{"id":7222,"date":"2024-07-03T17:22:11","date_gmt":"2024-07-03T20:22:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=7222"},"modified":"2024-07-03T17:22:11","modified_gmt":"2024-07-03T20:22:11","slug":"robos-produtividade-e-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/robos-produtividade-e-renda\/","title":{"rendered":"Rob\u00f4s, produtividade e renda"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pa\u00eds est\u00e1 ficando cada vez mais para tr\u00e1s em termos de novas tecnologias e atraso relativo deve aumentar com prolifera\u00e7\u00e3o de avan\u00e7os como a IA<\/h3>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo per\u00edodo de aumento cont\u00ednuo da produtividade na economia brasileira ocorreu na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo. Agora, ser\u00e1 necess\u00e1rio um novo per\u00edodo de crescimento para levar a nova classe m\u00e9dia, forjada neste per\u00edodo, para outro patamar de renda e emprego. Para isso, \u00e9 inevit\u00e1vel aumentarmos novamente a produtividade de maneira sustent\u00e1vel. Como podemos aumentar o dinamismo da economia brasileira?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antes um pouco de hist\u00f3ria. At\u00e9 o final dos anos 1980, o Brasil era um pa\u00eds muito atrasado em termos sociais, com altos n\u00edveis de mis\u00e9ria, pobreza e desigualdade. Desde ent\u00e3o, a sociedade brasileira fez um grande progresso em termos sociais, reduzindo a pobreza, criando o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e as aposentadorias para os brasileiros mais velhos. A mortalidade infantil, por exemplo, se reduziu de 70 \u00f3bitos para cada mil crian\u00e7as em 1980 para 14 por mil atualmente, em grande parte devido a melhorias no sistema de sa\u00fade, com aumento de exames pr\u00e9-natais e universaliza\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para superarmos este atraso hist\u00f3rico, foi necess\u00e1rio um grande aumento de gastos. Afinal, criar um sistema de sa\u00fade gratuito para todos, atendendo pessoas que nunca tinham tido qualquer acompanhamento, criar programas de transfer\u00eancias de renda, e universalizar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o fundamental foi bastante caro. E para financiar estes gastos, foi necess\u00e1rio aumentar a carga tribut\u00e1ria, que passou de 24% do PIB em 1990 para 33% em 2007, j\u00e1 que n\u00e3o houve crescimento de produtividade no per\u00edodo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este aumento de impostos foi plenamente justificado, pois era inadmiss\u00edvel vivermos numa sociedade com tanta pobreza. Falta ainda aumentar os impostos sobre os dividendos e a al\u00edquota m\u00e1xima do imposto de renda. Al\u00e9m disto, as ren\u00fancias tribut\u00e1rias s\u00e3o enormes, incluindo a baixa tributa\u00e7\u00e3o dos profissionais liberais que vivem do Simples e que dificultam sobremaneira o equil\u00edbrio fiscal. Mas os obst\u00e1culos pol\u00edticos para avan\u00e7ar nestas \u00e1reas \u00e9 enorme.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio dos anos 2000 foi o per\u00edodo de maior crescimento de produtividade em tempos recentes. Neste per\u00edodo, aumentos reais no valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo foram importantes para distribuir melhor a renda gerada por este crescimento, depois de um longo per\u00edodo de queda no seu valor real. O crescimento da renda, acoplado aos aumentos do sal\u00e1rio m\u00ednimo, forjaram a \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d, que teve seus rendimentos dobrados no per\u00edodo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim chegamos aos dias de hoje, em que 150 milh\u00f5es de brasileiros dependem de alguma forma do sal\u00e1rio m\u00ednimo ou do Bolsa Fam\u00edlia. Para progredirmos daqui em diante, precisamos agir em duas frentes. A primeira delas \u00e9 cuidar dos 20% dos brasileiros que ainda est\u00e3o na pobreza, incluindo os 5% extremamente pobres. Para isso, temos que aperfei\u00e7oar as pol\u00edticas p\u00fablicas ligadas \u00e0 assist\u00eancia social. A segunda, ser\u00e1 implementar pol\u00edticas que levem ao crescimento sustentado de produtividade, para aumentar novamente a renda da nova classe m\u00e9dia, para que ela consiga aumentar seu padr\u00e3o de vida independentemente do sal\u00e1rio m\u00ednimo e das transfer\u00eancias de renda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O grande obst\u00e1culo para isso acontecer \u00e9 a falta de dinamismo da economia brasileira. A figura, por exemplo, mostra dados de utiliza\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s industriais em alguns pa\u00edses, oriundos da International Federation for Robotics (IFR). Os rob\u00f4s industriais s\u00e3o aqueles controlados automaticamente, multiuso e reprogram\u00e1veis, que s\u00e3o usados em aplica\u00e7\u00f5es de automa\u00e7\u00e3o em um ambiente industrial. Atualmente, esses rob\u00f4s s\u00e3o essenciais em uma ampla gama de aplica\u00e7\u00f5es industriais, como usinagem, soldagem, montagem, embalagem de produtos e outras atividades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor.glbimg.com\/dN27XyO5ajEUXOtQwocCDQllk8A=\/0x0:757x494\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93\/internal_photos\/bs\/2024\/F\/X\/XnJVUjTVuxwFdGwsQtBg\/28opin-100-col-op2-a17-img01.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A figura mostra que o Brasil est\u00e1 ficando cada vez mais para tr\u00e1s dos demais pa\u00edses em termos de utiliza\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s. Na Coreia do Sul, por exemplo, seu uso na ind\u00fastria passou de 16 rob\u00f4s por mil trabalhadores em 2010 para 52 em 2023. Brasil e China estavam num patamar parecido de utiliza\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s em 2010, mas, enquanto a China atualmente usa 6 rob\u00f4s para cada mil trabalhadores industriais, o Brasil usa menos de 1. O n\u00famero total de rob\u00f4s dobrou na China nos \u00faltimos 3 anos, passando de 760 mil para um 1,5 milh\u00e3o. Nos Estados Unidos, o uso de rob\u00f4s tamb\u00e9m cresceu nos \u00faltimos 20 anos, mas a uma taxa menor do que na China e na Coreia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como ser\u00e1 que o Brasil poder\u00e1 ter um per\u00edodo de crescimento sustentado de produtividade, sem depender unicamente da agricultura, passando a exportar cada vez mais produtos industriais, se estamos ficando cada vez mais atrasados em termos de novas tecnologias, patentes e uso de rob\u00f4s? Al\u00e9m disso, nosso atraso relativo s\u00f3 dever\u00e1 aumentar com a prolifera\u00e7\u00e3o das novas tecnologias de intelig\u00eancia artificial e aprendizado de m\u00e1quina. Os diversos programas de incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, como os voltados \u00e0 ind\u00fastria automobil\u00edstica por exemplo, que vigoram h\u00e1 d\u00e9cadas, tiveram muito pouco impacto na inova\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um primeiro passo na dire\u00e7\u00e3o de maior inova\u00e7\u00e3o e produtividade seria ampliar a abertura comercial da economia brasileira, reduzindo as tarifas de importa\u00e7\u00e3o para aumentar a competi\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, permitir que as firmas mais inovadoras consigam comprar insumos internacionais a pre\u00e7os mais baixos, inserindo-as nas cadeias globais de valor. V\u00e1rios estudos mostram que a abertura comercial tem impactos positivos na produtividade e na inova\u00e7\u00e3o por meio destes mecanismos. No entanto, a nossa economia pol\u00edtica impede avan\u00e7os nesta dire\u00e7\u00e3o. Assim, vamos ter que nos conformar com longos per\u00edodos de baixo crescimento econ\u00f4mico, que v\u00e3o depender em grande parte do nosso desempenho agr\u00edcola.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Naercio Menezes Filho \u00e9 professor titular da C\u00e1tedra Ruth Cardoso no Insper, professor associado da FEA-USP e membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias. Escreve mensalmente \u00e0s sextas-feiras. (email: naercioamf@insper.edu.br)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/opiniao\/coluna\/robos-produtividade-e-renda.ghtml?utm_source=newsletter&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=edicaododia\">Valor Econ\u00f4mico<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pa\u00eds est\u00e1 ficando cada vez mais para tr\u00e1s em termos de novas tecnologias e atraso relativo deve aumentar com prolifera\u00e7\u00e3o de avan\u00e7os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7224,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"iawp_total_views":0,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-7222","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-campal"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7222\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}