{"id":3080,"date":"2016-02-11T08:01:02","date_gmt":"2016-02-11T11:01:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=3080"},"modified":"2016-02-11T08:01:02","modified_gmt":"2016-02-11T11:01:02","slug":"por-que-ainda-nao-somos-fluentes-em-ingles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/por-que-ainda-nao-somos-fluentes-em-ingles\/","title":{"rendered":"Por que ainda n\u00e3o somos fluentes em ingl\u00eas?"},"content":{"rendered":"<figure style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/vocesa.uol.com.br\/orinoco\/media\/\/images\/raw\/2016\/01\/18\/a-barreira-do-ingles.jpg\" width=\"384\" height=\"215\" \/><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consensos s\u00e3o raros, mas existem. E, quando falamos de recrutamento, os consultores s\u00e3o enf\u00e1ticos ao responder qual \u00e9 o principal ponto fraco dos brasileiros: o baixo dom\u00ednio do ingl\u00eas. O <em>gap<\/em> (sim, <em>gap<\/em>, palavra usada pelo mercado para definir a falha em alguma compet\u00eancia) influencia negativamente no momento da contrata\u00e7\u00e3o, na hora de uma promo\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, nos ganhos financeiros. De acordo com uma pesquisa da Catho, site de busca de empregos, o dom\u00ednio de um idioma estrangeiro pode engordar o contracheque em at\u00e9 52%. Mas, no Brasil, apenas 5% da popula\u00e7\u00e3o fala uma segunda l\u00edngua e menos de 3% t\u00eam flu\u00eancia em ingl\u00eas. Ao contr\u00e1rio do que muita gente imagina, o problema n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 em pessoas de cargos mais baixos.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Dos 4 000 alunos da Berlitz, escola de ingl\u00eas, por exemplo, 30% s\u00e3o presidentes e diretores e 60% est\u00e3o na m\u00e9dia ger\u00eancia \u2013 a grande maioria no n\u00edvel b\u00e1sico. Na dire\u00e7\u00e3o e na presid\u00eancia, apenas um ter\u00e7o j\u00e1 \u00e9 considerado avan\u00e7ado. \u201cN\u00e3o falar ingl\u00eas \u00e9 um impedimento de crescimento na carreira. Em um mundo globalizado, a l\u00edngua \u00e9 de extrema import\u00e2ncia\u201d, diz Magui Castro, s\u00f3cia da Caldwell Partners no Brasil, consultoria de recrutamento, de S\u00e3o Paulo. Sem a profici\u00eancia, os profissionais ficam estagnados em empresas multinacionais \u2013 isso quando conseguem passar pelo processo seletivo. \u201cMesmo nas nacionais, eles s\u00f3 chegam a um n\u00edvel mediano, pois para subir \u00e9 preciso ir a reuni\u00f5es e congressos internacionais\u201d, diz Magui. E as empresas n\u00e3o podem se dar ao luxo de ter um executivo que n\u00e3o se expressa em ingl\u00eas \u2013 ainda mais em tempos de equipes enxutas e eficientes.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O dom\u00ednio do ingl\u00eas entre os brasileiros \u00e9 t\u00e3o baixo que o pa\u00eds ocupa a 41\u00aa coloca\u00e7\u00e3o de um ranking de 70 pa\u00edses desenvolvido \u00a0pela EF Education First. A empresa de educa\u00e7\u00e3o mediu a profici\u00eancia em 910 000 adultos do mundo todo (que n\u00e3o t\u00eam o ingl\u00eas como l\u00edngua nativa) em quesitos como gram\u00e1tica, vocabul\u00e1rio, leitura e compreens\u00e3o. Os primeiros colocados na lista s\u00e3o: Su\u00e9cia, Holanda e Dinamarca. O Brasil aparece atr\u00e1s de pa\u00edses como Singapura, Peru, Equador, M\u00e9xico e Chile. \u201cTecnicamente, o n\u00edvel de dificuldade do aprendizado de ingl\u00eas para um brasileiro \u00e9 considerado f\u00e1cil pelos linguistas\u201d, diz Arthur Bezerra, country manager da Berlitz no Brasil.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Claro que a idade pesa. Quanto mais jovem o aluno for, mais facilidade ter\u00e1. Mas o n\u00famero de pessoas que t\u00eam disponibilidade para fazer um curso de idiomas \u2013 seja por falta de tempo ou de dinheiro \u2013 ainda \u00e9 pequeno. Para Arthur, o tempo \u00e9 uma das explica\u00e7\u00f5es (ou desculpa) para a dificuldade que o brasileiro tem de aprender ingl\u00eas, mas n\u00e3o a \u00fanica. Segundo ele, a forma como somos ensinados atrapalha o aprendizado. \u201cMuitos cursos usam metodologias ultrapassadas, cuja inten\u00e7\u00e3o \u00e9 formar professores de ingl\u00eas, e n\u00e3o comunicadores\u201d, diz Arthur. \u201cA maioria das pessoas consegue ir para a Disney e at\u00e9 fazer entrevista de emprego, mas, na hora de entrar num debate, se perde.\u201d Essa defici\u00eancia fica evidente nas entrevistas de emprego em ingl\u00eas, algo comum entre os recrutadores. Magui conta que j\u00e1 entrevistou v\u00e1rios executivos inteligentes e excelentes em suas fun\u00e7\u00f5es, mas que s\u00f3 sabem \u201cse virar\u201d no ingl\u00eas. \u201cQuando um deles precisa se aprofundar em uma conversa no idioma, usa frases curtas por ter um vocabul\u00e1rio limitado e passa a impress\u00e3o ao entrevistador de que n\u00e3o tem tanto conte\u00fado quanto tem\u201d, afirma Magui. \u201cIsso o prejudica bastante. Pois, como dizem por a\u00ed, \u2018<em>perception is reality<\/em>\u2019\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Corra atr\u00e1s do preju\u00edzo\u00a0<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ciente dos preju\u00edzos que a falta de um segundo idioma provoca na carreira, muitos brasileiros est\u00e3o correndo atr\u00e1s do preju\u00edzo e elevando o n\u00famero de matr\u00edculas nas escolas especializadas. A rede de idiomas Yes!, por exemplo, teve um aumento de 15% no n\u00famero de alunos interessados em aulas de ingl\u00eas no primeiro semestre de 2015. \u201cEsporadicamente, recebemos alunos que perderam alguma oportunidade de emprego por n\u00e3o terem conhecimento em um segundo idioma, como ingl\u00eas ou espanhol, os mais requisitados nas entrevistas\u201d, diz Clodoaldo Nascimento, presidente da Yes!. Sua concorrente, a EF Englishtown, teve um aumento de 20% na procura em 2015.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A l\u00edngua \u00e9 t\u00e3o importante que uma pesquisa da consultoria Robert Half, em parceria com a Education First, revelou que para 80% dos 100 diretores de recursos humanos entrevistados a flu\u00eancia em ingl\u00eas \u00e9 essencial para assumir cargos exponenciais. Mas, desse total, apenas 7% disse reembolsar gastos de funcion\u00e1rios que estudam. \u00c9 o caso da Rehau, empresa de origem alem\u00e3 especializada em constru\u00e7\u00e3o e design de m\u00f3veis que tem sede em S\u00e3o Paulo, onde trabalha Gabriela Lopes, de 30 anos, analista de marketing e produtos. H\u00e1 tr\u00eas anos, ela come\u00e7ou a estudar ingl\u00eas na Cultura Inglesa, gra\u00e7as ao incentivo da chefe e \u00e0 ajuda de custo da \u00a0companhia, que banca 50% do valor do curso. \u201cSempre achei importante, mas agora eu tenho mais necessidade porque participo de treinamentos com pessoal dos Estados Unidos e da Alemanha, al\u00e9m de me comunicar muito por e-mail no idioma\u201d, diz Gabriela, que sonha em fazer um interc\u00e2mbio profissional nos pr\u00f3ximos anos. Al\u00e9m do curso, ela tenta assistir a filmes e s\u00e9ries sem legenda e ouvir m\u00fasicas em ingl\u00eas. \u201cAssisto ao seriado Revenge e leio muito material da minha p\u00f3s no idioma\u201d, afirma.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O fundamental, al\u00e9m de fazer aulas para compreender a l\u00edngua (ou se reciclar, caso voc\u00ea tenha aprendido h\u00e1 muito tempo e esteja \u00a0enferrujado), \u00e9 perder o medo de falar em p\u00fablico. No mercado, n\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para a \u201cgringofobia\u201d. Ter coragem de se apresentar no idioma, mesmo pedindo desculpas por ainda n\u00e3o ser fluente, faz com que o profissional ganhe pontos. \u201cMuitas vezes, as pessoas ficam apavoradas porque n\u00e3o s\u00e3o fluentes e deixam de aprender o essencial. A pr\u00e1tica ajuda a conseguir confian\u00e7a, como qualquer outra habilidade, mas quem tem medo de praticar por n\u00e3o falar t\u00e3o fluentemente quanto gostaria se bloqueia e n\u00e3o se desenvolve\u201d, diz Camila Pires, coach e diretora executiva da Rede Indigo, do Rio de Janeiro.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em>Sem desculpas<\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Outra desculpa que tem que ser deixada de lado \u00e9 a da falta de tempo. Sim, ele \u00e9 um dos principais entraves, mas, se falar ingl\u00eas \u00e9 uma prioridade na sua carreira, \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma brecha na agenda para estudar. \u00c9 o que faz Gustavo Charif, de 29 anos, consultor s\u00eanior da Avanade, empresa de tecnologia, de S\u00e3o Paulo. Ele usa o hor\u00e1rio de almo\u00e7o para melhorar sua profici\u00eancia no idioma, que, desde que entrou na empresa, em 2010, \u00e9 demandado no dia a dia. \u201cComo estou em uma empresa global e tenho papel de l\u00edder, preciso conversar com pessoas de outros pa\u00edses, como \u00cdndia e Filipinas, para trocar informa\u00e7\u00f5es sobre novos produtos e \u00a0solu\u00e7\u00f5es\u201d, diz. Segundo Gustavo, \u00e9 importante manter a const\u00e2ncia nos estudos para n\u00e3o perder o conhecimento. \u201cJ\u00e1 tinha \u00a0estudado por quatro \u00a0anos, mas, quando comecei a usar a l\u00edngua no cotidiano, percebi que s\u00f3 sabia o b\u00e1sico\u201d, afirma Gustavo. Hoje ele se sente mais confiante e participa de um comit\u00ea de treinamentos internacionais, onde troca informa\u00e7\u00f5es sobre o mercado de TI. \u201cN\u00e3o procuro oportunidades fora do Brasil, mas, com a valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, a tend\u00eancia \u00e9 aumentar o n\u00famero de projetos internacionais que contratam brasileiros pelo baixo custo da m\u00e3o de obra\u201d, diz Gustavo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Atualmente, a Avanade possui cerca de 60 vagas em aberto \u2013 e para todas elas falar ingl\u00eas \u00e9 crucial. Com escrit\u00f3rios na \u00cdndia, Filipinas e Argentina, o trabalho global em conjunto faz parte da opera\u00e7\u00e3o da empresa. \u201cProcuramos selecionar gente que j\u00e1 tem a habilidade na entrada, mas tamb\u00e9m investimos em ensino complementar. Muitos candidatos s\u00e3o competentes na leitura, mas n\u00e3o na fala\u201d, diz Jun Endo, country manager da Avanade no Brasil. \u201cMelhorou, mas continua sendo um grande desafio para o pa\u00eds.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Segundo os especialistas no ramo, para alcan\u00e7ar a flu\u00eancia, o ideal \u00e9 fazer um programa h\u00edbrido, com aulas ou exerc\u00edcios presenciais, e complementar o aprendizado com ferramentas online. \u201cVale usar aplicativos, ouvir m\u00fasica e conversar com estrangeiros. Tem que ralar mesmo\u201d, diz Arthur, da Berlitz. Como a necessidade \u00e9 a m\u00e3e de todo o esfor\u00e7o, quem quer uma promo\u00e7\u00e3o, um novo emprego ou fazer um curso no exterior deve se dedicar bastante. O prazo para o desenvolvimento adequado, considerando uma carga hor\u00e1ria m\u00e9dia entre 12 e 16 horas por m\u00eas \u00e9 de dois anos de estudo. \u201cSe o aluno n\u00e3o estuda nada, n\u00e3o faz o dever de casa e s\u00f3 assiste a duas aulas por semana, o tempo de evolu\u00e7\u00e3o aumenta\u201d, afirma Arthur.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 preciso ter clareza do que impedia voc\u00ea de fazer isso antes e encontrar alternativas para superar os desafios. Se a barreira \u00e9 financeira, h\u00e1 aplicativos e cursos online que s\u00e3o mais baratos do que os tradicionais. Se a desculpa \u00e9 a falta de tempo, saiba que v\u00e1rias escolas oferecem aulas via internet e muitos professores particulares usam o Skype para conversar com os alunos. Quando a necessidade de um intensivo \u00e9 urgente, vale ter aulas todos os dias. Claro que passar um tempo fora do pa\u00eds (sem ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de falar em portugu\u00eas com os brasileiros que est\u00e3o por perto) costuma acelerar o aprendizado \u2013 mesmo que seja por apenas um m\u00eas. \u201c\u00c9 como andar de bicicleta: no come\u00e7o parece imposs\u00edvel, com o tempo se ganha familiaridade e a pessoa deslancha\u201d, diz Analigia Martins, gerente de marketing da EF Englishtown. Let\u2019s go?<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fonte: Voc\u00ea S.A.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Consensos s\u00e3o raros, mas existem. 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