{"id":5490,"date":"2020-01-12T22:43:41","date_gmt":"2020-01-13T01:43:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=5490"},"modified":"2025-03-20T09:31:44","modified_gmt":"2025-03-20T12:31:44","slug":"o-ano-em-que-os-juros-foram-jogados-ao-chao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/o-ano-em-que-os-juros-foram-jogados-ao-chao\/","title":{"rendered":"O ano em que os juros foram jogados ao ch\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 boas raz\u00f5es para acreditar que 2020 ser\u00e1 melhor para a economia do que o ano que passou. O ritmo da atividade econ\u00f4mica ganhou impulso nos \u00faltimos meses de 2019, por causa da libera\u00e7\u00e3o dos saques do FGTS e do aumento do cr\u00e9dito. A confian\u00e7a dos empres\u00e1rios aumentou com a estrat\u00e9gia econ\u00f4mica adotada pelo governo, com a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia Social e com a melhora do quadro fiscal do setor p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa que predomina no mercado \u00e9 a de que um cen\u00e1rio de maior crescimento dever\u00e1 se consolidar ao longo dos pr\u00f3ximos meses, embora algumas nuvens negras que v\u00eam do exterior ainda provoquem incertezas. Existem d\u00favidas tamb\u00e9m sobre o encaminhamento de algumas reformas indispens\u00e1veis \u00e0 continuidade do ajuste das contas p\u00fablicas, em virtude do ano eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Queda do custo da d\u00edvida representa mais de dois Bolsas Fam\u00edlia<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar nesta coluna, no entanto, o fato econ\u00f4mico mais marcante de 2019 &#8211; ano que ficar\u00e1 conhecido como aquele em que os juros no pa\u00eds foram jogados ao ch\u00e3o. Quem acompanhou a economia brasileira ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas sabe avaliar a dimens\u00e3o do fen\u00f4meno que presenciamos no ano passado. Durante anos, o Brasil foi um dos campe\u00f5es dos juros altos no mundo, com taxas reais que eram verdadeiras aberra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O enorme custo financeiro dessa anomalia, que perdurou por longo tempo, foi suportado pela popula\u00e7\u00e3o mais pobre, ajudando a agravar a brutal desigualdade de renda do pa\u00eds. Uma Selic (a taxa b\u00e1sica de juros da economia, fixada pelo Banco Central) de dois d\u00edgitos foi considerada como normal durante muito tempo. Em mar\u00e7o de 1999, por exemplo, ela chegou a 45% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, o pa\u00eds conviveu com taxa de juro real acima de 10% ao ano, situa\u00e7\u00e3o que se manteve no in\u00edcio deste s\u00e9culo. Depois, ela foi caindo lentamente para algo em torno de 5%, ainda muito distante das taxas praticadas no mercado internacional. Numerosos artigos e teses, escritos nos \u00faltimos anos pelos mais renomados economistas do pa\u00eds, tentaram explicar a anomalia brasileira dos juros altos e encontrar uma sa\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela veio, da forma mais dolorosa poss\u00edvel. Uma brutal recess\u00e3o econ\u00f4mica, seguida de uma lenta recupera\u00e7\u00e3o, acompanhada de uma mudan\u00e7a radical na estrat\u00e9gia econ\u00f4mica do governo quebraram a espinha dorsal da infla\u00e7\u00e3o e os juros ca\u00edram para patamares inimagin\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o do ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn foi respons\u00e1vel, em grande medida, pela mudan\u00e7a. O cen\u00e1rio internacional de juros baixos, negativos em v\u00e1rios pa\u00edses, ajudou tamb\u00e9m na empreitada.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda dos juros foi r\u00e1pida e forte. Em janeiro de 2016, a taxa Selic estava em 14,25% ao ano e o Tesouro pagava juro real de 7,2% ao ano em seus t\u00edtulos corrigidos pelo IPCA (NTNB principal), com prazo de quatro anos. Hoje, a Selic est\u00e1 em 4,5% e o Tesouro consegue vender pap\u00e9is com taxa real de 1% ao ano. Se, em 2016, um economista fizesse tal previs\u00e3o, seria considerado delirante.<\/p>\n\n\n\n<p>Como mais de 50% da d\u00edvida p\u00fablica federal, incluindo no c\u00e1lculo as opera\u00e7\u00f5es compromissadas feitas pelo BC, gira em 12 meses, o efeito da queda dos juros sobre o custo do endividamento \u00e9 muito r\u00e1pido. Em conversa com o&nbsp;<strong>Valor<\/strong>, o secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, estimou que o custo m\u00e9dio da d\u00edvida p\u00fablica federal ficou R$ 69 bilh\u00f5es menor no ano passado, na compara\u00e7\u00e3o com 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer o c\u00e1lculo, ele utilizou a taxa m\u00e9dia de juros de emiss\u00e3o dos pap\u00e9is do Tesouro em 2018. Em seguida, estimou o custo da d\u00edvida em 2019 se essa taxa m\u00e9dia tivesse permanecido. Depois, comparou com o custo verificado com as taxas m\u00e9dias efetivamente praticadas pelo Tesouro no ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A economia da Uni\u00e3o com a despesa de juros em 2019, estimada pelo secret\u00e1rio do Tesouro, representa mais de duas vezes o gasto anual com o programa Bolsa Fam\u00edlia, que atende 13,5 milh\u00f5es de fam\u00edlias extremamente pobres. A proje\u00e7\u00e3o de Mansueto Almeida para este ano \u00e9 de uma economia ainda maior: R$ 120 bilh\u00f5es. Estamos vivendo uma nova realidade de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros aspectos desta quest\u00e3o precisam ser destacados. A forte e r\u00e1pida queda dos juros, junto com a venda de reservas pelo Banco Central, o pagamento antecipado pelo BNDES de empr\u00e9stimos feitos junto ao Tesouro e a revis\u00e3o dos valores do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e 2018, anunciada pelo IBGE, obrigou o Tesouro a alterar tamb\u00e9m sua trajet\u00f3ria para a d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, o Tesouro projetava que a d\u00edvida p\u00fablica bruta terminaria este ano em 80,8% do PIB e que continuaria aumentando at\u00e9 2022, quando alcan\u00e7aria 81,8% do PIB. Ent\u00e3o, passaria a cair at\u00e9 73,5% do PIB em 2028. Em sua nova proje\u00e7\u00e3o, o Tesouro considerou que a d\u00edvida bruta terminaria 2019 em 77,3% do PIB, subiria para 78,2% do PIB neste ano, quando estabilizaria. Passaria a cair a partir de 2023. Isso aconteceria mesmo com os d\u00e9ficits prim\u00e1rios previstos para 2020, 2021 e 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, \u00e9 dif\u00edcil projetar a trajet\u00f3ria da d\u00edvida porque algumas vari\u00e1veis com impacto fiscal ainda s\u00e3o desconhecidas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estimar, por exemplo, quanto a Uni\u00e3o arrecadar\u00e1 com as privatiza\u00e7\u00f5es de estatais e com vendas de im\u00f3veis neste ano. Nem quanto o BC vender\u00e1 de reservas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil prever at\u00e9 mesmo a trajet\u00f3ria da arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria em 2020, em decorr\u00eancia da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber se a Uni\u00e3o conseguir\u00e1 leiloar, em 2020, os dois campos de petr\u00f3leo da chamada cess\u00e3o onerosa que n\u00e3o tiveram ofertas no ano passado. Essas vari\u00e1veis afetam, de alguma forma, a d\u00edvida bruta.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe, no entanto, um consenso entre os principais economistas do pa\u00eds de que os juros baixos continuar\u00e3o por um bom tempo. Alguns acreditam que o BC ainda tem espa\u00e7o para reduzir a Selic. A equipe econ\u00f4mica considera que os efeitos da queda da Selic ainda n\u00e3o foram transmitidos para economia. Como o ciclo de redu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em julho de 2019, e existe uma defasagem da pol\u00edtica monet\u00e1ria sobre a atividade, as autoridades acreditam que o impacto maior ocorrer\u00e1 a partir de fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio econ\u00f4mico \u00e9, portanto, favor\u00e1vel, principalmente porque o pa\u00eds passou a conviver com uma nova realidade de juros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 boas raz\u00f5es para acreditar que 2020 ser\u00e1 melhor para a economia do que o ano que passou. 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