{"id":511,"date":"2012-12-28T13:18:32","date_gmt":"2012-12-28T13:18:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/consultoria2\/?p=511"},"modified":"2012-12-28T13:18:32","modified_gmt":"2012-12-28T13:18:32","slug":"os-bric-sao-um-tigre-de-papel-ou-vao-dominar-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/os-bric-sao-um-tigre-de-papel-ou-vao-dominar-o-mundo\/","title":{"rendered":"Os BRIC s\u00e3o um tigre de papel ou v\u00e3o dominar o mundo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/froog.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/bric2.jpg\" width=\"675\" height=\"270\" \/>Os BRIC \u2013 o acr\u00f3nimo para Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China &#8211; continuam a ser um tema fraturante. &#8220;As expetativas sobre a sua morte pr\u00f3xima s\u00e3o manifestamente exageradas&#8221;, diz-nos Oliver Stuenkel, professor na Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, em S\u00e3o Paulo, adaptando um c\u00e9lebre dito do escritor Mark Twain. Enquanto Ruchir Sharma, diretor da \u00e1rea de Mercados Emergentes e Macroeconomia global da Morgan Stanley, \u00e9 perent\u00f3rio: &#8220;Na realidade, nunca pertenceram ao mesmo acr\u00f3nimo&#8221;. O especialista indiano vai mais longe: nunca foram e nunca ser\u00e3o um bloco nem geopol\u00edtico nem econ\u00f3mico.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os rumores espalharam-se rapidamente neste ano do Drag\u00e3o de \u00e1gua, fazendo jus \u00e0 imprevisibilidade e carga de stresse que acompanha o personagem mitol\u00f3gico do zod\u00edaco chin\u00eas: risco de um rebentar de &#8220;bolhas&#8221; na China e no Brasil, amea\u00e7a do Brasil e da R\u00fassia se tornarem prisioneiros da &#8220;doen\u00e7a holandesa&#8221; dependendo exageradamente da euforia em torno das exporta\u00e7\u00f5es de recursos energ\u00e9ticos, e da \u00cdndia &#8220;contaminar&#8221; toda a economia da \u00c1sia do sudeste, como alertou este m\u00eas o Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando os n\u00fameros divulgados em outubro pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional para este conjunto que deveria ser o novo farol sem m\u00e1cula, as desilus\u00f5es s\u00e3o muitas: o trambolh\u00e3o monumental do Brasil vai continuar, de 7,5% em 2010 para uma previs\u00e3o de 1,5% este ano; a R\u00fassia abranda de 4,3% para 3,8% no mesmo per\u00edodo; a \u00cdndia tamb\u00e9m dar\u00e1 um trambolh\u00e3o de 10,1% para 4,9%; e o crescimento na China descer\u00e1, este ano, abaixo do limiar pol\u00edtico dos 8%, com as estimativas a variar entre 7,7% e 7,8%, depois de ter crescido 10,4% h\u00e1 dois anos. Nas economias emergentes, crescimentos abaixo de 6% s\u00e3o considerados como alerta laranja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Ruchir Sharma e Frederico Gonzaga Junior, da Universidade Federal de Minas Gerais, n\u00e3o creem que haja risco de um rebentar de &#8220;bolhas&#8221; na China e no Brasil, apesar da inacredit\u00e1vel especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que torna a China como a p\u00e1tria das cidades-fantasma, dos blocos de condom\u00ednios vazios e dos projetos megal\u00f3manos de entretenimento (como o da foto) inundados de ervas daninhas. Quanto \u00e0 &#8220;doen\u00e7a holandesa&#8221;, Sharma pressente alguns sinais de uma euforia do tipo dot-com nos exportadores que vivem de petrod\u00f3lares ou de euros do g\u00e1s, como o Brasil com a euforia do pr\u00e9-sal (e o fil\u00e3o da partilha de royalties em perspetiva por parte dos tr\u00eas estados brasileiros costeiros) e a R\u00fassia que continua a ser o maior exportador mundial de crude e de g\u00e1s natural, mas a situa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 alarmante. Por seu lado, o consultor Ashutosh Sheshabalaya, da India Advisory, garante que &#8220;a \u00cdndia est\u00e1 mais bem posicionada do que a pr\u00f3pria China para enfrentar a crise financeira global&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oliver Stuenkel conclui que a pior dor de cabe\u00e7a para os BRIC, no curto prazo, n\u00e3o vem de dentro, vem da evolu\u00e7\u00e3o da crise na Europa e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cisnes cinzentos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Grande Recess\u00e3o surgida em 2007 ofereceu ao grupo uma proje\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica assinal\u00e1vel, que fez definitivamente mossa no G7 das sete economias desenvolvidas. Mas a continua\u00e7\u00e3o desta crise sist\u00e9mica para al\u00e9m do que se previa, pode retirar o grupo do pedestal. &#8220;Tr\u00eas das grandes economias dos BRIC, nomeadamente o Brasil, a \u00cdndia e a China, s\u00e3o fontes de eventos de alto risco, s\u00e3o potencialmente &#8216;cisnes cinzentos'&#8221;, diz-nos o economista russo Constantin Gurdgiev, um dos blogueiros mais ativos na \u00e1rea da economia. &#8220;Cisne cinzento&#8221; \u00e9 um acontecimento que pode ser antecipado, mas que \u00e9 considerado improv\u00e1vel, e que a acontecer tem um impacto profundo. A cor cinzenta pretende diferenciar do &#8220;cisne negro&#8221;, um conceito inventado pelo ensa\u00edsta Nassim Taleb para definir acontecimentos totalmente imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de Sharma, publicado este ano, provocou inclusive um &#8220;choque&#8221; na elite dos BRIC. Em &#8220;Breakout Nations: In Pursuit of the New Economic Miracles&#8221;, o indiano alega que o foco geopol\u00edtico deve virar-se, agora, para as pr\u00f3ximas economias emergentes que chegar\u00e3o aos 2 bili\u00f5es de d\u00f3lares de PIB e que, surpreendentemente, poder\u00e3o brotar das grandes democracias mu\u00e7ulmanas. Esses novos atores no palco mundial n\u00e3o se apressam em ser &#8220;a pr\u00f3xima China&#8221;, diz Sharma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ideia concorrente no &#8220;Sul&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00e9lebre acr\u00f3nimo criado h\u00e1 onze anos pelo brit\u00e2nico Jim O&#8217;Neill, da Goldman Sachs, para o grupo formado pelo Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China, pretendia chamar \u00e0 aten\u00e7\u00e3o para quatro grandes economias emergentes que iriam marcam o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. O acr\u00f3nimo, depois, transformar-se-ia num clube pol\u00edtico, numa primeira cimeira, em 2009, em Ecaterimburgo, sem que os fundadores tivessem convidado O\u00b4Neill para a boda a quatro, e, em 2011, juntou a \u00c1frica do Sul, passando de BRIC a BRICS, para espanto do consultor brit\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em virtude da heterogeneidade de especializa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e dos sistemas pol\u00edticos no seio do grupo inventado por O\u00b4Neill, Ashutosh Sheshabalaya \u00e9 partid\u00e1rio de um alinhamento geopol\u00edtico diferente, em que a \u00cdndia, o Brasil e a \u00c1frica do Sul se complementam como pot\u00eancias do \u00cdndico e do Atl\u00e2ntico Sul. O grupo j\u00e1 tem um acr\u00f3nimo em ingl\u00eas \u2013 IBSA \u2013 e pretende ser &#8220;um eixo de economias que querem e podem ser porta de entrada para tr\u00eas mercados continentais do futuro \u2013 \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina&#8221;, diz-nos o consultor indiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Provavelmente aplicar a c\u00e9lebre frase de Mao Ts\u00e9-Tung sobre os tigres de papel (ent\u00e3o os Estados Unidos) aos BRIC \u00e9 um exagero, mas as d\u00favidas acumulam-se sobre se ser\u00e1 o bloco dominante do futuro, mesmo com uma China destacada como segunda economia do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>NOTAS SOLTAS<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BRASIL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vive uma euforia do fil\u00e3o do petr\u00f3leo a extrair do pr\u00e9-sal que tem gerado uma esp\u00e9cie de &#8220;bolha&#8221; parecida com a das dot-com, sobretudo nos estados de Rio de Janeiro, Esp\u00edrito Santo e S\u00e3o Paulo. O economista brasileiro Bresser-Pereira acha que o pa\u00eds est\u00e1 contaminado com a &#8220;doen\u00e7a holandesa&#8221;. Mas n\u00e3o \u00e9 opini\u00e3o un\u00e2nime. Todos recomendam, no entanto, maior diversifica\u00e7\u00e3o. Os \u00faltimos n\u00fameros foram um &#8220;choque&#8221; \u2013 a taxa de crescimento foi de 0,6% no terceiro trimestre de 2012 em rela\u00e7\u00e3o ao anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RUSSIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para alguns \u00e9 o &#8220;pior caso&#8221; no grupo. O poder autocr\u00e1tico e o dom\u00ednio de 20% da economia pelos multimilion\u00e1rios s\u00e3o barreiras sist\u00e9micas \u00e0 proje\u00e7\u00e3o russa, diz Ruchir Sharma. No entanto, \u00e9 dos quatro o que tem um n\u00edvel de vida mais elevado, que dever\u00e1 subir para mais de 50% do n\u00edvel m\u00e9dio da zona euro no pr\u00f3ximo ano. Al\u00e9m do mais tem um ponto forte, sublinha Constantin Gurdgiev \u2013 tem o maior excedente externo, de 3,4%, superior ao da China (2,6%), e tem as contas p\u00fablicas equilibradas. Disp\u00f5e, por isso, de recursos para financiar reformas. A depend\u00eancia dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e do g\u00e1s natural \u00e9 um calcanhar de Aquiles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INDIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ruchir Sharma acha que este pa\u00eds tem 50% de probabilidades de se transformar numa na\u00e7\u00e3o que se vai destacar no futuro. O mesmo otimismo \u00e9 partilhado por Ashutosh Sheshabalaya que v\u00ea na \u00cdndia um papel importante num eixo entre o \u00cdndico e o Atl\u00e2ntico Sul. Um dos problemas atuais \u00e9 a loucura em torno da importa\u00e7\u00e3o de ouro, al\u00e9m do mais a pre\u00e7os elevados, o que, juntamente com o petr\u00f3leo, provoca um d\u00e9fice externo preocupante. As importa\u00e7\u00f5es de ouro representam 80% do d\u00e9fice externo. O investimento em ouro \u00e9 encarado como a melhor seguran\u00e7a social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CHINA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem de fazer a transi\u00e7\u00e3o prometida pelo 18\u00ba Congresso do Partido Comunista, de um modelo mercantilista para uma sociedade com n\u00edveis mais altos de consumo. Atingiu mais de 50% de urbaniza\u00e7\u00e3o e a sua lideran\u00e7a tem consci\u00eancia que a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, o uso da terra como colateral financeiro e a exporta\u00e7\u00e3o t\u00eam os dias contados como fatores milagreiros. Ruchir Sharma acha que o pa\u00eds n\u00e3o vai &#8220;seguir o estado de nega\u00e7\u00e3o&#8221; que foi t\u00edpico do Jap\u00e3o nos anos 1990. O que reduz a probabilidade de colapso para uma situa\u00e7\u00e3o de estagna\u00e7\u00e3o. Para o FMI s\u00f3 a China pertence ao clube das cinco economias &#8220;sist\u00e9micas&#8221;, juntamente com os EUA, Zona euro, Jap\u00e3o e Reino Unido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Administradores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os BRIC \u2013 o acr\u00f3nimo para Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China &#8211; continuam a ser um tema fraturante. &#8220;As expetativas sobre a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":697,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"iawp_total_views":4,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-campal"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}