{"id":7151,"date":"2024-04-17T09:43:07","date_gmt":"2024-04-17T12:43:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=7151"},"modified":"2024-04-17T09:43:07","modified_gmt":"2024-04-17T12:43:07","slug":"mediocridade-volatil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/mediocridade-volatil\/","title":{"rendered":"Mediocridade vol\u00e1til"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o \u00e9 surpreendente que n\u00e3o tenhamos conseguido deflagrar um processo sustentado de crescimento desde o fim da hiperinfla\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 piadas que machucam. Uma delas \u00e9 invocar o t\u00edtulo do livro de Stefan Zweig e ironizar que o Brasil n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o pa\u00eds do futuro como sempre o ser\u00e1. Afinal, o desempenho da economia brasileira nas \u00faltimas d\u00e9cadas tem sido mesmo desapontador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano comemoramos tr\u00eas d\u00e9cadas do Plano Real, que marcou o fim (definitivo, esperamos) da hiperinfla\u00e7\u00e3o. A hiperinfla\u00e7\u00e3o era uma doen\u00e7a grave, cuja cura concentrava todas as aten\u00e7\u00f5es. A esperan\u00e7a era que, quando curada, abriria caminho para uma era de crescimento sustentado e redu\u00e7\u00e3o da nossa enorme desigualdade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como a luta contra a hiperinfla\u00e7\u00e3o foi muito dura &#8211; o Brasil foi o \u00faltimo dos pa\u00edses que viveram hiperinfla\u00e7\u00e3o nos anos 80 e 90 a acabar com esse mal -, quando afinal a conseguimos derrotar, tivemos a impress\u00e3o de que o caminho futuro seria mais f\u00e1cil. Mas n\u00e3o foi bem assim. \u00c9ramos como um time que parecia ter finalmente ascendido da segunda para a primeira divis\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os problemas mal haviam come\u00e7ado. Havia desafios importantes em diversas \u00e1reas que tinham ficado desatendidas quando todas as aten\u00e7\u00f5es se encontravam voltadas ao combate contra o mal maior da hiperinfla\u00e7\u00e3o. Corremos atr\u00e1s e, sem d\u00favida, obtivemos muitos progressos, nos v\u00e1rios governos, da direita \u00e0 esquerda, mas permanece a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o enorme potencial do Brasil identificado por Zweig afinal ainda n\u00e3o foi devidamente aproveitado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1reas fundamentais, como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablica, continuam muito aqu\u00e9m do que se poderia almejar. Ao contr\u00e1rio de muitos pa\u00edses, nosso sistema educacional n\u00e3o funciona como instrumento eficaz para que o jovem pobre possa ascender de vida. No Rio de Janeiro, n\u00e3o bastassem os problemas relativos ao ensino, \u00e9 frequente que aulas nas escolas da periferia sejam paralisadas devido a tiroteios. Isso sem contar crian\u00e7as atingidas por balas perdidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os ganhos de produtividade, que constituem o motor do crescimento econ\u00f4mico, andam a passos de c\u00e1gado, exceto no agroneg\u00f3cio e extra\u00e7\u00e3o mineral. Com pouca inova\u00e7\u00e3o e protegidos da competi\u00e7\u00e3o externa por tarifas injustificadamente elevadas, v\u00e1rios setores produtivos afastam-se cada vez mais da fronteira internacional. Em vez de investir em aumento a produtividade, \u00e9 bem mais lucrativo fazer lobby por subs\u00eddios. N\u00e3o \u00e9 surpreendente que n\u00e3o tenhamos conseguido deflagrar processo sustentado de crescimento desde o fim da hiperinfla\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Apesar de seu potencial, a economia brasileira, em meio a infind\u00e1vel recorr\u00eancia de erros, n\u00e3o consegue deslanchar<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que temos tr\u00eas d\u00e9cadas de infla\u00e7\u00e3o sob controle, em contraste com vizinhos importantes, como Venezuela e Argentina. O feito da conquista da hiperinfla\u00e7\u00e3o, ainda que limitado, \u00e9 fundamental para tentarmos ir al\u00e9m. Infelizmente, ao inv\u00e9s de darmos passos adiante, \u00e9 cada vez maior o risco de retrocesso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o do quadro fiscal, iniciada no final do governo anterior e agravada no atual, vem amea\u00e7ando as bases do controle da infla\u00e7\u00e3o. O abandono do teto de gastos, substitu\u00eddo pelo atual arcabou\u00e7o fiscal, indicava claramente que conter o crescimento insustent\u00e1vel dos gastos p\u00fablicos havia deixado de ser a prioridade. N\u00e3o chegava a ser o \u201cgasto \u00e9 vida\u201d dos governos Dilma, que nos levou \u00e0 longa e penosa recess\u00e3o, mas mudava equivocadamente a \u00eanfase para a expans\u00e3o de gasto como base em aumento da arrecada\u00e7\u00e3o. Mau sinal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo isso durou pouco. Na segunda-feira, vimos que o arcabou\u00e7o fiscal j\u00e1 teve que ser significativamente enfraquecido. Mesmo com as hip\u00f3teses r\u00f3seas adotadas pelo governo, a d\u00edvida p\u00fablica, j\u00e1 muito elevada, seguir\u00e1 crescendo at\u00e9 o meio do pr\u00f3ximo governo. As proje\u00e7\u00f5es de mercado s\u00e3o ainda mais pessimistas. O temor \u00e9 de trajet\u00f3ria insustent\u00e1vel da d\u00edvida p\u00fablica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea econ\u00f4mica, recorrentemente derrotada dentro do governo, tem se desdobrado para tentar dar a apar\u00eancia de que o dano ao arcabou\u00e7o fiscal n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o grande, e de que a d\u00edvida p\u00fablica continuar\u00e1 sob controle. Mas se h\u00e1 algo que o mercado sabe fazer \u00e9 conta. E, as contas n\u00e3o parecem bater. D\u00f3lar e juros j\u00e1 responderam negativamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do BC reiterou que a pol\u00edtica monet\u00e1ria fica muito mais dif\u00edcil com a percep\u00e7\u00e3o de que a \u00e2ncora fiscal deixou de existir. Mais ainda, como o atual presidente do BC (e mais dois diretores) ser\u00e3o substitu\u00eddos no final do ano, cresce o temor de que os nomes indicados pelo governo possam ser de defensores de pol\u00edticas irrespons\u00e1veis de juros baixos a qualquer custo, que j\u00e1 causaram grandes danos aqui e alhures.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O exemplo da Turquia, onde o presidente do pa\u00eds guiava a pol\u00edtica de juros baixos, \u00e9 bem eloquente quanto ao estrago que tais pol\u00edticas equivocadas podem causar. Lula n\u00e3o esconde sua resist\u00eancia \u00e0 autonomia do BC para conduzir a pol\u00edtica monet\u00e1ria. Recentemente, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, permitiu-se classificar como \u201cburra\u201d a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Tudo indica que n\u00e3o s\u00e3o infundados os temores que n\u00e3o s\u00f3 a pol\u00edtica fiscal, mas que tamb\u00e9m a pol\u00edtica monet\u00e1ria, esteja em franca deteriora\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eventos internacionais recentes t\u00eam contribu\u00eddo para agravar o quadro de alta incerteza econ\u00f4mica. O Fed, que n\u00e3o vem obtendo o sucesso pretendido em reduzir a infla\u00e7\u00e3o nos EUA, sinalizou juros elevados por mais tempo. A conflagra\u00e7\u00e3o no Oriente M\u00e9dio eleva riscos para a economia mundial (al\u00e9m do desastre humanit\u00e1rio, \u00e9 claro). Tudo isso afeta negativamente as perspectivas da nossa economia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos, assim, um crescimento med\u00edocre em m\u00e9dio e longo prazos, aqu\u00e9m do desej\u00e1vel e do poss\u00edvel. E tamb\u00e9m vol\u00e1til, por conta n\u00e3o s\u00f3 das incertezas internacionais, mas tamb\u00e9m das vulnerabilidades que criamos sozinhos ao insistir em velhos erros.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/opiniao\/coluna\/mediocridade-volatil.ghtml?utm_source=newsletter&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=edicaododia\">Valor Econ\u00f4mico<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 surpreendente que n\u00e3o tenhamos conseguido deflagrar um processo sustentado de crescimento desde o fim da hiperinfla\u00e7\u00e3o H\u00e1 piadas que machucam. 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