{"id":7205,"date":"2024-07-03T16:46:25","date_gmt":"2024-07-03T19:46:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=7205"},"modified":"2024-07-03T16:46:25","modified_gmt":"2024-07-03T19:46:25","slug":"grupo-de-muito-endividados-cresce-e-e-maior-desde-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/grupo-de-muito-endividados-cresce-e-e-maior-desde-outubro\/","title":{"rendered":"Grupo de \u2018muito endividados\u2019 cresce e \u00e9 maior desde outubro"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Parcela da popula\u00e7\u00e3o que compromete mais de 50% da renda com d\u00edvidas tem ligeira alta e chega a 20,8%, aponta pesquisa<\/h3>\n\n\n\n<p>A parcela dos brasileiros que se consideram muito endividados atingiu em maio o maior n\u00edvel em sete meses. \u00c9 o que mostra recorte da Pesquisa de Endividamento e Inadimpl\u00eancia do Consumidor (Peic) da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC) divulgado ao&nbsp;<strong>Valor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No recorte, a fatia dos muito endividados subiu para 17,8% em maio, ante 17,2% em abril, o que representa o maior patamar desde outubro de 2023 (18,1%). Al\u00e9m disso, ap\u00f3s dois meses sem subir, voltou a avan\u00e7ar parcela que representa os que t\u00eam mais de 50% da renda comprometida com d\u00edvidas, os chamados \u201csuperendividados\u201d &#8211; inclu\u00eddos entre os que se declaram \u201cmuito endividados\u201d na Peic. No recorte, essa fatia avan\u00e7ou de 20,7% para 20,8% entre abril e maio, a maior desde fevereiro (21,1%), segundo a economista Izis Ferreira, respons\u00e1vel pelo estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento da CNC n\u00e3o costuma ter grandes saltos percentuais entre um m\u00eas e outro. \u00c9 uma pesquisa que n\u00e3o tem desvio-padr\u00e3o alto. Por isso, mudan\u00e7as em t\u00f3picos relevantes, como sentimento de endividamento, s\u00e3o acompanhados com aten\u00e7\u00e3o por analistas. Para Ferreira, o cen\u00e1rio reflete maior impulso dos brasileiros, ao longo deste ano, em acessar diferentes tipos de cr\u00e9dito, a juros mais favor\u00e1veis ante os mesmos meses do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/VHCfzBITIJIhQlnNw5HsmirSgkY=\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/W\/x\/Ao531bRYAvZtVK23uVjw\/arte03bra-102-divida-a4.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Especialistas ouvidos pelo&nbsp;<strong>Valor&nbsp;<\/strong>se dividem ao avaliar aumento do n\u00famero de muito endividados como perigoso para indicadores de endividamento e inadimpl\u00eancia nos pr\u00f3ximos meses. Embora o mercado de trabalho continue aquecido, o que favorece a renda e a capacidade de pagamento, h\u00e1 outro fator importante a considerar: os juros. Para o analista, a evolu\u00e7\u00e3o dos muito endividados depender\u00e1 da trajet\u00f3ria da taxa b\u00e1sica de juros. Caso a Selic volte subir em 2025, isso deve estimular o mercado a elevar os juros e, com isso, o custo de cr\u00e9dito. Nesse cen\u00e1rio, o servi\u00e7o da d\u00edvida dos \u201csuperendividados\u201d pode ficar mais caro e dif\u00edcil de pagar, dando impulso ao aumento da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o dos grupos de muito endividados e de superendividados ocorreu em meio a contexto em que a inadimpl\u00eancia, no \u00e2mbito das fam\u00edlias, se mostra relativamente controlada. Na Peic de maio da CNC, a fatia de endividados com d\u00e9bitos em atraso se manteve em 28,6% entre abril e maio, sendo menor que a observada em maio do ano passado (29,1%).<\/p>\n\n\n\n<p>O Banco Central divulgou Relat\u00f3rio de Cr\u00e9dito, em 26 de junho, no qual informou que a inadimpl\u00eancia m\u00e9dia das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito entre as fam\u00edlias foi de 3,7% em maio, est\u00e1vel ante abril.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/gZHEWhr6diCn0ulW_azEcoqbHV8=\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/1\/H\/hUlznkRBq22VuZGAdYxg\/arte03bra-103-divida-a4.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Tanto na \u00f3tica da CNC quanto na do BC o patamar m\u00e9dio de endividamento das fam\u00edlias mostrou leve alta. No \u00e2mbito da CNC, a parcela que se declarara endividada subiu de 78,5% para 78,8% entre abril e maio. Na \u00f3tica do BC, para endividamento das fam\u00edlias, o dado de abril &#8211; o mais recente &#8211; ficou em 47,9%, alta de 0,01 ponto percentual ante m\u00eas anterior. Al\u00e9m disso, no caso do levantamento do BC, a parcela de renda das fam\u00edlias comprometida com d\u00edvidas ficou em 26,6% em abril. Al\u00e9m de superior \u00e0 de mar\u00e7o (26,2%), foi a maior desde outubro do ano passado (27%).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que temos aqui \u00e9 o uso mais frequente de cr\u00e9dito de longo prazo, como consignado e financiamentos imobili\u00e1rio e automotivo, al\u00e9m de outras modalidades de d\u00edvida\u201d, diz Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>A economista da CNC admite que os juros de qualquer tipo de financiamento, de maneira geral, continuam elevados. Mas nota que est\u00e3o mais convidativos do que no primeiro semestre do ano passado. Ela lembra que o BC iniciou trajet\u00f3ria de corte da Selic em agosto do ano passado e que existe defasagem no impacto do corte da taxa em rela\u00e7\u00e3o aos juros praticados no mercado. Com a Selic mais baixa, os bancos e financeiras ofereceram consignado e financiamento imobili\u00e1rios a taxas mais convidativas ao longo de 2024, explica Ferreira &#8211; o que despertou interesse dos tomadores de cr\u00e9dito, j\u00e1 endividados com outras obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o ajudou a elevar endividamento das fam\u00edlias, analisou ela, e impulsionou o sentimento de \u201cmuito endividado\u201d do brasileiro, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs concess\u00f5es de cr\u00e9dito est\u00e3o crescendo mais para pessoa f\u00edsica do que para pessoa jur\u00eddica\u201d, comenta. \u201cAs pessoas n\u00e3o deixaram outras modalidades de d\u00edvida, continuam a ter d\u00edvida em cart\u00e3o de cr\u00e9dito; e pegaram ainda mais cr\u00e9dito, de longo prazo.\u201d A economista n\u00e3o classifica a situa\u00e7\u00e3o como preocupante no momento. Mas frisa que esse perfil de muito endividado deve ser monitorado. \u201cMas poder\u00edamos estar em condi\u00e7\u00f5es melhores? A resposta \u00e9 sim.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Rodolfo Margato, vice-presidente de Pesquisa Econ\u00f4mica da XP Investimentos, concorda. \u201cSe aumenta o endividamento, isso favorece o chamado superendividamento\u201d, frisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Margato tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia das mudan\u00e7as na trajet\u00f3ria dos juros para a evolu\u00e7\u00e3o do endividamento e do superendividamento. \u201cDo ponto de vista de planejamento ou de necessidade de muitas fam\u00edlias que n\u00e3o s\u00e3o poupadoras e, portanto, precisam contrair d\u00edvida, essas mudan\u00e7as [nos juros] num per\u00edodo relativamente curto geralmente causam piora em termos de previsibilidade, de planejamento financeiro, individual ou familiar\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista da XP tamb\u00e9m cita os dados do BC sobre endividamento das fam\u00edlias como mais uma raz\u00e3o para se acompanhar com cuidado a evolu\u00e7\u00e3o dos chamados superendividados nos pr\u00f3ximos meses. Para ele, mesmo com melhora ante iguais per\u00edodos no passado, as fam\u00edlias ainda contam com n\u00edvel elevado de endividamento. \u201cE o custo dessa d\u00edvida tende a ser mais alto do que a gente imaginava h\u00e1 alguns meses, por causa da interrup\u00e7\u00e3o do ciclo\u201d, reitera, referindo-se \u00e0 recente parada do BC no corte da Selic.O cen\u00e1rio pode azedar se os juros ficarem altos ou voltarem a subir\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto mencionado por Margato \u00e9 o fato de que a percep\u00e7\u00e3o de risco do mercado tamb\u00e9m afeta a oferta e o patamar de juros de empr\u00e9stimos \u00e0s fam\u00edlias. Recentemente, houve bastante ru\u00eddo na comunica\u00e7\u00e3o entre mercado, governo e BC sobre os juros. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ciclo da taxa Selic que ajuda a elevar custo de cr\u00e9dito, argumenta. \u201c\u00c9 tamb\u00e9m a percep\u00e7\u00e3o de risco, maior ou menor, que \u00e9 embutida nas taxas de juros dos ofertantes do mercado de cr\u00e9dito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser questionado se o cen\u00e1rio poderia conduzir \u00e0 piora na inadimpl\u00eancia no m\u00e9dio e longo prazos, Margato \u00e9 cauteloso. Lembra que o mercado de trabalho, com boa oferta de emprego e aumento em renda &#8211; e, com isso, maior folga no or\u00e7amento -, oferece um bom esteio para capacidade de pagamento das fam\u00edlias. Para ele, o mais prov\u00e1vel \u00e9 a acomoda\u00e7\u00e3o de indicadores de cr\u00e9dito, como concess\u00f5es e inadimpl\u00eancia, do que deteriora\u00e7\u00e3o aguda ou continuidade de melhora observada entre o terceiro trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele admite que o panorama atual favorece o aumento da parcela de muito endividados e superendividados nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Raquel Borges de S\u00e1, chefe de economia e head de conte\u00fado na Rico, tamb\u00e9m prev\u00ea \u201cfreada\u201d, em alguns meses, na melhora dos n\u00edveis de endividamento. \u201c\u00c9 um cen\u00e1rio de bastante cautela\u201d, afirma. Ela pondera que, al\u00e9m da situa\u00e7\u00e3o dos juros, outro aspecto importante para entender o desenrolar do superendividamento no pa\u00eds \u00e9 a pouca educa\u00e7\u00e3o financeira do brasileiro. S\u00e1 observa que n\u00e3o \u00e9 incomum um endividado tomar empr\u00e9stimo sem perceber o custo da d\u00edvida no longo prazo. Isso porque h\u00e1 pouco conhecimento sobre o impacto de juros no servi\u00e7o de d\u00edvida. Ela acrescenta que o BC tem montado iniciativas para se elevar a educa\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Beto Saadia, diretor de investimentos da Nomos, acrescenta que, al\u00e9m de estrat\u00e9gias de educa\u00e7\u00e3o financeira pelo BC, o governo tem estado atento \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do endividamento e do superendividamento. A Uni\u00e3o tem montado estrat\u00e9gias de negocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, como o programa Desenrola; e tamb\u00e9m decis\u00f5es via Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), lembra, de como o juro acumulado no cart\u00e3o de cr\u00e9dito n\u00e3o pode exceder o valor do principal da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>O cart\u00e3o de cr\u00e9dito, ali\u00e1s, \u00e9 outro grande fator para o avan\u00e7o do total de muito endividados, concorda Saadia. Na Peic de maio, da CNC, foi lembrado por 86,9% dos endividados como modalidade de cr\u00e9dito mais usada. \u201cImpressiona os n\u00fameros, quando se compara a utiliza\u00e7\u00e3o do cart\u00e3o de cr\u00e9dito do brasileiro com outros pa\u00edses, o brasileiro chega a dedicar quase 40% do consumo dele no cart\u00e3o de cr\u00e9dito\u201d, nota.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para Saadia, endividamento e inadimpl\u00eancia n\u00e3o devem disparar e isso se deve a uma mudan\u00e7a no mercado de cr\u00e9dito no pa\u00eds. Os bancos est\u00e3o, neste ano, mais restritivos na oferta de cr\u00e9dito do que no passado e direcionando as linhas para tomadores com menos risco de inadimpl\u00eancia. \u201cOs bancos est\u00e3o cada vez mais inteligentes na libera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, tamb\u00e9m n\u00e3o acredita em perigo para a inadimpl\u00eancia no futuro. Mas concorda que a evolu\u00e7\u00e3o desse quadro depender\u00e1 da trajet\u00f3ria da Selic. \u201cA inadimpl\u00eancia n\u00e3o deve ter grandes mexidas, at\u00e9 porque o Desenrola colaborou para uma boa renegocia\u00e7\u00e3o. E ampla tamb\u00e9m. Mas claro que o cen\u00e1rio pode azedar se os juros ficarem altos ou voltarem a subir, o que n\u00e3o se deve descartar, ainda que eu n\u00e3o acredite.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2024\/07\/03\/grupo-de-muito-endividados-cresce-e-e-maior-desde-outubro.ghtml?utm_source=newsletter&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=edicaododia\">Valor Econ\u00f4mico<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parcela da popula\u00e7\u00e3o que compromete mais de 50% da renda com d\u00edvidas tem ligeira alta e chega a 20,8%, aponta pesquisa A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7207,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"iawp_total_views":14,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-7205","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-campal"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7205\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}