{"id":5911,"date":"2021-01-27T10:15:57","date_gmt":"2021-01-27T13:15:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=5911"},"modified":"2021-01-27T10:15:57","modified_gmt":"2021-01-27T13:15:57","slug":"cheiro-de-reforma-no-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/cheiro-de-reforma-no-ar\/","title":{"rendered":"Cheiro de reforma no ar"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o importa quem ven\u00e7a, Bolsonaro ter\u00e1 que mudar<\/h2>\n\n\n\n<p>Arthur Lira (PP) ou Baleia Rossi (MDB)? Simone Tebet (MDB) ou Rodrigo Pacheco (DEM)? A disputa para o comando da C\u00e2mara e do Senado entra na semana decisiva, e o envolvimento direto do presidente da Rep\u00fablica nas negocia\u00e7\u00f5es comprova que tudo voltou ao normal na pol\u00edtica brasileira.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A Lava-Jato abalou as estruturas do sistema partid\u00e1rio, e a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro foi anunciada como o fim da \u201cvelha pol\u00edtica\u201d. Apenas dois anos depois, o presidencialismo de coaliz\u00e3o, explicado l\u00e1 atr\u00e1s, em 1988, por S\u00e9rgio Abranches, dita mais uma vez o ritmo de funcionamento da nossa inst\u00e1vel democracia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>N\u00e3o importa quem ven\u00e7a, Bolsonaro ter\u00e1 que mudar<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A partir da pr\u00f3xima segunda-feira a (01\/02) o destino do pa\u00eds estar\u00e1 nas m\u00e3os de filhos de pol\u00edticos tradicionais &#8211; Benedito de Lira, Wagner Rossi e Ramez Tebet. Pacheco, por sua vez, vem de uma fam\u00edlia de propriet\u00e1rios de empresas de \u00f4nibus, um setor tradicionalmente dependente e credor de poderosos. Bras\u00edlia girou, girou, e parou no mesmo lugar.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 estranho que os quatro principais candidatos \u00e0 presid\u00eancia das Casas Legislativas venham de partidos herdeiros dos dois grandes blocos conservadores sob os quais se estruturou nosso sistema pol\u00edtico desde a ditadura militar. Enquanto PP e DEM s\u00e3o filhos leg\u00edtimos da Arena, o MDB de hoje, apesar de ter se despido do \u201cP\u201d, nunca deixou de ser o que restou de mais retr\u00f3grado da legenda original de Ulysses Guimar\u00e3es e Tancredo Neves.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como um p\u00eandulo, todos os presidentes brasileiros desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o tiveram que recorrer aos filhotes da velha Arena ou do velho PMDB para se equilibrar no poder &#8211; embora nem todos tenham conseguido completar a travessia sem cair.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sarney convocou, em diferentes momentos, caciques como Jorge Bornhausen, Hugo Napole\u00e3o e Prisco Viana (egressos da Arena) e Iris Rezende (PMDB) para tentar dar base de sustenta\u00e7\u00e3o ao Plano Cruzado (1986), influenciar a nova Constituinte para obter um quinto ano de mandato (1987\/1988) ou abafar uma CPI e um pedido de impeachment (1989).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a pipocar, no in\u00edcio de 1992, Collor, que se elegeu prometendo que \u201cum novo tempo iria come\u00e7ar\u201d, trouxe para seu governo raposas como C\u00e9lio Borja, Affonso Camargo e Reinhold Stephanes. Tudo em v\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Henrique se elegeu anunciando uma \u201calian\u00e7a program\u00e1tica\u201d do PSDB com o PFL (atual DEM). Por\u00e9m, \u00e0 medida em que as reformas emperravam, ou a sua popularidade afundava com as den\u00fancias de compra de votos para a reelei\u00e7\u00e3o e as crises do Real, teve que ir fazendo concess\u00f5es e abrigar em seu minist\u00e9rio figuras como Renan Calheiros (Ministro da Justi\u00e7a), Eliseu Padilha (Transportes) e Ney Suassuna (Integra\u00e7\u00e3o Nacional).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lula e o PT tamb\u00e9m chegaram ao Planalto garantindo renova\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 ao fim do primeiro ano tiveram que aceitar Eun\u00edcio Oliveira e Alfredo Nascimento. Veio o mensal\u00e3o e embarcaram Saraiva Felipe, H\u00e9lio Costa, M\u00e1rcio Fortes e Silas Rondeau e companhia limitada. No segundo mandato ainda se juntaram Carlos Lupi, Geddel Vieira Lima e Wagner Rossi &#8211; tudo em nome da governabilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dilma j\u00e1 iniciou seu mandato com um amplo minist\u00e9rio que mesclava petistas-raiz com uma ampla base onde cabiam Edison Lob\u00e3o, Garibaldi Alves, Fernando Bezerra, M\u00e1rio Negromonte, Carlos Lupi e Alfredo Nascimento. Quando sua popularidade despencou, teve que nomear Marcelo Crivella, Gilberto Kassab, Helder Barbalho, Armando Monteiro e Henrique Eduardo Alves. Nada disso impediu sua queda no in\u00edcio de 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria brasileira demonstra que crises econ\u00f4micas, aprova\u00e7\u00e3o popular em baixa e dificuldades de sustenta\u00e7\u00e3o no Congresso sempre for\u00e7am o presidente da Rep\u00fablica a ceder \u00e0 \u201cvelha pol\u00edtica\u201d &#8211; representada tanto pelo Centr\u00e3o quanto pelo \u201cpemedebismo\u201d, como diria Marcos Nobre, atual presidente do Cebrap e que por muito tempo ocupou este espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a posse, Bolsonaro mexeu pouco no seu time, na maioria das vezes motivado por intrigas internas (Bebianno, Santos Cruz, Abraham Weintraub e Marcelo \u00c1lvaro Ant\u00f4nio) ou desentendimentos com o ex-capit\u00e3o (Mandetta e Moro). \u00c0 exce\u00e7\u00e3o da nomea\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Faria, at\u00e9 hoje o presidente resistiu a abrir as portas de seu primeiro escal\u00e3o para construir alian\u00e7as partid\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com \u00edndices de rejei\u00e7\u00e3o em alta e os colapsos na sa\u00fade e na economia, Bolsonaro certamente ter\u00e1 que engolir em seco e fazer como todos os seus antecessores para dissipar a tempestade perfeita que se forma no horizonte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando o minist\u00e9rio atual, h\u00e1 postos cativos de militares, evang\u00e9licos, olavistas, agroneg\u00f3cio e da predile\u00e7\u00e3o pessoal do presidente &#8211; al\u00e9m de Paulo Guedes, que anda bastante sumido ultimamente. Numa eventual reforma ministerial, pastas com grande or\u00e7amento em tempos de pandemia e de uma eventual terceira onda do aux\u00edlio-emergencial ser\u00e3o bastante cobi\u00e7adas pelo Centr\u00e3o: Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Cidadania.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente de quem ven\u00e7a as elei\u00e7\u00f5es para as presid\u00eancias da C\u00e2mara e do Senado, Bolsonaro certamente sair\u00e1 perdendo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o importa quem ven\u00e7a, Bolsonaro ter\u00e1 que mudar Arthur Lira (PP) ou Baleia Rossi (MDB)? Simone Tebet (MDB) ou Rodrigo Pacheco (DEM)? 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