{"id":7817,"date":"2014-02-04T16:51:53","date_gmt":"2014-02-04T16:51:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=1478"},"modified":"2014-02-04T16:51:53","modified_gmt":"2014-02-04T16:51:53","slug":"caem-os-mitos-sobre-a-relacao-dos-jovens-com-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/caem-os-mitos-sobre-a-relacao-dos-jovens-com-o-trabalho\/","title":{"rendered":"Caem os mitos sobre a rela\u00e7\u00e3o dos jovens com o trabalho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" alt=\"Jovens em busca de emprego\" src=\"http:\/\/exame3.abrilm.com.br\/assets\/images\/2012\/4\/55369\/size_590_jovens-em-busca-de-emprego-em-oregon.jpg?1335555384\" width=\"413\" height=\"310\" \/>&#8220;Eu sou pregui\u00e7oso (&#8230;). At\u00e9 o\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/livros\">livro<\/a><\/strong>\u00a0de hist\u00f3ria mais chato\u00a0me d\u00e1 maior sensa\u00e7\u00e3o de liberdade\u00a0do que estar aprisionado\u00a0em um escrit\u00f3rio. Quero\u00a0meu tempo \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o.\u00a0Acho que sou mimado,\u00a0como diz o meu tio. Minha gera\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 not\u00f3ria por querer fazer\u00a0tudo do jeito mais f\u00e1cil.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse trecho foi escrito pelo estudante\u00a0americano Richard Lorber, de 20 anos,e publicado na revista Life. Richard\u00a0descreve a si mesmo, mas as caracter\u00edsticas\u00a0parecem condizentes com o\u00a0estere\u00f3tipo de qualquer\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/jovens\">jovem<\/a><\/strong>\u00a0de hoje:\u00a0individualista, questionador, pregui\u00e7oso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que ele tinha 20 anos em 1968,\u00a0quando a mat\u00e9ria foi publicada. &#8220;As\u00a0pessoas esqueceram que algumas caracter\u00edsticas\u00a0apontadas como exclusivas\u00a0da nova gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o, na verdade,\u00a0comuns entre os jovens de qualquer\u00a0\u00e9poca&#8221;, diz Alexandre Santille, co-presidente\u00a0da Affero Lab, consultoria\u00a0de educa\u00e7\u00e3o corporativa. \u00a0&#8220;Isso acaba\u00a0refor\u00e7ando estere\u00f3tipos que prejudicam\u00a0o jovem que est\u00e1 entrando no\u00a0mercado de trabalho&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, os n\u00fameros mostram que\u00a0muitos tra\u00e7os atribu\u00eddos aos profssionais\u00a0em in\u00edcio de carreira n\u00e3o\u00a0conferem com a realidade. Foi o que\u00a0concluiu o estudo &#8220;A rotatividade dos\u00a0jovens no mercado de trabalho formal\u00a0brasileiro&#8221;, do Instituto de Pesquisa\u00a0Econ\u00f4mica Aplicada (<strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/ipea\">Ipea<\/a><\/strong>),publicado em outubro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Diferentemente\u00a0do que se imaginava, \u00e9 mais\u00a0f\u00e1cil para o jovem arrumar emprego:\u00a0nove em cada dez que procuram trabalho\u00a0encontram&#8221;, diz o t\u00e9cnico de \u00a0planejamento do Ipea Carlos Henrique\u00a0Corseuil, um dos coordenadores\u00a0da pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, o que\u00a0explica o maior desemprego nessa\u00a0faixa et\u00e1ria \u2014 14,1%, ante uma m\u00e9dia\u00a0de 5,2% entre o resto da popula\u00e7\u00e3o\u00a0\u2014 \u00e9 que o jovem sai do emprego\u00a0mais r\u00e1pido. &#8220;Em um ano, sete em\u00a0cada dez jovens saem do emprego.\u00a0Entre os mais velhos a taxa \u00e9 de\u00a041,3%. Isso ocorre porque o jovem\u00a0costuma trabalhar em \u00e1reas de maior\u00a0rotatividade, como com\u00e9rcio e servi\u00e7os&#8221;,\u00a0esclarece Carlos Henrique.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o do desligamento dos jovens\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 diferente da percep\u00e7\u00e3o\u00a0geral. A iniciativa do fim do\u00a0contrato parte, em quase metade\u00a0dos casos, dos empregadores. S\u00f3\u00a028% dos profissionais em in\u00edcio de\u00a0carreira pedem demiss\u00e3o. &#8220;\u00c9 mentira,\u00a0portanto, que a alta rotatividade\u00a0nos empregos seja culpa s\u00f3 da\u00a0nova gera\u00e7\u00e3o, que, insatisfeita e\u00a0impaciente, pula de empresa em\u00a0empresa&#8221;, diz o t\u00e9cnico do Ipea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra pesquisa, publicada em novembro\u00a0pela consultoria de recrutamento\u00a0Talenses, mostrou que os\u00a0profissionais nascidos de 1979 a\u00a01990 \u2014 a gera\u00e7\u00e3o Y \u2014 s\u00e3o os que\u00a0mais valorizam a estabilidade na\u00a0hora de procurar um emprego. Outro\u00a0estudo, da Affero Lab, mostra\u00a0que apenas 35% dos gestores acreditam\u00a0que o jovem queira construir\u00a0uma carreira s\u00f3lida e de forma gradual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, isso \u00e9 o que 56%\u00a0da turma mais nova deseja. &#8220;H\u00e1\u00a0uma disparidade enorme entre o\u00a0que eles querem e o que os mais\u00a0velhos acham que eles querem&#8221;, diz\u00a0Alexandre Santille.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Expectativas e frustra\u00e7\u00f5es<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta de entendimento sobre os\u00a0reais anseios das gera\u00e7\u00f5es\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/geracao-y\">Y<\/a><\/strong>\u00a0e Z\u00a0(nascidos a partir de 1991) pode estar\u00a0por tr\u00e1s da grande rotatividade\u00a0dos trabalhadores jovens. &#8220;As empresas\u00a0precisam atrair os jovens\u00a0porque eles s\u00e3o a m\u00e3o de obra do\u00a0futuro. Para conseguir essa aten\u00e7\u00e3o,\u00a0muitas se vendem como algo que n\u00e3o\u00a0s\u00e3o&#8221;, diz Eline Kullock, presidente\u00a0do grupo Foco, de consultoria em\u00a0EH.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Est\u00e1 cheio de organiza\u00e7\u00f5es com\u00a0processos super-r\u00edgidos que tentam\u00a0se passar por descoladas. o certo\u00a0seria tornar o valor da experi\u00eancia\u00a0e do conhecimento dessa empresa\u00a0vis\u00edvel aos olhos do jovem&#8221;, explica\u00a0Zuza Tupinamb\u00e1, cientista social e\u00a0s\u00f3cio do instituto de pesquisa de\u00a0consumo <em>BR Insights<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando isso n\u00e3o acontece, o jovem\u00a0se decepciona ao descobrir que o\u00a0universo que lhe prometeram n\u00e3o\u00a0existe, e seu desempenho pode diminuir.\u00a0Por sua vez, a companhia que\u00a0o contratou prometendo um modelo\u00a0inovador, mas na realidade o avalia\u00a0do modo convencional, tamb\u00e9m se\u00a0frustra com os resultados entregues\u00a0e acaba por demiti-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A gera\u00e7\u00e3o Y\u00a0foi pintada como aquela que vai salvar\u00a0a p\u00e1tria. Toda empresa quer descobrir\u00a0o pr\u00f3ximo\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/mark-zuckerberg\">Mark Zuckerberg<\/a><\/strong>\u00a0(criador do\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/facebook\">Facebook<\/a><\/strong>) e, quando\u00a0percebe que isso n\u00e3o vai acontecer,\u00a0acaba decepcionada&#8221;, afirma Val\u00e9ria\u00a0Brandini, do instituto Br Insights.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corrigir essas percep\u00e7\u00f5es equivocadas\u00a0\u00e9 crucial para as empresas que\u00a0querem atrair, reter e extrair dos\u00a0jovens os melhores resultados. A\u00a0consultoria\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/pwc\">PricewaterhouseCoopers<\/a><\/strong>\u00a0estima que, em 2016, 80% da for\u00e7a\u00a0de trabalho pertencer\u00e1 \u00e0s gera\u00e7\u00f5es\u00a0nascidas a partir de 1980. Por isso\u00a0mesmo, 77% dos presidentes planejam\u00a0revisar suas estrat\u00e9gias para\u00a0reter esses talentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas n\u00e3o adianta\u00a0colocar uma mesa de sinuca, espalhar\u00a0uns pufes e achar que, com\u00a0isso, vai ser uma nova empresa&#8221;, diz\u00a0Eline Kullock, do grupo Foco.\u00a0No Brasil, j\u00e1 existem bons exemplos\u00a0para ser seguidos. A Embraer,\u00a0vencedora da edi\u00e7\u00e3o 2013 do Guia\u00a0das Melhores Empresas para Voc\u00ea\u00a0Come\u00e7ar a Carreira, de VOC\u00ca S\/A,\u00a0mostrou que, para reter os jovens,\u00a0n\u00e3o \u00e9 preciso transformar a empresa\u00a0num parque de divers\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na\u00a0companhia, onde o <em>turnover<\/em> dessa\u00a0faixa \u00e9 de apenas 4,87% \u2014 ante uma\u00a0m\u00e9dia de 30,6% nas demais empresas\u00a0do guia \u2014, o grande destaque \u00e9\u00a0o investimento em qualifica\u00e7\u00e3o e\u00a0desenvolvimento, como projetos de\u00a0extens\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o. &#8220;No ano\u00a0passado, foram 9 milh\u00f5es de reais\u00a0investidos em treinamento&#8221;, explica\u00a0Danilca Galdini, s\u00f3cia-diretora da\u00a0Nextview, empresa correspons\u00e1vel\u00a0pela pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, na pesquisa\u00a0feita para o Guia, aprender cada vez\u00a0mais e ter oportunidades de se desenvolver\u00a0s\u00e3o os principais fatores\u00a0apontados pelos jovens para permanecer\u00a0em uma organiza\u00e7\u00e3o.\u00a0Na Man Latin America, a qualidade\u00a0de vida \u00e9 um dos pontos mais\u00a0elogiados pelos jovens funcion\u00e1rios\u00a0entrevistados pelo Guia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2009,\u00a0a montadora aboliu as m\u00e1quinas de\u00a0ponto: quem precisa sair mais cedo,\u00a0chegar mais tarde ou faltar ao trabalho\u00a0negocia direto com o gestor.\u00a0Parece simples, mas a pr\u00e1tica toca\u00a0num ponto-chave para os jovens\u00a0profissionais: 75% dos membros da\u00a0gera\u00e7\u00e3o Z se dizem atra\u00eddos por empresas\u00a0que oferecem hor\u00e1rio flex\u00edvel,\u00a0ante 45% da gera\u00e7\u00e3o X, segundo a\u00a0pesquisa da Talenses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais uma\u00a0prova da import\u00e2ncia de entender\u00a0como cada gera\u00e7\u00e3o pensa na hora\u00a0de definir as pol\u00edticas eficientes de\u00a0atra\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Mitos e\u00a0 verdades sobre\u00a0 o trabalho\u00a0 jovem<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mito<\/strong>: Para eles \u00e9 mais\u00a0 dif\u00edcil ingressar\u00a0 no mercado de\u00a0 trabalho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para cada dez\u00a0 jovens que procuram\u00a0 emprego, nove s\u00e3o\u00a0 contratados ao longo\u00a0 do ano. Entre os\u00a0 adultos, o \u00edndice fica\u00a0 em menos da metade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Verdade<\/strong>: A rotatividade \u00e9 maior entre\u00a0os jovens<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">72,4% dos jovens\u00a0saem de seus postos\u00a0de trabalho ao longo\u00a0do ano. Entre os\u00a0trabalhadores mais\u00a0velhos, apenas 41,3%\u00a0pedem\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/topicos\/demissoes\">demiss\u00e3o<\/a><\/strong>\u00a0ou\u00a0s\u00e3o desligados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mito<\/strong>:\u00a0Os jovens roubam as vagas\u00a0dos trabalhadores mais velhos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A taxa de substitui\u00e7\u00e3o de trabalhadores\u00a0mais velhos por trabalhadores jovens\u00a0n\u00e3o ultrapassa os 5%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mito<\/strong>: Os contratos dos jovens s\u00e3o mais prec\u00e1rios<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A propor\u00e7\u00e3o de contratos\u00a0tempor\u00e1rios \u00e9 semelhante\u00a0entre os trabalhadores\u00a0jovens e adultos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mito<\/strong>:\u00a0Os jovens saem do trabalho\u00a0porque pedem demiss\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto entre os profissionais jovens\u00a0quanto entre os mais velhos, a maior\u00a0parte dos desligamentos acontece por\u00a0iniciativa da empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte: Boletim Mercado de Trabalho n\u00ba 55, do\u00a0 Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Eu sou pregui\u00e7oso (&#8230;). 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