{"id":3078,"date":"2016-02-11T07:55:54","date_gmt":"2016-02-11T10:55:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=3078"},"modified":"2016-02-11T07:55:54","modified_gmt":"2016-02-11T10:55:54","slug":"peregrinos-corporativos-caminho-de-santiago-e-a-viagem-da-moda-entre-os-executivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/peregrinos-corporativos-caminho-de-santiago-e-a-viagem-da-moda-entre-os-executivos\/","title":{"rendered":"Peregrinos corporativos: Caminho de Santiago \u00e9 a viagem da moda entre os executivos"},"content":{"rendered":"<figure style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"\" src=\"http:\/\/vocesa.uol.com.br\/orinoco\/media\/\/images\/raw\/2016\/01\/19\/caminho-de-santiago-4.jpg\" width=\"448\" height=\"336\" \/><\/figure>\n<div style=\"text-align: justify;\">No dia 25 de junho, depois de 35 dias de caminhada, a paulistana Beatriz Ribeiro, de 34 anos, ex-analista de estrat\u00e9gia de vendas da TAM, concluiu sua jornada a Santiago de Compostela, destino final da tradicional rota de peregrina\u00e7\u00e3o na Espanha, onde, a cada ano, 250 000 viajantes se dirigem em busca de autoconhecimento, ilumina\u00e7\u00e3o espiritual ou apenas para agradecer por alguma gra\u00e7a recebida.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Depois de pedir demiss\u00e3o do trabalho, ap\u00f3s quase seis anos de empresa, ela viu no Caminho um desafio para sua vida. &#8220;Queria sair da zona de conforto e ampliar meus horizontes&#8221;, diz. A rota escolhida pela administradora foi a que come\u00e7a em Saint-Jean-Pied-de-Port, na Fran\u00e7a, a cerca de 800 quil\u00f4metros de Santiago, a mais popular entre as oito alternativas que levam ao destino. Durante o trajeto, Bea\u00adtriz dormiu em quarto coletivo de albergues (onde o sono era compartilhado com at\u00e9 100 pessoas), ganhou muitas bolhas nos p\u00e9s e uma tendinite que a impedia de flexionar os joelhos e acabou lhe rendendo o apelido de Walking Dead, dado por outros peregrinos que ela conheceu no percurso. Ela ainda nem tinha acabado a jornada quando falou \u00e0 VOC\u00ca S\/A, mas dizia j\u00e1 ter aprendido algumas li\u00e7\u00f5es. &#8220;Estou mais forte e dou valor a coisas b\u00e1sicas, como uma cama limpa, um banho quente, um prato de comida&#8221;, afirma.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O famoso Caminho de Santiago de Compostela foi moda entre os executivos de 1990 a 1995, ap\u00f3s o lan\u00e7amento do livro O Di\u00e1rio de um Mago, de Paulo Coelho. Nos \u00faltimos anos, voltou a encantar profissionais que buscam autoconhecimento, coragem para fazer uma transi\u00e7\u00e3o de carreira ou apenas aliviar-se da press\u00e3o por resultados. S\u00f3 em 2015 mais de 3 000 brasileiros dever\u00e3o embarcar para o ponto de partida de uma das rotas que levam \u00e0 Catedral de Santiago.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Tamanha procura tornou o Brasil o pa\u00eds latino-americano que mais envia visitantes ao Caminho e o quarto pa\u00eds fora da Europa com mais peregrinos. Para Augusto Puliti, da consultoria de recursos humanos DMRH de S\u00e3o Paulo, a volta do interesse dos profissionais por esse destino \u00e9 resultado do momento de incertezas da economia brasileira e da necessidade de se desconectar da press\u00e3o do trabalho. &#8220;O caminho de Santiago \u00e9 famoso por for\u00e7ar esse exerc\u00edcio de introspec\u00e7\u00e3o, de reencontrar seus valores&#8221;, diz. Sua hip\u00f3tese \u00e9 aprovada por quase unanimidade por quem j\u00e1 fez o trajeto. Um deles \u00e9 o dentista Marcelo Furia, de 49 anos, de S\u00e3o Paulo, que fez a viagem no ano passado, depois de ser demitido da institui\u00e7\u00e3o em que trabalhou 18 anos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/vocesa.uol.com.br\/orinoco\/media\/\/images\/original\/2016\/01\/19\/caminho-de-santiago-2.jpg\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ele optou por chegar a Santiago pelo chamado caminho portugu\u00eas, roteiro de 260 quil\u00f4metros, conclu\u00eddo em dez dias. &#8220;Fui para me desprender, olhar para dentro de mim&#8221;, afirma. O dentista retornou da Espanha em setembro e, de l\u00e1 para c\u00e1, abriu a pr\u00f3pria cl\u00ednica de odontologia, mas diz que as transforma\u00e7\u00f5es promovidas pela viagem continuam a acontecer. Em 2016, ele come\u00e7ar\u00e1 a faculdade de filosofia. &#8220;Essa experi\u00eancia me ajudou a elaborar melhor as mudan\u00e7as que eu estava vivendo e repensar minha vida profissional e familiar&#8221;, diz.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Mesmo quem n\u00e3o faz grandes mudan\u00e7as na carreira ap\u00f3s a viagem, como Arunas Stalba, gerente s\u00eanior da consultoria EY, de S\u00e3o Paulo, acredita que a rota traz li\u00e7\u00f5es importantes sobre simplicidade e disciplina. Ele fez o Caminho em setembro de 2012 ap\u00f3s duas desilus\u00f5es: uma no trabalho e outra na vida amorosa. &#8220;Pedi demiss\u00e3o do emprego anterior e fui sozinho&#8221;, afirma. &#8220;Voc\u00ea reaprende a estabelecer metas claras e a cumpri-las, e que s\u00f3 deve carregar com voc\u00ea aquilo de que realmente precisa.&#8221;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fazer o Caminho de Santiago pode render algo al\u00e9m do autoconhecimento ou equil\u00edbrio pessoal. Para alguns peregrinos, a rota promove melhorias concretas na carreira ou at\u00e9 aprendizados pr\u00e1ticos, aplic\u00e1veis ao dia a dia do trabalho. No ano passado, depois de 26 dias de caminhada, Cristiane Kinguti, de 26 anos, analista de sistemas da consultoria SH, chegou n\u00e3o s\u00f3 a seu destino como tamb\u00e9m ao in\u00edcio de um novo ciclo profissional. Ao retornar ao Brasil, ela pensou que seria chamada de louca pelos colegas do escrit\u00f3rio &#8211; afinal, decidiu fazer o Caminho durante a Copa do Mundo. Mas n\u00e3o foi isso que aconteceu. &#8220;Meu chefe come\u00e7ou a me dar desafios maiores, porque nada seria mais dif\u00edcil do que andar 800 quil\u00f4metros&#8221;, diz. Pouco depois, Cristiane recebeu um aumento e uma promo\u00e7\u00e3o. &#8220;Acho que pegou bem no curr\u00edculo&#8221;.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o advogado Sergio Monteiro Cavalcanti, de 39 anos, de Recife, que retornou de Santiago em maio, adquiriu durante a jornada experi\u00eancia em planejamento e execu\u00e7\u00e3o, que agora pretende aplicar em sua empresa, a Ikewai Investimentos, especializada em desenho de neg\u00f3cios para empreendedores.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para ele, o aprendizado gerado pela necessidade de prever cada dia de viagem calculando tempo de deslocamento e a quantidade exata de suprimentos &#8211; para carregar o m\u00ednimo de peso e poupar energia &#8211; tem muita semelhan\u00e7a com o planejamento de um neg\u00f3cio, que, quando bem-feito, permite reduzir gastos e evitar desperd\u00edcio de recursos. &#8220;Tamb\u00e9m ganhei um jeito mais realista de olhar para metas e resultados&#8221;, diz Sergio.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/vocesa.uol.com.br\/orinoco\/media\/\/images\/original\/2016\/01\/19\/caminho-de-santiago-3.jpg\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Puro marketing?<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Apesar de toda a m\u00edstica que envolve o Caminho de Santiago, h\u00e1 quem n\u00e3o d\u00ea muito cr\u00e9dito \u00e0 peregrina\u00e7\u00e3o e veja o trajeto como mais um destino tur\u00edstico. \u00c9 o caso de Claudio Caldeira, de 55 anos, gerente de vendas da empresa de sistemas de computa\u00e7\u00e3o EMC, em S\u00e3o Paulo, que concluiu a peregrina\u00e7\u00e3o em maio. Praticante de <em>trekking<\/em>, ele viu no Caminho um desafio, mas aproveitou a viagem para checar se havia realmente algo m\u00e1gico na rota, sobre a qual havia escutado muitas hist\u00f3rias. N\u00e3o foi o que percebeu.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8220;A Comunidade Europeia v\u00ea o Caminho como um turismo barato &#8211; n\u00e3o \u00e9 muito confort\u00e1vel, mas, para quem s\u00f3 pode gastar 30 euros por dia e mora perto, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma. Segundo ele, a Cruz de Ferro, um dos pontos mais importantes de reflex\u00e3o do trajeto, onde os peregrinos devem depositar pedras e fazer seus pedidos, fica lotada de turistas fazendo <em>selfie<\/em> e piquenique. Empresas especializadas, que fornecem at\u00e9 carregadores de mochilas, desvir\u00adtuam o objetivo original da peregrina\u00e7\u00e3o &#8211; ser um retiro marcado por momentos de sacrif\u00edcio e supera\u00e7\u00e3o. &#8220;Para mim, se voc\u00ea quer se descobrir ou encontrar uma conex\u00e3o divina, n\u00e3o precisa viajar centenas de quil\u00f4metros at\u00e9 a Europa&#8221;, diz Claudio.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">&#8220;A \u00fanica coisa que vai ter de diferente \u00e9 que vai voltar uns 6 000 euros mais pobre&#8221;. Apesar disso, ele indica o Caminho para quem quer conhecer paisagens bonitas e gosta de caminhar com um objetivo &#8211; o que n\u00e3o deixa de ser um aprendizado para quem tem um plano profissional e sonha em chegar a algum lugar.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fonte: Voc\u00ea S.A.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 25 de junho, depois de 35 dias de caminhada, a paulistana Beatriz Ribeiro, de 34 anos, ex-analista de estrat\u00e9gia de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3124,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"iawp_total_views":11,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-3078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-campal"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}