{"id":3782,"date":"2017-01-02T10:45:48","date_gmt":"2017-01-02T13:45:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=3782"},"modified":"2017-01-02T10:45:48","modified_gmt":"2017-01-02T13:45:48","slug":"naufragio-ou-virada-em-2016-este-trecho-e-parte-de-conteudo-que-pode-ser-compartilhado-utilizando-o-link-httpwww-valor-com-bropiniao4820656naufragio-ou-virada-em-2016-ou-as-ferramentas-ofereci","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/naufragio-ou-virada-em-2016-este-trecho-e-parte-de-conteudo-que-pode-ser-compartilhado-utilizando-o-link-httpwww-valor-com-bropiniao4820656naufragio-ou-virada-em-2016-ou-as-ferramentas-ofereci\/","title":{"rendered":"Naufr\u00e1gio ou virada em 2016?"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\np.p1 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Georgia; color: #1b1b1b; -webkit-text-stroke: #1b1b1b}\np.p2 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Georgia; color: #1b1b1b; -webkit-text-stroke: #1b1b1b; background-color: #fbfbfb}\nspan.s1 {font-kerning: none; background-color: #fbfbfb}\nspan.s2 {font-kerning: none; background-color: #fbfbfb; direction: ltr; unicode-bidi: embed}\nspan.s3 {font: 13.5px Georgia; font-kerning: none; background-color: #fbfbfb}\nspan.s4 {font-kerning: none}\n--><\/style>\n<p>Prever como eventos correntes passar\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria \u00e9 extremamente dif\u00edcil. Lembro-me, por exemplo, do Plano Cruzado, em 1986. Em meio \u00e0 euforia que marcou a queda inicial da infla\u00e7\u00e3o, as an\u00e1lises da \u00e9poca estavam longe de suspeitar que aquele poderia vir a ser o primeiro de uma s\u00e9rie de planos anti-inflacion\u00e1rios fracassados, e que a megainfla\u00e7\u00e3o s\u00f3 viria a acabar mais de oito anos depois, com o Plano Real.<br \/>\nComo a hist\u00f3ria econ\u00f4mica vai tratar 2016? Ser\u00e1 que marcar\u00e1 o continuado decl\u00ednio da economia brasileira, cujo PIB vem caindo h\u00e1 mais de dois anos? Ou, ao contr\u00e1rio, ser\u00e1 2016 lembrado como o ano em que nossa economia iniciou uma virada hist\u00f3rica, confrontando seu principal problema, o descontrole fiscal?<br \/>\nA excelente surpresa deste ano foi aprova\u00e7\u00e3o da PEC do teto dos gastos. Como se sabe, a emenda constitucional limita a taxa de crescimento do or\u00e7amento federal \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, impedindo que os gastos p\u00fablicos continuem a ganhar espa\u00e7o crescente no PIB, como vinha ocorrendo h\u00e1 d\u00e9cadas. O problema \u00e9 que a emenda apenas institui um teto, mas a evolu\u00e7\u00e3o dos componentes dos gastos p\u00fablicos obedece a regras pr\u00f3prias, incompat\u00edveis com o novo teto. Ainda que, a curto prazo, a PEC n\u00e3o implique sacrificar o crescimento dos gastos, ser\u00e1 indispens\u00e1vel, nos pr\u00f3ximos anos, mudar radicalmente a din\u00e2mica de crescimento dos maiores gastos p\u00fablicos.<br \/>\n<b><i>Continuar a progredir na agenda fiscal \u00e9 essencial para a retomada do crescimento econ\u00f4mico<\/i><\/b><br \/>\nA principal fonte da explos\u00e3o dos gastos p\u00fablicos \u00e9 a Previd\u00eancia Social, cuja proposta de reforma foi recentemente encaminhada pelo Executivo ao Legislativo, tamb\u00e9m atrav\u00e9s de uma PEC. Esta, em contraste com a PEC do teto, trata de mudan\u00e7as bem palp\u00e1veis a todos os trabalhadores que ainda n\u00e3o se aposentaram<sup>1<\/sup>. Por isso, j\u00e1 est\u00e1 gerando fortes rea\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, o que deve se acirrar em 2017, quando a reforma da Previd\u00eancia for debatida no Congresso.<br \/>\nDependendo das modifica\u00e7\u00f5es introduzidas, a reforma pode vir a se revelar insuficiente, sinalizando que o regime fiscal n\u00e3o mudou. Ou pode, alternativamente, refor\u00e7ar o sinal dado pela aprova\u00e7\u00e3o da PEC do teto de que o Brasil decididamente se afasta do abismo fiscal com que ora se depara.<br \/>\nO otimismo advindo da aprova\u00e7\u00e3o da PEC do teto foi fortemente abalado pela decis\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados em aprovar a renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas estaduais sem impor as indispens\u00e1veis contrapartidas de mudan\u00e7a dos regimes fiscais vigentes em v\u00e1rios Estados. Os problemas estaduais n\u00e3o s\u00e3o novos. Uma das principais reformas, sem a qual a consolida\u00e7\u00e3o do Plano Real n\u00e3o teria sido bem-sucedida, foi a renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas estaduais. Na \u00e9poca, o processo estendeu-se por uma d\u00e9cada, e conseguiu reestruturar as finan\u00e7as estaduais at\u00e9 que os governos do PT solaparam as bases do regime fiscal, permitindo que os Estados voltassem a aumentar seu endividamento para pagar gastos correntes.<br \/>\nHoje a maioria dos Estados novamente se defronta com regimes de previd\u00eancia insustent\u00e1veis e excessivos incha\u00e7os das folhas salariais, muitos acima do limite da LRF (lei de responsabilidade fiscal). \u00c9 dif\u00edcil antever que tais problemas possam vir a ser corrigidos sem que os deputados federais emprestem seu apoio \u00e0s duras medidas que se fazem necess\u00e1rias.<br \/>\nAssim como um fumante inveterado que, apesar de saber dos males causado \u00e0 sa\u00fade, n\u00e3o consegue largar o v\u00edcio, a sociedade brasileira n\u00e3o logra se afastar do populismo fiscal. Para todos os males e problemas, a solu\u00e7\u00e3o quase sempre gera um aumento do gasto p\u00fablico, tal qual o fumante que recorre ao cigarro para pretensamente aliviar a tens\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e0 semelhan\u00e7a do fumante, n\u00e3o conseguimos antever as possibilidades de melhora de vida que poderiam ser trazidas pelo fim do v\u00edcio. A melhora mais importante, talvez compar\u00e1vel ao fumante poder correr uma maratona, \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros, e a capacidade de utilizar a pol\u00edtica monet\u00e1ria como instrumento antic\u00edclico. Esse instrumento \u00e9 fundamental no mundo todo, mas, no Brasil, vive embotado pelo continuado expansionismo fiscal, que obriga o BC a manter uma taxa de juros extremamente elevada para controlar a infla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs principais economias internacionais usaram o expansionismo monet\u00e1rio ao m\u00e1ximo, estando h\u00e1 anos se defrontando com a impossibilidade de reduzir ainda mais as taxas nominais, algumas abaixo de zero. J\u00e1 o BC brasileiro disp\u00f5e de enorme espa\u00e7o para corte de juros. Com a aprova\u00e7\u00e3o de uma reforma da Previd\u00eancia que consolide a mudan\u00e7a do regime fiscal, o BC vai poder usar a muni\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o monet\u00e1ria de que disp\u00f5e sem medo de reavivar a infla\u00e7\u00e3o, sobretudo agora que recuperou sua credibilidade anti-inflacion\u00e1ria.<br \/>\nNeste cen\u00e1rio benigno, 2016 passaria \u00e0 hist\u00f3ria como o ano da virada. Naturalmente, v\u00e1rios problemas continuar\u00e3o conosco. N\u00e3o teremos resolvido nossos problemas com a m\u00e1 qualidade da educa\u00e7\u00e3o dos nossos jovens, nem os problemas do nosso sistema de sa\u00fade. Temos que enfrentar uma extensa agenda microecon\u00f4mica que ajude a deslanchar o investimento, promovendo mais competi\u00e7\u00e3o, tanto dom\u00e9stica quanto externa. Precisamos aumentar a efici\u00eancia da gest\u00e3o p\u00fablica, em todos os n\u00edveis, al\u00e9m de v\u00e1rias outras reformas. Mas, tal qual o fumante que conseguiu parar de fumar, teremos uma satisfa\u00e7\u00e3o enorme ao finalizar a primeira maratona.<br \/>\nUm excelente 2017 para todos!<br \/>\nFonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prever como eventos correntes passar\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria \u00e9 extremamente dif\u00edcil. Lembro-me, por exemplo, do Plano Cruzado, em 1986. Em meio \u00e0 euforia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3783,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"iawp_total_views":0,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-3782","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-campal"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3782\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}