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Você utiliza a cafeína emocional para melhorar sua performance?

O colunista Sergio Chaia escreve sobre a importância de termos ferramentas mentais que nos estimulem em momentos de desafio ou estresse

Semana passada conheci uma loja super interessante. O Moka Club fica em Pinheiros, São Paulo, e é um paraíso para apreciadores de café. Lá tem desde utensílios, tipo aquela xícara de ferro da vovó, até grãos especiais das diversas regiões do Brasil. O proprietário contratou um caçador de cafés que roda o país identificando lotes raros apenas destinados à exportação. Provamos vários e acabamos levando um chamado bala de caramelo, pelo sabor adocicado devido ao modo de secagem. Para completar, tem ate café gourmet de graça na entrada. 

Desde bem jovem adoro café. Logo de manhã procuro fazer meu café coado para dar uma levantada. Ao longo do dia, algumas doses de expresso são sempre bem vindas. Após às 17 horas, procuro não tomar mais café, pois esse boost de energia pode atrapalhar meu sono. 

Descobri recentemente que o mecanismo de ação da cafeína envolve principalmente a inibição da adenosina. A adenosina é uma substância que promove o sono e o relaxamento e, ao se conectar aos receptores do cérebro, causa uma diminuição na atividade neural. A cafeína atua bloqueando esses receptores, impedindo a ação da adenosina. Isso resulta em um aumento da liberação de neurotransmissores como a noradrenalina e a dopamina, levando a uma sensação de alerta e energia. É por causa da inibição da adenosina que sentimos aquela despertada depois de uma boa dose de café. 

Como já gostava de café, fiquei intrigado quando conheci o termo “cafeína emocional” em um livro que li recentemente. Essa expressão se traduz em um impulso psicológico que proporciona energia e estimula a performance em momentos de desafio ou estresse. E um mundo corporativo como o nosso, cada vez mais acelerado, com pressão, metas, concorrência e necessidade de diferenciação quase que diária, o custo emocional cresce na mesma proporção dos desafios. 

Roberto era CEO de uma grande empresa brasileira. Tudo ia muito bem até que uma série de fatores contribuíram para uma redução das margens, apesar de todas as metas de crescimento estarem sendo alcançadas. Foi o alarme para uma postura de muito mais cobrança e controle por parte dos principais acionistas. Saindo de uma reunião de conselho, ele me ligou e disse: “estamos ganhando o jogo de 4×1 e eles só falam do gol que tomamos e não de tudo o que estamos realizando. Isso me deixa extremamente desanimado e estressado. Difícil engolir e filtrar do time essa frustração“.

Minha recomendação ao Roberto para enfrentar esse momento difícil foi achar sua cafeína emocional: aquilo que iria dar uma levantada na sua energia, aumentar sua resiliência e desfocá-lo daquele momento difícil. Começamos analisando aquilo que ele mais gostava no seu trabalho como CEO. “Qual o seu Red Bull?”, brinquei. Depois de uma reflexão, ele me confidenciou que era visitar as lojas das empresas em todos os estados brasileiros. “Quando estou no campo visitando lojas e falando com os colaboradores parece que tudo muda. Vou lá para motivar e saio super motivado. Ver tudo o que estamos fazendo na prática, os resultados da mudança na vida das pessoas e dos clientes é sensacional”, afirmava ele com um brilho nos olhos fora do comum. 

“É isso! Coloque na sua agenda visitar as lojas em alguma filial do Brasil pelo menos duas vezes por mês. E ainda faça mais: a cada encontro promova um momento de reconhecimento no fim do dia destacando aqueles que saíram do óbvio em alcançar resultados e atender bem os clientes”, recomendei. 

E foi isso o que ele fez. A cafeína emocional agiu rápido! Em um mês ele estava muito mais motivado e resiliente. As conversas difíceis com os investidores ainda continuavam, mas a maneira como ele as encarava tinha mudado. Dedicava a abertura da reunião de resultados a mostrar vídeos e fotos das suas visitas e depoimentos de clientes e colaboradores. De alguma forma, essa estratégia balanceava mais as discussões e tornava esses encontros mais digestivos e menos frustrantes. Depois de quatro meses, os resultados melhoraram em todos os níveis e a boa fase com os investidores retornou. 

Roberto me confidenciou o quanto aquela cafeína emocional tinha feito a diferença. Não só nele, mas no time todo, pois sua nova atitude contaminou positivamente a equipe e a ajudou a passar por aquele vale mais rapidamente. Ás vezes, esquecemos que, como líderes, nossos sentimentos – sejam eles motivação ou stress – são bem contagiantes.

Seja para enfrentar situações difíceis, aumentar a resiliência ou turbinar sua energia para determinados desafios, a cafeína emocional é um potencializador de performance. Assim como a cafeína age substituindo a adesonina em um expresso, encontrar e praticar sua cafeína emocional ajuda muito mais na substituição de um sentimento negativo por outro construtivo e focado na solução, do que se vitimizar por um problema. 

Então, nada mais justo do que tomar sua dose diária dessa cafeína. Vai um cafezinho emocional aí? 

Fonte: Valor Econômico

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