{"id":6426,"date":"2022-07-08T08:09:21","date_gmt":"2022-07-08T11:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=6426"},"modified":"2022-07-08T08:09:21","modified_gmt":"2022-07-08T11:09:21","slug":"como-falar-bem-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/como-falar-bem-em-publico\/","title":{"rendered":"Como falar bem em p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A orat\u00f3ria \u00e9 uma habilidade essencial para profissionais venderem o pr\u00f3prio peixe. Mas a ideia de estar no centro das aten\u00e7\u00f5es causa p\u00e2nico a muita gente. Veja algumas dicas de como perder o medo e melhorar suas apresenta\u00e7\u00f5es.<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vocesa.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SA289_oratoria.jpg\" alt=\"-\"\/><figcaption>&nbsp;Felipe del Rio\/VOC\u00ca S\/A<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando o empres\u00e1rio Chris Anderson assumiu o controle do TED, no final de 2001, nem todo mundo foi com a cara dele. Na \u00e9poca, a empresa organizava uma confer\u00eancia anual na Calif\u00f3rnia sobre tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, e uma m\u00e9dia de 800 pessoas compareciam ao evento liderado pelo carism\u00e1tico arquiteto Richard Saul Wurman.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte da comunidade fiel ao TED achava que Chris n\u00e3o conseguiria repetir o sucesso do seu antecessor. Tanto que, mesmo ap\u00f3s meses com a bilheteria aberta, s\u00f3 70 ingressos tinham sido vendidos para o evento do ano seguinte. O empres\u00e1rio tinha uma \u00fanica chance de consertar isso: ele falaria ao p\u00fablico nos \u00faltimos 15 minutos do \u00faltimo dia da confer\u00eancia de 2001, a \u00faltima sob a lideran\u00e7a antiga.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 tinha um problema. Apesar de agora liderar uma empresa de confer\u00eancias, Chris Anderson n\u00e3o falava bem em p\u00fablico. Na verdade, s\u00f3 a ideia de estar em frente a uma plateia o deixava com medo e ansioso.&nbsp; Mas era preciso: o futuro da sua empresa dependia daqueles 15 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>O jeito foi preparar cuidadosamente tudo o que diria antes. Ele tinha um objetivo claro: apelar para a emo\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Como ficava muito nervoso no palco, escolheu permanecer sentado durante a fala. E come\u00e7ou a contar a sua hist\u00f3ria pessoal de como um de seus empreendimentos anteriores havia fracassado, o que o fez acreditar que nada mais daria certo. Explicou tamb\u00e9m como a confer\u00eancia TED foi o que reacendeu a chama da esperan\u00e7a em seu esp\u00edrito empreendedor, ao conhecer tantas ideias inovadoras. Concluiu dizendo que era aquele o sentimento que queria inspirar no p\u00fablico da sua confer\u00eancia dali para frente.&nbsp; Terminou, ent\u00e3o, com um trocadilho envolvendo a&nbsp;palavra \u201cp\u00eanis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a surpresa do orador, foi aplaudido de p\u00e9 pela plateia, incluindo ningu\u00e9m menos que Jeff Bezos, o fundador da Amazon, que assistia a sua fala diretamente da primeira fileira. Passada uma hora da sua apresenta\u00e7\u00e3o, cerca de 200 pessoas j\u00e1 tinham se comprometido a comprar o ingresso da pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa daqueles 15 minutos bem-sucedidos, Chris Anderson \u00e9 CEO do Ted at\u00e9 hoje e, com o tempo, se especializou na arte de falar em p\u00fablico. A empresa cresceu e \u00e9 conhecida pelos seus TED Talks, a famosa s\u00e9rie de palestras e confer\u00eancias sobre temas diversos que se tornou popular justamente pelo formato das suas apresenta\u00e7\u00f5es \u2013 curtas, din\u00e2micas e criativas.<\/p>\n\n\n\n<p>O medo de falar em p\u00fablico que Chris sentiu l\u00e1 no passado n\u00e3o \u00e9 incomum. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 a regra. Tem at\u00e9 nome cient\u00edfico: glossofobia (vem de glosso, do grego \u201cl\u00edngua\u201d). A psicologia explica parte do problema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Falar em p\u00fablico significa estar dispon\u00edvel para o julgamento de outras pessoas, que v\u00e3o analisar \u2013 e reagir \u2013 a sua performance. S\u00f3 o medo de ser reprovado ao vivo j\u00e1 causa ansiedade e medo. Como diz o psic\u00f3logo comportamental Kipling Williams, da Universidade de Purdue (EUA), \u00e9 um clich\u00ea dizer que \u2018os humanos s\u00e3o animais sociais\u2019, mas n\u00e3o deixa de ser verdade. E isso vem com um efeito colateral. \u201cNada amea\u00e7a mais esse aspecto fundamental do nosso ser do que ser exclu\u00eddo e ignorado pelos outros.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo de 2009, por exemplo, analisou o c\u00e9rebro de pessoas enquanto elas reagiam \u00e0s imagens de indiv\u00edduos com express\u00f5es faciais felizes, neutras e furiosas. Quando, antes da an\u00e1lise, os participantes eram avisados que teriam que fazer um discurso p\u00fablico depois do teste, o c\u00e9rebro das pessoas que se consideravam ansiosas reagia muito mais \u00e0s imagens de express\u00f5es furiosas do que as alegres ou neutras. Isso indica que a mente delas j\u00e1 estava antecipando o medo de reprova\u00e7\u00e3o do seu p\u00fablico, mesmo antes da apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lidar com plateias n\u00e3o \u00e9 exclusividade de apresentadores de TEDs. Na vida profissional, voc\u00ea precisa fazer isso o tempo todo. Em uma entrevista de emprego, precisa cativar o entrevistador. Em reuni\u00f5es, o poder de falar bem pode fazer um profissional se destacar. N\u00e3o basta ter ideias boas: \u00e9 preciso apresent\u00e1-las de forma clara e convincente. Tudo isso entra na caixinha dessa skill.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vocesa.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SA289_oratoria3.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"-\" title=\"SA289_oratoria3\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cA orat\u00f3ria \u00e9 o uso do poder da palavra para atingir determinado objetivo\u201d, diz Lu\u00eds Fernando C\u00e2mara, CEO e fundador da Vox2you, rede de escolas de orat\u00f3ria que oferece cursos na \u00e1rea. \u201cPode ser numa palestra, confer\u00eancia, live, um v\u00eddeo para as redes sociais ou at\u00e9 mesmo um \u00e1udio no WhatsApp.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dito assim, pode soar ainda mais assustador. A boa not\u00edcia, por\u00e9m, \u00e9 que assim como Chris Anderson fez, \u00e9 poss\u00edvel superar esse medo e se tornar um profissional na arte de falar bem. Nas pr\u00f3ximas p\u00e1ginas, voc\u00ea ver\u00e1 dicas para melhorar a sua orat\u00f3ria. Elas foram baseadas no livro de Chris, O guia oficial do TED para falar em p\u00fablico, em recomenda\u00e7\u00f5es de outros especialistas e ainda em conhecimentos desvendados&nbsp;pela ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Planeje, planeje, planeje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um dos poucos sortudos que nasceram com o dom do improviso na ponta da l\u00edngua, n\u00e3o h\u00e1 outro jeito: para toda e qualquer apresenta\u00e7\u00e3o importante, vai ser preciso planejar antes. Isso significa pensar literalmente em tudo o que ser\u00e1 dito, em que ordem e como ser\u00e1 dito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, uma dica \u00e9 tentar resumir toda a sua fala em uma ou duas frases. A ideia \u00e9 que seja um resumo para voc\u00ea, n\u00e3o para o p\u00fablico \u2013 voc\u00ea precisa ter, de forma clara, o ponto principal de sua apresenta\u00e7\u00e3o na mente. Escreva tamb\u00e9m cerca de dez palavras-chave da mensagem que quer passar e leia-as repetidamente. Elas guiar\u00e3o o seu processo de planejamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande dilema nesta etapa \u00e9 que voc\u00ea precisa planejar tudo, mas planejar demais pode ser um tiro no p\u00e9. Escrever um discurso e decor\u00e1-lo ou l\u00ea-lo, palavra por palavra, provavelmente soar\u00e1 mec\u00e2nico, rob\u00f3tico e chato. Sem falar que os momentos mais efetivos na comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico s\u00e3o frutos de algo que n\u00e3o estava no planejamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Martin Luther King disse \u201cEu tenho um sonho\u201d, a frase que se tornou s\u00edmbolo da luta por direitos civis nos EUA, ele estava improvisando. Na verdade, King j\u00e1 tinha passado metade do seu tempo recitando um discurso escrito cuidadosamente por assessores. Foi s\u00f3 quando a sua amiga Mahalia Jackson pediu, da plateia, para ele falar \u201cdo sonho\u201d que o orador decidiu improvisar. E deu certo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vocesa.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SA289_oratoria4.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"-\" title=\"SA289_oratoria4\"\/><figcaption>Felipe del Rio\/VOC\u00ca S\/A<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O risco aqui \u00e9 que poucos s\u00e3o t\u00e3o bons comunicadores como King, e poucos discursos improvisados se tornam t\u00e3o ic\u00f4nicos como esse. Deixar as coisas para serem ditas na hora pode ser uma cilada \u2013 n\u00e3o h\u00e1 nada mais constrangedor do que o sil\u00eancio no palco porque o apresentador teve um branco ou, pior, um turbilh\u00e3o de ideias sem sentido e conex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00edda pode ser uma t\u00e9cnica chamada de \u201cimproviso programado\u201d. Funciona assim: voc\u00ea planeja o que vai dizer na maior parte da sua fala, mas deliberadamente perde menos tempo pensando em alguns subt\u00f3picos espec\u00edficos. Nesses pontos do discurso, voc\u00ea sabe sobre o que quer falar, mas n\u00e3o planeja tanto como vai fazer isso \u2013 deixa o espa\u00e7o para a improvisa\u00e7\u00e3o. Desse modo, a fala fica natural e dificilmente a apresenta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 estragada por um momento de sil\u00eancio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na hora de planejar, tamb\u00e9m busque evitar outros constrangimentos: se vai ser preciso falar uma palavra em outro idioma ou um nome dif\u00edcil, por exemplo, pesquise a pron\u00fancia correta no Google e se certifique de que&nbsp;vai lembrar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte hist\u00f3rias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conte\u00fado da sua fala, \u00e9 claro, \u00e9 o mais importante a ser pensado no planejamento. Mas a forma pode ajudar. Embora n\u00e3o seja regra, h\u00e1 um padr\u00e3o, que voc\u00ea pode observar ao assistir palestras famosas por a\u00ed: contar hist\u00f3rias, com enredo, personagens e tudo mais, \u00e9 uma maneira efetiva de manter a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que nem todo tema vai ser facilmente adaptado para uma narra\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 poss\u00edvel sempre procurar exemplos de pessoas reais que se encaixem na mensagem, ou mesmo inventar anedotas fict\u00edcias para ilustrar um conceito. O que importa \u00e9 que seres humanos s\u00e3o atra\u00eddos por hist\u00f3rias porque elas nos mant\u00eam interessados \u2013 queremos saber o que vir\u00e1 a seguir, onde est\u00e1 a reviravolta, qual ser\u00e1 o desfecho daqueles personagens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Manter a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, ali\u00e1s, \u00e9 uma das tarefas que mais deve exigir seu foco. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido falar por a\u00ed que humanos t\u00eam um tempo de aten\u00e7\u00e3o menor do que um peixe de aqu\u00e1rio. \u00c9 verdade: em uma m\u00e9dia de 8 segundos, tendemos a trocar a nossa aten\u00e7\u00e3o por outra coisa (os peixes ficam 9 segundos focados). Numa fala, voc\u00ea vai estar sempre disputando seu interlocutor com outros players, como o celular, outras pessoas presentes ou mesmo com os pensamentos aleat\u00f3rios de seus c\u00e9rebros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A dica mais cl\u00e1ssica aqui \u00e9 come\u00e7ar a sua apresenta\u00e7\u00e3o da maneira mais curiosa poss\u00edvel. Pode ser um dado chocante, o come\u00e7o de uma hist\u00f3ria bizarra, uma pergunta intrigante. \u00c9 importante apostar nos primeiros minutos para fisgar a audi\u00eancia. Mas n\u00e3o ofere\u00e7a todo o seu trunfo logo de cara. V\u00e1 explicando, complementando ou respondendo a sua informa\u00e7\u00e3o inicial ao longo da sua fala. Isso provavelmente vai manter o p\u00fablico curioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo: no famoso TED \u201cEm busca do homem que quebrou meu pesco\u00e7o\u201d, o jornalista Joshua Prager come\u00e7a descrevendo como, um ano antes, ele viajou at\u00e9 Israel para encontrar um homem desconhecido. Ele n\u00e3o tinha nenhuma informa\u00e7\u00e3o sobre o estranho al\u00e9m do seu nome e a certeza de que, d\u00e9cadas antes, aquele homem havia quebrado seu pesco\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou curioso para entender essa hist\u00f3ria? Est\u00e1 a\u00ed o segredo. S\u00e3o 18 minutos de discurso, em que o jornalista intercala a narrativa com reflex\u00f5es sobre a vida e a import\u00e2ncia do perd\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a sua fala, vale apostar tamb\u00e9m em estrat\u00e9gias \u201cgamificadas\u201d: fa\u00e7a perguntas ret\u00f3ricas para reflex\u00e3o ou enigmas para a plateia, que ser\u00e3o respondidos algum tempo depois.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um passo antes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Planejamento feito, hora de praticar. Como o maior problema que temos \u00e9 enfrentar a plateia, \u00e9 importante tentar treinar j\u00e1 sob o crivo de outras pessoas. Chame amigos ou familiares para assistir, ou grave sua apresenta\u00e7\u00e3o para ser avaliada depois, por voc\u00ea mesmo ou pelos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveite para fazer perguntas espec\u00edficas, j\u00e1 que feedbacks desses costumam ser gerais demais. Algum ponto ficou confuso? Fiz muitos movimentos com as m\u00e3os? Pareceu mec\u00e2nico? Repeti muito as palavras? Gaguejei? s\u00e3o algumas das perguntas que voc\u00ea pode fazer a suas cobaias.<\/p>\n\n\n\n<p>Praticar, diga-se, ajuda tamb\u00e9m na outra quest\u00e3o complicada de se falar em p\u00fablico, a ansiedade. Estudos indicam que s\u00f3 o fato de falar mais vezes, seja em ensaios ou pra valer, ajuda a aumentar a confian\u00e7a em si mesmo e a perder o medo de enfrentar a plateia. \u00c9 como dirigir, uma hora voc\u00ea pega a pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vocesa.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/SA289_oratoria5.jpg?quality=70&amp;strip=info\" alt=\"-\" title=\"SA289_oratoria5\"\/><figcaption>Felipe del Rio\/VOC\u00ca S\/A<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por falar em ansiedade, as dicas para combater o medo de falar em p\u00fablico s\u00e3o as mesmas de qualquer atividade: medita\u00e7\u00e3o, atividades relaxantes antes do momento da apresenta\u00e7\u00e3o etc. Mas, aqui, h\u00e1 um ponto espec\u00edfico importante: um pouco de nervosismo na hora de falar pode cair bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas sugerem que plateias tendem a sentir empatia com interlocutores que se mostram vulner\u00e1veis ou ansiosos, desde que o nervosismo n\u00e3o seja exagerado a ponto de atrapalhar a fala. Por isso, se em algum momento se embananar na fala ou errar, a melhor coisa a se fazer \u00e9 n\u00e3o tentar disfar\u00e7ar: admita o trope\u00e7o e leve no bom-humor. O p\u00fablico provavelmente vai sentir empatia e reagir de forma amig\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parte t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte do medo de se falar em p\u00fablico est\u00e1 ligada \u00e0s quest\u00f5es t\u00e9cnicas da orat\u00f3ria. E se minha dic\u00e7\u00e3o for ruim? Ser\u00e1 que minha voz \u00e9 agrad\u00e1vel? Ser\u00e1 que falo muito alto ao microfone? Estou usando muitos v\u00edcios de linguagem?<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de parecerem pontos centrais, vale ressaltar que tendemos a supervalorizar a import\u00e2ncia desses aspectos t\u00e9cnicos na nossa pr\u00f3pria fala. Afinal, a n\u00e3o ser em casos exagerados, dificilmente o p\u00fablico ir\u00e1 julgar esses crit\u00e9rios, j\u00e1 que a ideia \u00e9 parecer uma fala natural \u2013 e esses \u201cdefeitos\u201d acontecem quando estamos conversando normalmente com pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo s\u00e3o os famosos v\u00edcios de linguagem que colocamos entre as frases, como \u201cn\u00e9\u201d, \u201c\u00e9\u00e9\u00e9\u201d, \u201chum\u201d, \u201can\u201d. Em geral, s\u00e3o pintados como vil\u00f5es, mas pesquisas mostram que o p\u00fablico tende a ignorar esse sons sem inc\u00f4modo, j\u00e1 que s\u00e3o comuns nas conversas do dia a dia e nosso c\u00e9rebro simplesmente absorve com naturalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, em n\u00edveis exagerados, eles podem passar a impress\u00e3o de amadorismo. Lu\u00eds Fernando, da Vox2You, recomenda desenvolver o costume de substituir esses sons entre as frases por pausas curtas, de 1 a 2 segundos. S\u00e3o tempos que soam igualmente naturais, ajudam seus m\u00fasculos a ter um descanso para a pr\u00f3xima etapa e tamb\u00e9m ditam o ritmo da narrativa para o p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por falar em ritmo, outra dica importante \u00e9 variar o tom de voz e a velocidade da fala. Um discurso dado sempre no mesmo tom e na mesma rapidez se torna mon\u00f3tono e perde a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. \u00c9 importante variar: ao explicar conceitos mais complexos, vale a pena apostar num tom mais leve e num ritmo mais lento. Ao chegar no cl\u00edmax de sua hist\u00f3ria, \u00e9 preciso dar um g\u00e1s na fala.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 dic\u00e7\u00e3o, a fonoaudiologia tem alguns truques para quem se prepara para momentos importantes. Recitar travas-l\u00ednguas logo antes da apresenta\u00e7\u00e3o pode parecer bobo, mas ajuda a destravar seu maquin\u00e1rio da fala. Fazer caretas tamb\u00e9m \u2013 isso estimula os m\u00fasculos da face, que v\u00e3o ser usados no falat\u00f3rio. Exerc\u00edcios de respira\u00e7\u00e3o, por sua vez, ajudam a manter a calma e tamb\u00e9m a evitar o atropelo das palavras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Linguagem corporal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o que \u00e9 falado que importa. A ci\u00eancia estima que mais de 80% do aprendizado humano vem de est\u00edmulos visuais (os 20% restantes s\u00e3o dos outros est\u00edmulos, incluindo a audi\u00e7\u00e3o). Nessa conta, entra tamb\u00e9m a important\u00edssima linguagem corporal.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante uma fala, gesticular \u00e9 essencial. Ajuda a manter a aten\u00e7\u00e3o do espectador, a controlar o ritmo da apresenta\u00e7\u00e3o (momentos mais emocionantes devem ter mais movimento) e a transmitir naturalidade na fala.<\/p>\n\n\n\n<p>O instrumento mais poderoso quando o assunto \u00e9 linguagem corporal \u00e9, sem d\u00favidas, o olhar. O contato visual \u00e9 o mecanismo mais b\u00e1sico de conex\u00e3o entre pessoas; n\u00e3o confiamos em quem n\u00e3o olhamos nos olhos, e somos programados a tentar desvendar as emo\u00e7\u00f5es dos nossos interlocutores pelo olhar. Por isso, \u00e9 importante distribuir o olhar de forma democr\u00e1tica entre os ouvintes \u2013 nada de manter um olhar num ponto fixo.<\/p>\n\n\n\n<p>A postura tamb\u00e9m importa. Uma pose mais retra\u00edda pode passar a impress\u00e3o de timidez; uma atitude mais despojada e imponente, por sua vez, transmite a ideia de confian\u00e7a. Se poss\u00edvel, se movimentar pelo palco ou local da apresenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ser uma boa para manter a dinamicidade. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nada de errado em sentar-se em cadeiras ou apoiar-se em mob\u00edlias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, o que importa mesmo \u00e9 ficar confort\u00e1vel para conversar com seu p\u00fablico. Afinal, falar \u00e9 uma das atividades humanas mais b\u00e1sicas, que usamos a todo momento. Falar bem \u00e9 quest\u00e3o de pr\u00e1tica e dedica\u00e7\u00e3o. Siga essas dicas e voc\u00ea ver\u00e1 a diferen\u00e7a.\u2002<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>COMO SE PREPARAR<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Planeje\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O segredo de uma boa fala est\u00e1 no planejamento. Resuma sua apresenta\u00e7\u00e3o em um pequeno par\u00e1grafo para si mesmo \u2013 assim, voc\u00ea sempre saber\u00e1 qual mensagem deve passar. A partir da\u00ed, pense em tudo o que vai falar, como aquilo vai ser dito e em que ordem os conte\u00fados aparecer\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2026mas n\u00e3o muito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um discurso decorado soa rob\u00f3tico e chato. Um pouco de improvisa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem-vinda para soar mais natural. Escolha alguns t\u00f3picos da sua fala e n\u00e3o pense muito em como apresent\u00e1-los \u2013 voc\u00ea deve saber o conte\u00fado deles, mas n\u00e3o necessariamente as palavras que usar\u00e1. Deixe as frases sa\u00edrem naturalmente nesses momentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Come\u00e7o, meio e fim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso fisgar a plateia logo no come\u00e7o \u2013 inicie sua fala com um dado chocante ou exemplo curioso. V\u00e1 desenvolvendo a ideia aos poucos, entregando \u00e0 plateia um pouquinho mais de informa\u00e7\u00e3o ao longo da apresenta\u00e7\u00e3o. Isso ajudar\u00e1 a manter a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pratique (com plateia)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tudo pr\u00e1tica. Grave suas pr\u00f3prias apresenta\u00e7\u00f5es em casa e pe\u00e7a para amigos e familiares darem feedback. Se poss\u00edvel, fa\u00e7a os ensaios j\u00e1 com plateia, para se acostumar com o julgamento do p\u00fablico. Isso alivia a ansiedade.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>COMO AGIR<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Relaxe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia D, procure fazer atividades relaxantes, como medita\u00e7\u00e3o ou atividade f\u00edsica. Logo antes, recite trava-l\u00ednguas e fa\u00e7a exerc\u00edcios de respira\u00e7\u00e3o para garantir que a dic\u00e7\u00e3o estar\u00e1 adequada. E lembre-se: um pouco de nervosismo \u00e9 sempre normal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dite o ritmo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma fala no mesmo tom, volume e velocidade se torna chata rapidamente. Varie essas caracter\u00edsticas dependendo do que est\u00e1 falando. Em partes mais complexas, vale a pena apostar na calmaria. No cl\u00edmax ou em momentos de humor, opte por um volume mais alto e pela rapidez.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De olho&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Distribua o olhar democraticamente entre os ouvintes \u2013 mesmo se forem poucos, como no caso de uma reuni\u00e3o. Isso cria uma proximidade entre os interlocutores e ajuda a manter a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gesticule<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A linguagem corporal \u00e9 quase t\u00e3o importante quanto a falada. Use seu corpo a seu favor. Os gestos com os bra\u00e7os podem ajudar a dar a \u00eanfase necess\u00e1ria ao que est\u00e1 sendo dito, enquanto a postura passa o tom de sua mensagem. Se poss\u00edvel, movimente-se um pouco pelo ambiente para quebrar a mesmice.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Material de apoio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os recursos devem ser sempre secund\u00e1rios \u2013 o protagonista \u00e9 voc\u00ea e sua fala. Prefira imagens, gr\u00e1ficos, n\u00fameros ou dados isolados e evite textos longos. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 nada de errado em levar anota\u00e7\u00f5es para si pr\u00f3prio escritas em papel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seja voc\u00ea mesmo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Parece clich\u00ea, mas \u00e9 verdade. Seguir as dicas ajuda, mas n\u00e3o tente montar um personagem \u2013 o p\u00fablico vai notar e a fala soar\u00e1 artificial. Se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 do humor, n\u00e3o force piadinhas. Se preferir ficar sentado, tudo bem. Quanto mais confort\u00e1vel estiver, melhor conseguir\u00e1 passar sua mensagem.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Contribuiu: Patr\u00edcia Maldonado, jornalista e criadora do curso \u201cV\u00eddeos que Convertem\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/vocesa.abril.com.br\/desenvolvimento-pessoal\/como-falar-bem-em-publico\/\">Voc\u00ea SA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A orat\u00f3ria \u00e9 uma habilidade essencial para profissionais venderem o pr\u00f3prio peixe. 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