Li recentemente o livro Liderança Tranquila, de Carlo Ancelotti — atual técnico da Seleção Brasileira. A leitura me conquistou não só por falar de futebol, mas principalmente por abordar com profundidade o desenvolvimento de pessoas e a construção de equipes de alta performance. Dois temas que admiro e vivencio no dia a dia da gestão empresarial.
Ancelotti teve uma carreira de sucesso como jogador, passando por clubes como Parma, Roma e Milan. Foi bicampeão da Champions League com o lendário time do Milan, onde jogava ao lado de ícones como Maldini e Van Basten. Também defendeu a Seleção Italiana e foi treinado por grandes mestres, como Arrigo Sacchi, de quem absorveu os fundamentos de liderança coletiva, disciplina tática e visão estratégica.
Mas é como treinador que ele realmente se destacou. Aplicando seus princípios de “liderança tranquila”, Ancelotti conquistou títulos nas cinco principais ligas europeias — Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França — um feito raríssimo. Além disso, é o técnico mais vitorioso da história da Liga dos Campeões, com cinco títulos: dois pelo Milan (com Kaká como protagonista) e três pelo Real Madrid, onde comandou nomes como Cristiano Ronaldo, Modric, Benzema.
O que chama a atenção, no entanto, é sua abordagem à liderança: serena, empática e centrada nas pessoas. Em vez de gritar à beira do campo ou impor autoridade pelo medo, Ancelotti lidera ouvindo, confiando e respeitando. Ele entende que grandes talentos só florescem em ambientes saudáveis e que, por trás de cada jogador, há uma história, uma personalidade e uma necessidade de conexão humana.
Esse estilo, aparentemente calmo, esconde um olhar clínico e profundo sobre gestão de grupos, tomada de decisões e motivação individual. Não se trata de passividade, mas de firmeza silenciosa, de construir autoridade pela competência e pelo exemplo. Em tempos de pressões crescentes, tanto no futebol quanto no mundo corporativo, talvez a liderança tranquila de Ancelotti seja justamente o modelo de que mais precisamos.
Como gestor, saí inspirado da leitura. Porque no fundo, seja em campo ou em uma empresa, liderar é formar pessoas, unir propósitos e criar um ambiente em que todos possam dar o seu melhor — com confiança e equilíbrio.
E confesso: depois de ler esse livro, passo a acreditar com ainda mais esperança no nosso sonhado Hexa — seja em 2026 ou 2030. Com um líder como Ancelotti à frente da Seleção, esse desafio único em sua carreira parece cada vez mais possível.
Por Daniel Antonio