidos para o acompanhamento do plano foram traçados com base nos dados do Inep (órgão ligado ao Ministério da Educação que realiza o Censo da Educação Básica, o Censo da Educação Superior, entre outros levantamentos), do IBGE (Pnad e Censo) e da Capes (dados sobre a pós-graduação no Brasil).

Número de deputados federais

A Câmara dos Deputados, em Brasília, possui 513 cadeiras. Elas são ocupadas por parlamentares que representam seus respectivos estados de acordo com a população de cada um deles. Para se chegar ao número atual, foram utilizados os dados de população levantados pelo IBGE. Cada estado tem o mínimo de oito (como Roraima) e o máximo de 70 (como São Paulo) deputados federais. O Nexo explicou em vídeo de 2017 como é feita a divisão. Acontece que existe uma distorção nesse número. A última conta de proporcionalidade foi feita em 1993 e, desde então, não é atualizada.

Indicadores

Desde a década de 1990, usa-se o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) para calcular o grau de desenvolvimento humano de países, possibilitando comparações. O índice combina dados sobre expectativa de vida ao nascer, acesso ao conhecimento (escolaridade) e padrão de vida (PIB per capita). Por isso, os indicadores de educação e mercado de trabalho levantados pelo IBGE e a construção das tábuas de mortalidade são essenciais para o cálculo desse indicador.

Outras utilidades

Mas não só para o governo os dados do Censo são úteis. Eles podem ser usados também pela sociedade da seguinte forma.

  • Empresários podem escolher locais para a instalação de fábricas, shoppings, escolas privadas, restaurantes, lojas e cinemas com base nos dados socioeconômicos
  • Entidades de classes, associações profissionais e sindicatos traçam o perfil dos trabalhadores com base na pesquisa
  • As características da sociedade brasileira e sua evolução ao longo dos anos são usadas em análises acadêmicas
  • Representantes de comunidades podem pressionar o poder público por melhorias como expansão da rede de água e esgoto e de outros serviços públicos com base nas informações

Outras coletas de dados

As complexas operações dos Censos ocorrem a cada dez anos por exigirem muitos recursos e planejamento. Devido ao longo intervalo entre eles, os indicadores passam longos períodos desatualizados. Para suprir essa falta de informações e investigar temas pouco abordados nos levantamentos decenais, o IBGE vem realizando desde 1967 a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Abandonada em alguns anos, foi adotada em caráter definitivo desde janeiro de 2012.

É uma pesquisa por amostra probabilística, feita em todo o país, que permite uma investigação contínua de dados sobre rendimento e trabalho. A partir dela, é possível acompanhar as flutuações trimestrais e a evolução, no curto, médio e longo prazos, da força de trabalho. Funciona num esquema de rotação de domicílios: cada um dos domicílios escolhidos será acompanhado cinco vezes, uma vez a cada trimestre, durante cinco trimestres seguidos.

A Pnad fornece, entre outros, dados como população (segundo sexo e idade), taxa de atividade e desocupação, nível de ocupação, taxa de analfabetismo (por idade e sexo) e rendimento médio mensal per capita dos domicílios. Há ainda levantamentos suplementares que tratam de temas como educação e acesso à televisão, internet e posse de celular.

Foto: Divulgação/IBGE

Equipe de recenseadores visita moradores das margens do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, em 1980 

QUEM faz o Censo

Nos anos finais do Império (1822-1889) e no início da República (a partir de 1889), o levantamento censitário no Brasil era responsabilidade da Diretoria Geral de Estatística, órgão do governo criado inicialmente pela Coroa por meio de um decreto.

A partir dos anos 1930, durante o governo do presidente Getúlio Vargas, o recenseamento passou a ser feito pelo IBGE. O instituto, criado em 1934, foi definitivamente instalado em 1936. O primeiro Censo conduzido por ele ocorreu em 1940.

Por causa das dimensões territoriais do Brasil e de sua heterogeneidade, a operação coordenada pelo instituto geralmente começa a ser preparada três anos antes de sua realização. É um processo longo que exige planejamento técnico, tecnológico, logístico e administrativo.

Quase dois terços de todo o dinheiro gasto no Censo de 2010 dizia respeito aos funcionários temporários contratados pelo governo para conduzi-lo — e a maioria deles é de recenseadores, cujo contrato pode durar dois meses, com uma remuneração média, prevista para 2020, de R$ 1.100 (o valor depende da produção).

Para concorrer ao cargo, eles passam por uma prova com questões de português, matemática e conhecimentos técnicos sobre a função. Basta ter o nível fundamental completo. No Censo de 2010, foram mais de 1 milhão de candidatos inscritos para quase 200 mil vagas oferecidas. Naquele ano, as despesas com remunerações, benefícios e encargos relativos ao pessoal temporário representaram 67% de todo o custo.

A tarefa dos recenseadores não é fácil. Em 2010, dois deles foram recebidos a tiros ao tentar coletar dados num sítio no Mato Grosso. Muitos relatam ter sido vítimas de assaltos durante o trabalho e enfrentam dificuldades para chegar a áreas remotas (em 2010, um recenseador ficou 14 dias desaparecido na ilha de Marajó, no Pará, onde algumas regiões só são acessadas após um dia inteiro de viagem de barco).

Foto: Divulgação/IBGE

Exame de seleção de candidatas a recenseadora para o censo de 1950

Exame de seleção de candidatas a recenseadora para o censo de 1950 

Em relação a despesas correntes, que se referem a diárias e passagens usadas nos deslocamentos para treinamentos e atividades de supervisão e a contratos para impressão e distribuição de material de treinamento, serviços de informática e comunicação, os gastos do IBGE com o Censo de 2010 representaram 21% dos custos.

R$ 1,4 bilhão

foi o valor gasto no Censo de 2010, o equivalente, em abril de 2019, a R$ 2,4 bilhões, em valores corrigidos pelo IPC-A

QUANDO foi feito o primeiro Censo

Estimativas populacionais começaram a ser feitas no Brasil a partir do período colonial, mas de forma grosseira. A primeira delas foi realizada em 1776, e chegou ao número de 1,9 milhão de pessoas vivendo no país. Para se ter uma ideia, isso representa apenas a população de Curitiba, segundo dados do IBGE de 2018.

A intenção de Portugal, ao solicitar as informações às autoridades eclesiais da época, era ter maior conhecimento sobre seus domínios na América. Muitos levantamentos, porém, não tinham uniformidade nas fontes e os resultados das várias pesquisas eram conflitantes.

Algumas das primeiras iniciativas de contagem populacional ocorreram por motivos específicos, como em 1808. O interesse, na época, era exclusivamente militar. O levantamento tinha como fim o recrutamento pelas Forças Armadas. Por isso, a confiabilidade dos resultados é colocada em dúvida, pois, por ser público o objetivo militar do levantamento, haveria resistência da população em fornecer os dados.

1,9 milhão

de pessoas viviam no Brasil em 1776, segundo a primeira estimativa feita pelo abade português Corrêa da Serra

Os 12 Censos ao longo da história

1872

Censo Geral do Império, como ficou conhecido, é considerado, para fins de registro histórico, o primeiro recenseamento no Brasil. Esse status se deve à maior complexidade e controle na operação em relação às estimativas anteriores. Foi conduzido pela “Directoria-Geral de Estatística”. O documento traz dados sobre cor de pele, sexo, quantidade de pessoas consideradas livres ou escravas, estado civil, nacionalidade, ocupação e religião. Feito 16 anos antes do fim da escravidão, ele revelava que o país tinha um escravo para cada homem livre e retratava o início de uma política de embranquecimento no país, com a chegada ao Brasil de imigrantes europeus.

1890

Previsto inicialmente para 1880, transferido para 1887, só foi sair do papel com o estabelecimento de outro regime político. Próximo de chegar ao fim, o Império passou a tratar do recenseamento com indiferença. Isso mudaria após a proclamação da República, em 1889. No ano seguinte, foi restabelecida a Diretoria Geral de Estatística e realizado o 1º Censo da República. As perguntas foram ampliadas. Utilizando boletins ou listas de famílias, os recenseadores perguntavam sobre as características isoladas de cada cidadão (nome, sexo, idade, estado civil, cor de pele, filiação, naturalidade, nacionalidade dos pais, problemas físicos e residência), das famílias (nome dos cônjuges, ano de casamento, número de matrimônios, grau de parentesco do casal e número de filhos vivos e já falecidos) e da sociedade no geral (como nacionalidade, instrução, culto professado, profissão, título científico, literário ou artístico e renda).

1900

Um novo Censo foi iniciado em 31 de dezembro de 1900, e os resultados foram publicados cerca de um mês depois. Os números referentes ao Rio de Janeiro foram, entretanto, considerados falhos e anulados pelo governo. O levantamento calculava a população com base no Censo anterior usando informações do registro civil e da entrada e saída de pessoas pelos portos e vias terrestres. Mas as fontes eram insuficientes, segundo uma comissão que analisou seus resultados. Apenas em 1906, uma nova pesquisa foi realizada no Distrito Federal e os dados foram corrigidos e divulgados em 1907.

1920

O levantamento marcado para 1910 não ocorreu devido à perda de autonomia da Diretoria Geral de Estatística por causa da situação política do país. Naquele ano, houve eleições para presidente, e o Brasil ficou dividido entre as candidaturas de Hermes da Fonseca e Rui Barbosa. O pleito foi vencido pelo marechal, que logo na primeira semana de governo viu eclodir a Revolta da Chibata, um levante de marinheiros contra os castigos corporais ocorridos dentro da corporação. Por isso, um novo Censo só ocorreria em 1920, quando emissários foram enviados aos Estados Unidos para conhecer a iniciativa americana e pesquisar equipamentos de apuração, entre outros materiais. O levantamento passou a abranger a situação econômica, como a produção agrícola e industrial. Foram usados pela primeira vez dois modelos de questionário: um para os domicílios particulares e outro para habitações coletivas. Pela primeira vez usou-se a caderneta demográfica. Eram cerca de 18 mil recenseadores.

Foto: Divulgação/IBGE

Censo agrícola de 1940, caderneta do agente recenseador e o questionário geral

Censo agrícola de 1940, caderneta do agente recenseador e o questionário geral

1940

O Censo de 1930 não foi realizado novamente por questões políticas. Com a ruptura da política do café com leite, que alternava nomes de São Paulo e Minas Gerais no poder, Getúlio Vargas, gaúcho de São Borja, assumiu o poder. Por isso, um novo levantamento ocorreria apenas em 1940, tendo sido o primeiro sob responsabilidade do IBGE. Começaram a ser pesquisados dados sobre religiões diferentes da católica, grau de instrução e a origem das pessoas que migravam. Os boletins usados continham 45 perguntas. O Censo continuou a pesquisar sobre agricultura e indústria e incluiu o primeiro levantamento do comércio, transportes, comunicações e serviços.

Foto: Divulgação/IBGE

Primeira remessa do material do Censo para Goiás, em 1950

Primeira remessa do material do Censo para Goiás, em 1950 

1950

O levantamento foi marcado por uma considerável redução no número de perguntas, que foi de 45, em 1940, para 25, em 1950. O instituto parou de perguntar, por exemplo, sobre a quantidade de pessoas cegas ou com problemas de audição. Houve intensa divulgação do levantamento e esforço para se chegar a regiões distantes. O Brasil começou também a participar de Congressos Internacionais de Estatística e de encontros do IASI (Instituto Interamericano de Estatística), para adequar a pesquisa a parâmetros internacionais. O Censo daquele ano integrou o Censo das Américas, patrocinado pelo IASI e solicitado pela ONU (Organização das Nações Unidas), que havia sido fundada em 1945. Sua data de referência foi fixada em 1º de julho.

1960

Pela primeira vez, os municípios foram divididos em setores censitários. Foram usados mapas especialmente elaborados para a ocasião. O Censo daquele ano passou a levantar dados sobre aluguel mensal, forma de abastecimento de água, instalações sanitárias, combustível utilizado no fogão, número de cômodos e de dormitórios nas casas e existência de iluminação elétrica, rádio, geladeira e televisão. Uma novidade foi o uso da técnica da amostragem para aplicar questionários mais detalhados. Fizeram parte da amostra 25% dos domicílios. Os resultados preliminares passaram a ser divulgados em 1961, mas os definitivos demoraram a se tornar conhecidos devido à substituição da apuração mecânica por um computador de alto rendimento para a época.

Foto: Divulgação /IBGE

Censo de 1970: cartazes e estudantes

Censo de 1970: cartazes e estudantes 

1970

O recenseamento abrangeu os censos demográfico, predial, agropecuário, industrial, comercial e de serviços. Também continha dados sobre as instituições de crédito e seguradoras e sobre a produção e distribuição de energia elétrica. Primeiro feito sob o regime militar, revelou que a população urbana já havia ultrapassado a rural no Brasil. A cor de pele não foi pesquisada. Durante a campanha de divulgação, foi lançado um personagem, de nome Julinho, para representar o recenseador. Nomes como o do jogador Pelé e do poeta Carlos Drummond de Andrade participaram da campanha.

Foto: Divulgação/IBGE

Máquinas perfuradoras da IBM durante o Censo de 1980

Máquinas perfuradoras da IBM durante o Censo de 1980

1980

O Censo daquele ano veio na sequência de outro, em caráter experimental, realizado em 1979, em Taubaté, que serviria como teste para aperfeiçoar formulários, instruções, códigos, métodos e processos de coleta e apuração dos dados. Com o slogan “O país que a gente conta”, usou pela primeira vez um sistema informatizado de acompanhamento. Por ele, sabia-se o número de setores concluídos e de pessoas recenseadas semanalmente. Os estados enviavam as informações via telex, que eram encaminhadas à sede do IBGE. Um computador IBM gravava a apuração em fita magnética. Pela primeira vez, os resultados foram divulgados no mesmo ano da realização da pesquisa, graças a essa modernização. Em termos de dados levantados, a novidade foi a pesquisa de indicadores de contribuição à Previdência e quesitos sobre fecundidade, mortalidade, educação e trabalho para crianças menores de dez anos.

1991

Foi o único a não respeitar o intervalo de dez anos desde 1940. Por causa da diretriz do governo do presidente Fernando Collor (1990-1992) de reduzir o quadro de servidores públicos, a contratação de 180 mil pessoas em caráter temporário foi sendo adiada. Quando autorizada, em julho de 1990, não havia mais tempo para realizar o processo seletivo, pois o Censo estava programado para o início do mês de setembro. Por isso, foi feito apenas em 1991 (e apenas o censo demográfico). Houve a criação de Comissões Censitárias Municipais, para ajudar na mobilização da população e dar apoio à etapa de coleta de dados. Também foi realizado o Projeto Escola no Censo, em que alunos da rede pública passaram a aprender sobre a iniciativa para ajudar no recebimento dos recenseadores em casa. Ao contrário do que ocorreu entre 1960 e 1980, as amostras, que eram de 25% dos domicílios, foram reduzidas para proporções de 10% a 20% dependendo do tamanho das cidades. O quesito cor voltou a ser investigado, assim como as características do local de trabalho.

2000

Houve um avanço com a digitalização da base cartográfica dos 480 municípios com mais de 50 mil habitantes, compreendendo cerca de 61% da população brasileira. Na época, todas as agências do IBGE já estavam informatizadas e interligadas. Foi inaugurado ainda um site para informar sobre o andamento da operação e capturar informações por leitura de caracteres e por scanner. O Censo de 2000 passou a pesquisar o número de alunos na rede pública e particular. Foi o último a usar questionário de papel. A data de referência foi antecipada de 1º de setembro para 1º de agosto.

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação IBGE

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o recenseador Rodrigo de Paula, que o entrevistou para o Censo de 2010

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o recenseador Rodrigo de Paula, que o entrevistou para o Censo de 2010 

2010

Os recenseadores usaram pela primeira vez nas pesquisas computadores de mão, os PDAs (Personal Digital Assistent, uma espécie de smartphones adaptados), que reduziam significativamente a possibilidade de erros. Para o Censo daquele ano, o IBGE comprou 150 mil aparelhos do tipo. Graças a avanços tecnológicos, o órgão passou oferecer retratos cada vez mais interativos, como a construção de uma base territorial que saiu do modo analógico-digital para o digital. Houve também a possibilidade de preenchimento do questionário pela internet. Para quem optasse pela modalidade, receberia em casa um envelope com um e-ticket para acessar um formulário.

POR QUE os custos são alvo de questionamento

Com quase 150 anos de história, o Censo chega a sua 13ª edição, em 2020, sob escrutínio. O ministro da Economia do governo de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, defendeu em abril de 2019 uma redução de 25% no custo da pesquisa, por considerá-la cara, embora seja cerca de 18 vezes mais barata do que a feita nos Estados Unidos.

O ministro diz considerar o levantamento brasileiro muito extenso em comparação com outros países, embora muitos especialistas discordem. “Vamos tentar, pelo amor de Deus, simplificar. O Censo dos países ricos tem dez perguntas, o brasileiro tem 150 [na verdade, são 37 no questionário básico e 108 no aplicado à amostra] e o do Burundi tem 360 [o questionário aplicado naquele país em 2008 disponibilizado no site da ONU traz 64 perguntas]. Se perguntar demais você vai acabar descobrindo coisas que nem queria saber. Sejamos espartanos, façamos as coisas mais compactas e vamos tentar de toda forma ajudar”, afirmou em evento no IBGE, no Rio, em fevereiro de 2019.

Foto: Divulgação/IBGE

Censo de 1960: propaganda censitária no Maracanã durante intervalo de jogo entre Flamengo e Vasco

Censo de 1960: propaganda censitária no Maracanã durante intervalo de jogo entre Flamengo e Vasco 

Para alcançar a meta de redução, ele propôs a retirada de perguntas do questionário para que os pesquisadores tenham tempo de realizar um maior número de entrevistas e, ao mesmo tempo, mantenham um contrato mais curto com o instituto.

R$ 3,4 bilhões

é o custo estimado do Censo de 2020

R$ 16

é o custo da pesquisa por habitante no Brasil

US$ 12,3 bilhões

foi o valor gasto pelos EUA em seu Censo de 2010 que chegou a uma população de 308 milhões de pessoas; equivale a R$ 48,7 bilhões

US$ 92

foi o custo por unidade habitacional recenseada em 2010 nos EUA; são cerca de R$ 364 (em 1970, esse custo era de US$ 16, ou R$ 63)

US$ 15,6 bilhões

é o custo estimado para o Censo de 2020 nos EUA, segundo o Departamento de Comércio daquele país; é cerca de R$ 61,7 bilhões

Durante evento de posse da nova presidente do órgão, Susana Cordeiro Guerra, em fevereiro, no Rio de Janeiro, o ministro defendeu, inclusive, que o IBGE vendesse seus prédios para bancar o levantamento.

A discussão em 2019 ocorre dentro de um contexto de crise econômica que tem levado o governo de Jair Bolsonaro a anunciar o congelamento generalizado de recursos, em várias áreas.

A previsão de cortes é considerada um retrocesso por especialistas. Com menos dados, fica prejudicada a comparações com anos anteriores. Essa comparação ajuda a traçar o desenvolvimento de indicadores. Muitos aspectos da vida da população brasileira são medidos exclusivamente pelo Censo. Profissionais da área temem um “apagão informacional” caso sejam retiradas perguntas sem que outras pesquisas possam suprir essa ausência de medição do IBGE.

Segundo Rogério Barbosa, doutor em sociologia e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole, enxugamentos nos questionários deveriam acontecer. “Mas isso deve vir acompanhado de uma mudança maior, a criação de pesquisas que preencham o que hoje só é feito pelo Censo. Só se acompanha municípios pelo Censo. Enquanto não tivermos pesquisas auxiliares que supram as coisas que o Censo tem suprido, é impossível fazer esses cortes. É gerar um apagão informacional”, afirmou em entrevista ao Nexo, em março de 2019.

Em entrevista ao jornal O Globo, em março de 2019, o pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE Pedro Luis do Nascimento Silva diz que o censo brasileiro “já é muito enxuto” e que a percepção de que precisa ser menor “é equivocada”. “O questionário básico que usamos tem uma quantidade de perguntas modesta, e o mais amplo é do tamanho que é porque essa é a demanda da sociedade e do governo por informações no nível municipal. Enxugar mais envolverá sacrifício de informações essenciais. O censo brasileiro não precisa de enxugamento. Precisa ser financiado”, afirmou ao jornal.

Para decidir se haverá cortes nos questionários e (quais deveriam ser feitos), Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, foi destacado para coordenar a comissão consultiva do levantamento.

Em entrevista ao jornal O Globo, ele questionou a necessidade de o levantamento trazer perguntas sobre a taxa de desemprego, por exemplo, e defendeu uma revisão do bloco com questões sobre o trabalho. “Pergunta-se por que está no Censo quantas crianças estão em creche pública ou privada se há um levantamento escolar [do Ministério da Educação] que pergunta isso para todas as escolas. Sei exatamente quantas crianças estão em cada creche. Então, para que pôr isso no Censo? Numa consulta, me disseram: ‘Olha só, há uma subenumeração de creches particulares nos municípios’. Estamos vendo se procede ou não”, afirmou.

Ao jornal Folha de S.Paulo, em 15 de maio de 2019, a presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, disse que mudanças na pesquisa para 2020 ocorreriam mesmo sem restrição orçamentária. “São ajustes para tornar a operação mais simples e ágil, para melhorar a qualidade da cobertura e a qualidade das respostas. O mundo todo está caminhando para questionários mais simples, mais ágeis e não tem por que o Brasil ser diferente, quando há outras formas de coletar a mesma informação de forma mais precisa, eficiente e transparente”, afirmou.

Em números

250 mil

pessoas devem trabalhar nessa operação para coleta de dados, supervisão, apoio técnico-administrativo e apuração dos resultados

27

unidades estaduais do IBGE

583

agências do instituto

7.600

postos de coleta municipais

1.680

coordenações regionais

30 mil

mapas de cidades, vilas e localidades

420 mil

arquivos digitais e impressos dos setores censitários para orientar os recenseadores

NO MUNDO os tipos de censo

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), que possui programas de incentivo a produção de censos ao redor do mundo, durante o período de 2005 a 2014, 214 países ou áreas específicas realizaram censos demográficos, o que compreende 93% de toda a população mundial.

A maioria dos países usa o método tradicional de consulta a toda a população por meio de questionários. Essa abordagem, ainda de acordo com a ONU, foi usada por 85% dos países consultados pela organização sobre as pesquisas feitas em 2010. Apenas 10% (o que representava 12 países) usavam registros administrativos para o levantamento. Outros 5% utilizam outras metodologias.

Os diferentes tipos de abordagem

A clássica

Por meio de uma operação complexa, a população responde diretamente a questionários e a entrevistadores. Numa única pesquisa, são aplicados dois questionários: um curto, que busca uma cobertura universal, e um longo, aplicado apenas em amostras, com questões mais detalhadas, como fertilidade. Os questionários podem ser enviados pelo correio ou retirados em pontos de entrega, respondidos por telefone, internet ou em visitas presenciais, dependendo do país. Pode haver também uma combinação entre esses métodos. É usado no Brasil, Canadá e Colômbia. Tem alto custo para a sua execução, por isso é feito em intervalos que variam de cinco a dez anos.

Foto: Divulgação/IBGE

Os jogadores Pelé e Carlos Alberto Torres (dir.) participam de campanha de divulgação do Censo de 1970 

A baseada em registros administrativos

Para contornar a falta de cooperação dos informantes do censos populacionais e respeitar o direito à privacidade das pessoas, muitos países começaram a buscar alternativas à abordagem clássica. O modelo baseado em registros administrativos começou a ser testado na década de 1970 e foi usado com sucesso por vários países nos anos 1990. Busca tirar proveito de diferentes fontes administrativas já existentes, como os registros individuais e de proprietários de casas. Tenta conjugar informações de negócios, impostos, educação e empregos. Por isso, depende da existência de um único número de identificação de pessoas para a conexão entre diferentes fontes. O sucesso dessa abordagem está relacionado à manutenção de uma central de registros de alta qualidade e boa cobertura, que precisa ser permanentemente atualizada. Tem a vantagem de ser mais barato e contar com um grande fluxo de dados. É usado em países como a Noruega.

Combinação entre o clássico e o baseado em registro

É utilizado por países onde os registros não são considerados totalmente confiáveis. Formulários são preenchidos previamente com os dados dos moradores, como endereço e nome de todos os residentes, e depois ratificados ou corrigidos em entrevistas. O modelo reduz o tempo de entrevistas e tem impacto positivo nos custos. É adotado pela Espanha.

Censo baseado em registro com pesquisas amostrais

Utilizado quando os registros administrativos não contêm todas as informações necessárias para a realização de um censo baseado em informações oficiais. Parte dos dados, então, é coletada por pesquisas amostrais, ou seja, de apenas uma parcela da população. É usado em Israel e na Holanda.

Censo contínuo

É uma alternativa ao modelo clássico. Feito por meio de pesquisas contínuas e cumulativas que cobrem todo o país por longos períodos de tempo, esse censo exige técnicas complexas de amostragens. Sua vantagem é produzir atualizações frequentes de dados, enquanto o censo tradicional é feito em intervalos de até dez anos. A desvantagem é que não fornece um quadro momentâneo de toda a população, impedindo determinadas comparações entre áreas devidos às diferentes contagens. É usada em países como a França.

Contagem tradicional com atualizações anuais

É uma variação do censo tradicional, mas com o foco na contagem da população e na coleta apenas dos dados demográficos básicos nos anos do censo, por meio de um questionário simplificado. Outras pesquisas coletam e tabulam informações demográficas, sociais, econômicas de uma amostra, todos os anos. Busca levantar dados relevantes com mais frequência do que o censo tradicional. O modelo é, porém, mais caro. Usado nos Estados Unidos e no Peru. O pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE Pedro Luis do Nascimento Silva falou sobre a experiência americana em entrevista ao jornal O Globo, em março de 2019: “No intervalo entre um censo e outro, eles complementam com outra pesquisa, a American Community Survey. Durante cinco anos, três milhões de domicílios são visitados anualmente. Com ela, os EUA conseguem dar uma estimativa para aquelas áreas pequenas, que só a amostra que fazemos no censo consegue dar. Então, na prática, eles não reduziram o censo, mas o diluíram pela década.”

Abordagem baseada em modelo matemático

Considera modelos matemáticos e técnicas de estimativas para preencher falhas de pesquisas amostrais. Algumas informações específicas são coletadas de forma censitária em curtos períodos de tempo. Outras pesquisas amostrais levantam informações adicionais, e os resultados são usados para criar os modelos matemáticos.

EM ASPAS o que dizem do Censo

“Os censos demográficos cumprem uma função cognitiva vital: acessam aquilo que nossa experiência individual dificilmente poderia tanger. Furam nossas ‘bolhas’ informacionais e dão status de existência ao que jamais poderíamos enxergar. São instrumentos de governança de sociedades complexas e fundamentais para um país de proporções continentais, como o nosso.”

Rogério Jerônimo Barbosa e José Szwako

pesquisadores, em texto publicado no Nexo, em abril de 2019 

“Num país de dimensões continentais, realizar um censo demográfico implica mobilizar ‘um verdadeiro batalhão’ de colaboradores”

Roberto Luis Olinto Ramos e Antônio Ribeiro de Oliveira

ex-presidente e pesquisador do IBGE, em artigo publicado no O Estado de S. Paulo, em setembro de 2018

“Uma das maiores dificuldades atuais do Censo está em acessar os domicílios — por questões físicas e de segurança. E isso não se resolve com diminuição do questionário”

Gabriela Lotta

professora de administração pública da FGV, doutora em ciência política pela USP, em entrevista ao Nexo, em maio de 2019

“Dá para diminuir essa parte geral? Talvez dê. O que precisa ser calculado é a economia que vai se conseguir com isso. Quanto tempo o pesquisador vai ficar na casa da pessoa é importante, mas não é a única. Pode-se reduzir as perguntas e mesmo assim não diminuir o custo”

Simon Schwartzman

sociólogo e ex-presidente do IBGE, em entrevista ao jornal O Globo, em abril de 2019

“É muito delicado tirar perguntas que podem ser fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas. (…) Nesse ritmo e nessa pressão, os resultados podem ser desastrosos. Se tirar uma pergunta, pode interromper o fluxo do questionário”

José Szwako

professor do Iesp-Uerj (Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro), em entrevista ao Globo, em abril de 2019

“O ajuste no questionário é de extrema importância para execução de um censo de qualidade. Esse ajuste está sendo feito com extrema competência pela equipe técnica, visando à preservação das séries históricas e de informações fundamentais para os municípios. O desafio da abordagem está sendo estudado. Estamos pensando em campanhas publicitárias, novas tecnologias de coleta, potencializar o uso de outras ferramentas como a internet.”

Susana Cordeiro Guerra

presidente do IBGE, em entrevista ao jornal O Globo, em maio de 2019

Foto: Divulgação/IBGE

Recenseador do IBGE durante trabalho de campo do Censo de 1970, na Rocinha, no Rio de Janeiro 

NAS ARTES um documentário e uma música sobre o Censo

“Histórico de 70 anos do IBGE (1936-2006)”, documentário produzido pelo instituto

“Recenseamento”, samba de 1940 composto por Assis Valente (1911-1958) especialmente para Carmem Miranda (1909-1955)

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