{"id":7841,"date":"2014-06-25T15:47:27","date_gmt":"2014-06-25T18:47:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=1745"},"modified":"2014-06-25T15:47:27","modified_gmt":"2014-06-25T18:47:27","slug":"zona-de-desconforto-as-10-licoes-que-o-estrangeirismo-me-ensinou-see-more-at-httpwww-hbrbr-com-brpost-de-blogzona-de-desconforto-10-licoes-que-o-estrangeirismo-me-ensinousthash-jifjl0xg-dpuf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/zona-de-desconforto-as-10-licoes-que-o-estrangeirismo-me-ensinou-see-more-at-httpwww-hbrbr-com-brpost-de-blogzona-de-desconforto-10-licoes-que-o-estrangeirismo-me-ensinousthash-jifjl0xg-dpuf\/","title":{"rendered":"Zona de DESCONFORTO: as 10 li\u00e7\u00f5es que o estrangeirismo me ensinou"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Foram 73.680 horas, 3.070 dias, ou 8 anos e 5 meses. Foram n\u00e3o, ainda s\u00e3o, porque todavia n\u00e3o tenho endere\u00e7o fixo no Brasil e continuo na estrada. Bem, mas ser\u00e3o, porque a passagem de volta j\u00e1 est\u00e1 marcada e contratos de trabalho j\u00e1 foram assinados em territ\u00f3rio tupiniquim. Enfim, quase 9 anos de estrangeirismo est\u00e3o chegando ao fim, e como o fim de qualquer ciclo vale parar, refletir e reconhecer o que aprendi de mais importante nesse per\u00edodo t\u00e3o especial e transformador da minha vida. Cabe tamb\u00e9m se (re)emocionar \u2013 rir e, por que n\u00e3o, chorar \u2013 com as passagens mais marcantes dessa viagem longa, linda, saborosa, mas tamb\u00e9m por vezes fria, solit\u00e1ria e confusa, que hoje define quem sou eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.hbrbr.com.br\/sites\/default\/files\/imgs_blog\/img_9032.jpg\" width=\"600\" height=\"401\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00ed do Brasil pela primeira vez em 2003. O destino era <em>Potsdam<\/em>, na Alemanha, e a justificativa, um est\u00e1gio acad\u00eamico num instituto de pesquisa de ponta. Foi a recompensa pelo interc\u00e2mbio de<em>\u00a0high school<\/em>, aqueles que a gurizada faz durante o segundo grau, que tanto queria realizar cinco anos antes mas que n\u00e3o teve a aprova\u00e7\u00e3o dos meus pais. A explica\u00e7\u00e3o racional era uma experi\u00eancia profissional que pudesse enriquecer meu curr\u00edculo, a emocional, e mais aut\u00eantica, era a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho de viver e viajar pelo mundo, mesmo que fosse por apenas 3 meses. Foi o primeiro grande passo nessa jornada que culminou com dois anos de estudos, e muito aprendizado, num outro lugar grande demais pra caber nos sonhos do moleque de 20 anos que embarcou medroso e com l\u00e1grimas nos olhos naquele v\u00f4o para a Alemanha: o mestrado em\u00a0business\u00a0na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.hbs.edu\/\">Harvard Business School<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre chegar em Potsdam em 2003 e receber o canudo de\u00a0Harvard\u00a0em 2013 passaram-se uma s\u00e9rie de eventos e experi\u00eancias que me fazem sentir tanto orgulhoso quanto sortudo. Orgulhoso por reconhecer que foi fruto de suor \u2013 f\u00edsico e mental \u2013 e muito otimismo; sortudo por tamb\u00e9m reconhecer que muito do que me aconteceu n\u00e3o estava sob meu controle, e que sem o apoio de pessoas e institui\u00e7\u00f5es que guardo na mem\u00f3ria e no cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teria acontecido. Bom, corro o risco de transformar este texto numa autobiografia narcisista e detalhada, ent\u00e3o <em>pera\u00ed<\/em>, a ideia aqui \u00e9 compartilhar o que experienciei e as li\u00e7\u00f5es ali aprendidas, imaginando que esse aprendizado possa ser traduzido em ideias de aplica\u00e7\u00e3o quase universal. Ideias que podem lembrar voc\u00ea, leitor, e eu mesmo, das riquezas, belezas e potencial que libertamos quando gastamos energia, tomamos coragem, respiramos fundo e sa\u00edmos da nossa zona de conforto. Ideias que tamb\u00e9m me lembram o qu\u00e3o acess\u00edvel, inspirador e infinitamente criativo \u00e9 o mundo. E a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. Pare de se enrolar e v\u00e1 logo!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O universo e, principalmente, voc\u00ea, far\u00e3o que tudo d\u00ea certo uma vez que a decis\u00e3o de partir tenha sido tomada e voc\u00ea se veja independente e sem amarras para fazer acontecer. Parafraseando o navegador brasileiro Amyr Klink, \u201cpior que n\u00e3o terminar uma viagem \u00e9 nunca partir\u201d. Faz sentido, mas como \u00e9 dif\u00edcil dar o primeiro passo. Pessoalmente, o momento mais dif\u00edcil, aquele que me faz tremer nas bases e repensar o porqu\u00ea de tudo isso \u00e9 sempre no check-in e despedida da fam\u00edlia no aeroporto. Ah, como d\u00f3i! E com isso, infelizmente, a gente n\u00e3o se acostuma. Todas as vezes o mesmo aperto no peito, a mesma energia magn\u00e9tica me prendendo a minha terra e aos meus. Mas uma vez que o avi\u00e3o decola, livre e independente eu vou. Os medos e ansiedades que ora me assombravam se transformam em oportunidades \u00fanicas de descobrimento. Tudo parece fluir, me sinto presente, forte e capaz de encarar qualquer desafio, e mesmo o que d\u00e1 errado se transforma numa boa hist\u00f3ria para contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.<\/strong>\u00a0<strong>Eu v3.0<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe da zona de conforto voltamos aos valores mais b\u00e1sicos, e nos reinventamos muito mais facilmente. Essa mesma energia magn\u00e9tica que me prende ao \u00fanico lugar que realmente posso chamar de casa, ou tamb\u00e9m de zona de conforto, \u00e9 tamb\u00e9m aquela que me prende a r\u00f3tulos, limita\u00e7\u00f5es e paradigmas impostos por mim e pela sociedade ao meu redor. Longe do meu contexto \u00e9 muito mais f\u00e1cil experimentar estilos de vida, pessoas e op\u00e7\u00f5es profissionais que de outra forma n\u00e3o fariam parte do que nos \u00e9 \u201cposs\u00edvel\u201d. Por exemplo, quando embarquei para Londres em 2004 tinha uma vida relativamente f\u00e1cil e confort\u00e1vel em Florian\u00f3polis, t\u00edpica de um jovem de classe m\u00e9dia. Estava longe da minha independ\u00eancia financeira e trabalhar duro significava estudar e dar conta do est\u00e1gio em inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Em Londres, no entanto, rapidamente entrei em outra frequ\u00eancia: trabalhava de gar\u00e7om, barman, lavador de pratos e ainda entregador de cartas em at\u00e9 3 lugares diferentes no mesmo dia. Pagava minhas contas e comprava minha comida, voltando a um estilo de vida t\u00e3o b\u00e1sico que questionei se realmente precisava comer carne, cujo custo era alt\u00edssimo em rela\u00e7\u00e3o a uma dieta vegetariana. Desde ent\u00e3o me tornei vegetariano, e carrego na bagagem essa forma de enxergar o mundo: examinando o que realmente preciso e o que naturalmente assumo como \u201cnormal\u201d dados os valores e normas da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. O mundo est\u00e1 de portas abertas<\/strong>!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem in\u00fameras possibilidades de estudar e viajar no exterior de forma barata. No geral, qualquer trabalhador da classe m\u00e9dia pode, com esfor\u00e7o e planejamento, estudar, trabalhar ou viajar em praticamente qualquer pa\u00eds do mundo. Tamb\u00e9m achava que viajar era um privil\u00e9gio dos endinheirados, ou de gente que rala muito e ap\u00f3s 10 anos de suor consegue passar uma semana em Nova Iorque. N\u00e3o \u00e9. Com curiosidade e determina\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ir muito longe, e gastando pouco. EUA e Europa s\u00e3o lugares caros para se viajar. Mesmo assim \u00e9 poss\u00edvel dormir em albergues com quartos coletivos a $20-35\/noite; viajar de trem ou ainda mais barato, de \u00f4nibus; e comer a comida local comprada em mercados e servida em parques, pra\u00e7as, museus ou no pr\u00f3prio albergue. Em lugares mais distantes e por isso mais caros de chegar, como a \u00c1sia, um viajante econ\u00f4mico consegue sobreviver com $10 d\u00f3lares por dia, incluindo cama e comida. Uma vez na estrada, oportunidades para economizar ou fazer uns trocados podem aparecer: trabalhar no albergue em troca de cama e caf\u00e9 da manh\u00e3, dar aulas de ingl\u00eas ou portugu\u00eas, trabalhar a dist\u00e2ncia como\u00a0<em>freelancer\u00a0<\/em>(principalmente se voc\u00ea manda bem em TI), e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 estudar fora exige mais pesquisa e planejamento, mas a experi\u00eancia ser\u00e1 mais duradoura e impactante. S\u00e3o in\u00fameras as possibilidades de bolsas de estudo, principalmente para mestrado e doutorado, para brasucas no exterior. Hist\u00f3rico escolar forte e atividades extracurriculares que enrique\u00e7am o c.v. s\u00e3o muito importantes para se conquistar uma vaga em universidades de primeira linha, mas com esfor\u00e7o e vis\u00e3o qualquer um pode chegar l\u00e1. Eu n\u00e3o sabia disso, e aprendi atrav\u00e9s da tentativa e erro. Fui felizardo por ter sido aceito para meu mestrado no Canad\u00e1, em 2006, com uma bolsa que cobria os custos da universidade e meus gastos com manuten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica: tinha uma cama confort\u00e1vel e me alimentava sempre em casa ou carregava marmitas (sempre sem carne ), mas n\u00e3o sobrava muito. Com o tempo descobri v\u00e1rias outras oportunidades de aumentar a receita: concorri a pr\u00eamios e bolsas de car\u00e1ter meritocr\u00e1tico e dobrei meu sal\u00e1rio! Dicas de como encontrar essas oportunidades dariam um livro, mas se tivesse que compartilhar apenas uma, seria: pesquise as universidades que sejam fortes na sua \u00e1rea de experi\u00eancia ou interesse, listando 10 escolas em ordem de prioridade; vasculhe o site de cada universidade em busca de\u00a0<em>scholarships\u00a0<\/em>para\u00a0international <em>students<\/em>, e entre em contato com o\u00a0<em>admissions office<\/em>, eles poder\u00e3o esclarecer pontos que em princ\u00edpio parecer\u00e3o ultra-confusos. Uma vez que esse mapa inicial esteja pronto, procure professores, amigos ou conhecidos que tenham estudado fora, apresente seu plano, e pe\u00e7a\u00a0feedback. A partir da\u00ed, com um pouco de suor e paci\u00eancia, acredite, tudo dar\u00e1 certo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. O passaporte tupiniquim<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brasileiros s\u00e3o recebidos com muita alegria em todo o mundo. Talvez nossos\u00a0hermanos\u00a0argentinos tor\u00e7am um pouco o nariz, mas mesmo assim o far\u00e3o com um sorriso no rosto; o resto do mundo, por\u00e9m, abrir\u00e1 um sorriso caloroso ao ouvir a palavra\u00a0Brasil. Interessantemente, quanto mais longe do pa\u00eds, maiores esses sorrisos. H\u00e1 pouco o passaporte brasileiro me descolou dois mergulhos gratuitos na Tail\u00e2ndia e uma refei\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e calorosa com uma fam\u00edlia no Mianmar. Tamb\u00e9m somos sortudos por precisarmos de visto para poucos pa\u00edses: indianos e chineses, por exemplo, n\u00e3o entram na Europa continental ou Reino Unido sem visto de turista. Ouvi de uma indiana que quando ela escutou a palavra\u00a0Brasil\u00a0sair da minha boca imaginou cores, sorrisos, m\u00fasica e muita alegria. Que assim seja!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5. Viajar e morar no exterior nos torna mais criativos!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exposi\u00e7\u00e3o a formas diferentes de interagir e interpretar a vida e o mundo nos livra de preconceitos e nos torna mais abertos a aceitar o novo ou o diferente. Essa exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m mexe com a imagina\u00e7\u00e3o, produzindo ideias e possibilidades antes limitadas por preconceito ou medo de errar. A intera\u00e7\u00e3o com outros povos e culturas nos torna mais criativos, e a ci\u00eancia, felizmente, valida esse ponto. O professor William Maddux, da escola de neg\u00f3cios europeia\u00a0<a href=\"http:\/\/knowledge.insead.edu\/leadership-management\/organisational-behaviour\/how-to-stimulate-creativity-go-live-abroad-1542\">INSEAD<\/a>, estudou a influ\u00eancia de experi\u00eancias internacionais no perfil de altos executivos, e suas conclus\u00f5es s\u00e3o extremamente encorajadoras para aqueles com sede de mundo. Ele afirma \u201cseu n\u00edvel de criatividade aumenta significativamente se voc\u00ea estiver imerso em experi\u00eancias locais e, particularmente, idiomas. Existe uma associa\u00e7\u00e3o muito forte entre a habilidade de falar idiomas diversos e criatividade. Portanto, indiv\u00edduos que falam dois ou tr\u00eas idiomas s\u00e3o, em geral, mais criativos.\u201d O mesmo estudo relaciona criatividade a empreendedorismo, o que torna o pacote ainda mais atraente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6. &amp; flex\u00edveis, e emp\u00e1ticos, e resilientes\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de criatividade, outros aspectos universais de cidadania e lideran\u00e7a s\u00e3o\u00a0<strong>flexibilidade, empatia e resili\u00eancia<\/strong>. No estrangeiro nunca pude me dar ao luxo de exigir que as coisas funcionassem, ou as pessoas pensassem e agissem da maneira que eu gostaria ou achava certo. Eu era o diferente, e assim sempre fui for\u00e7ado a questionar se o que eu em princ\u00edpio achava estranho era universalmente errado ou apenas diferente. Por exemplo, na Su\u00ed\u00e7a tive que me adaptar a confirmar a presen\u00e7a em churrascos e jantares de amigos com 4 semanas de anteced\u00eancia, e aprender que n\u00e3o aparecer num desses eventos confirmados \u00e9 ofensa grave. Na Indon\u00e9sia, tive que aceitar que reuni\u00f5es marcadas e confirmadas para o hor\u00e1rio X horas n\u00e3o come\u00e7am antes de X + 30 minutos. Fora da zona de conforto seguimos a teoria Darwiniana de \u201cadaptar-se ou morrer\u201d. Como consequ\u00eancia, naturalmente nos tornarmos mais\u00a0<strong>emp\u00e1ticos<\/strong>\u00a0com o outro, desenvolvendo a capacidade de se sentir no papel de outra pessoa, e assim entend\u00ea-la e respeit\u00e1-la mais facilmente. E finalmente,\u00a0<strong>resili\u00eancia<\/strong>, a capacidade de persistir e superar desafios. Independentes e longe daqueles que normalmente nos ajudariam, ou daqueles que diriam que n\u00e3o adianta nem tentar porque \u00e9 dif\u00edcil demais, ou ainda das nossas pr\u00f3prias desculpas e m\u00e1scaras, reconhecemos rapidamente que cabe a n\u00f3s mesmos persistir e, por que n\u00e3o, aspirar cada vez mais longe. Quando terminei o mestrado em Winnipeg, no Canad\u00e1, me mudei para Toronto e \u201ctestei\u201d como seria fazer o doutorado na\u00a0University of Toronto, a melhor do Canad\u00e1 e entre as 20 melhores do mundo. Tinha sido aceito e premiado com uma bolsa de estudos competitiva, e isso era motivo de orgulho para mim e minha fam\u00edlia. O problema \u00e9 que esse \u201cteste\u201d deu negativo; eu n\u00e3o gostei da rotina do laborat\u00f3rio e n\u00e3o me imaginei feliz pelos pr\u00f3ximos 4 anos. Decidi encarar o mercado de trabalho e buscar oportunidades na ind\u00fastria de alimentos no Canad\u00e1. Apliquei para mais de 100 empregos, fiz 4 entrevistas, e nada. Nenhuma das vagas era o emprego dos sonhos, mas seriam boas o suficiente. Ap\u00f3s um final de semana com amigos em Montreal me bateu a luz: por que eu estou buscando oportunidades apenas aqui se existe o mundo inteiro? E na mesma noite de domingo vasculhei a Internet e me candidatei \u00e0 vaga de <em>trainee<\/em> na empresa de alimentos mais respeitada do mundo, no seu pa\u00eds de origem: Nestl\u00e9, na Su\u00ed\u00e7a. J\u00e1 que as op\u00e7\u00f5es mais f\u00e1ceis e acess\u00edveis, e tamb\u00e9m mais med\u00edocres n\u00e3o estavam dando certo, por que n\u00e3o tentar o que existe de melhor? Na segunda-feira de manh\u00e3 recebi uma liga\u00e7\u00e3o da recrutadora marcando uma entrevista por telefone. Passei pela segunda peneira, e em seguida veio o convite para participar do processo seletivo completo em Vevey, na Su\u00ed\u00e7a. S\u00f3 a perspectiva de uma semana gratuita na Europa j\u00e1 fez com que tudo valesse a pena, mas o melhor ainda estava por vir. Deu certo, e a consequ\u00eancia foram quase 3 anos de aprendizado no cora\u00e7\u00e3o da Europa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7. Aspira\u00e7\u00f5es comuns.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No n\u00edvel mais primitivo, todos dividimos os mesmos sonhos, medos, preconceitos e aspira\u00e7\u00f5es. Dos meus colegas de apartamento em Londres \u2013 imigrantes ilegais suando para mandar uns trocados a suas fam\u00edlias no Brasil ou na \u00c1frica \u2013 a meus colegas mais abastados de Harvard, cujas fam\u00edlias exibem patrim\u00f4nio pra l\u00e1 dos 12 d\u00edgitos, concordo com o psic\u00f3logo Abraham Maslow que todos buscamos seguran\u00e7a, aceita\u00e7\u00e3o social, respeito num n\u00edvel mais avan\u00e7ado, impacto e sensa\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o a algo maior. Claro, esses elementos se manifestam de forma diferente em pessoas distintas, mas a mensagem \u00e9 que todos estamos aqui atr\u00e1s da mesma felicidade que vai al\u00e9m do que \u00e9 tang\u00edvel e material. Quanto mais conhecemos povos diferentes, mais nos sentimos parte de um mesmo universo, e problemas que antes pareciam distantes das nossas vidas, como a polui\u00e7\u00e3o dos rios na China, por exemplo, passam a fazer parte da nossa agenda. Afinal,\u00a0 reconhecemos que tudo \u00e9 interdependente, e o que afeta uma parte do planeta gera consequ\u00eancias para todo o demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8. Questionar &amp; aprender: autoconhecimento.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 op\u00e7\u00e3o: l\u00e1 fora questionamos o tempo inteiro, e isso reflete em autoconhecimento aumentado. Tudo \u00e9 diferente e por sermos for\u00e7ados a nos adaptar, passamos a n\u00e3o julgar o diferente como simplesmente \u201cerrado\u201d, e sim a questionar o porqu\u00ea dessa diferen\u00e7a. Al\u00e9m de flexibilidade, como mencionado acima, esse questionamento frequente o leva a tamb\u00e9m interrogar o que lhe deixa mais feliz, quais s\u00e3o seus pontos fortes (e fracos), e o que gostaria de mudar no mundo. Essa busca n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ou rom\u00e2ntica, e o resultado de ter seu autoconhecimento alavancado pode ser uma mudan\u00e7a radical de vida ou carreira. Foi assim que a minha transforma\u00e7\u00e3o aconteceu: de cientista a gerente de projetos,\u00a0coach, e a um profissional com interesses diversos que se nega a ser rotulado com apenas um t\u00edtulo. A busca \u00e9 cont\u00ednua, e o processo sempre \u00e9 mais interessante do que o resultado final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9.<\/strong>\u00a0<strong>Todos os sentidos acordados<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escritor ingl\u00eas Edwin Abbott Abbott escreveu em seu brilhante livro de <em>1884\u00a0Flatland: A Romance of Many Dimensions<\/em>\u00a0uma analogia que acredito refletir bem o que \u00e9 viver no exterior:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esfera resolve viajar e conhecer um lugar chamado Flatland, ou Terra Plana. L\u00e1 tudo existe em apenas duas dimens\u00f5es, e a esfera assusta-se ao perceber que todos a percebem como apenas um c\u00edrculo, e n\u00e3o uma esfera com 3 dimens\u00f5es: altura, largura e profundidade. Frustrada, ela tenta explicar para o quadrado o que \u00e9 o mundo em 3 dimens\u00f5es, mas ele n\u00e3o entende. J\u00e1 impaciente, a esfera finalmente resolve trazer o quadrado consigo na sua viagem de volta ao mundo 3-D, para que enfim ele possa ver e sentir o que ela insiste em explicar. O quadrado, ao chegar no mundo 3-D, fica perplexo: \u201cum pavor indescrit\u00edvel tomou conta de mim. Em princ\u00edpio foi a escurid\u00e3o; depois uma sensa\u00e7\u00e3o de estar enxergando sem realmente ver; eu vi espa\u00e7o que n\u00e3o era espa\u00e7o; eu reconheci a mim mesmo, e n\u00e3o me reconheci. Quando achei minha pr\u00f3pria voz, gritei alto \u201cisso \u00e9 loucura total ou o Inferno!\u201d. \u201cN\u00e3o \u00e9 nenhum dos dois\u201d, calmamente respondeu a esfera, \u201cisso \u00e9 conhecimento, \u00e9 o mundo em 3 dimens\u00f5es: abra seus olhos novamente e tente olhar com calma.\u201d \u201cEu olhei e, magicamente, um novo mundo se descortinou.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver no exterior \u00e9 sim cansativo, mas \u00e9 viver em 3 dimens\u00f5es frequentemente. Quase n\u00e3o existe rotina j\u00e1 que o potencial de descoberta e aprendizado \u00e9 pr\u00f3ximo ao infinito. Viver em 3-D \u00e9 estar presente, sentindo o cheiro do ar, o sabor dos alimentos, e o prazer da descoberta e do aprendizado. Por outro lado, na zona de conforto \u00e9 muito f\u00e1cil deixarmos a rotina, os compromissos, ou at\u00e9 mesmo o t\u00e9dio tomar conta do nosso universo e reduzi-lo \u00e0quele encontrado em\u00a0Flatland.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10. Voc\u00ea, autor.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver no exterior \u00e9 sentir, todos os dias, que estamos escrevendo nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. \u00c9 tomar decis\u00f5es que s\u00e3o mais guiadas pelo cora\u00e7\u00e3o e pela raz\u00e3o do que pela opini\u00e3o dos outros. \u00c9 acumular riqueza intang\u00edvel porque amontoar bens materiais desnecess\u00e1rios pode lhe dar dor de cabe\u00e7a na pr\u00f3xima mudan\u00e7a de cidade ou pa\u00eds. \u00c9 escrever e reescrever sua hist\u00f3ria, ciente de que voc\u00ea \u00e9 autor dela, e n\u00e3o apenas um produto do seu passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ufa, a lista foi longa! Ainda, essas li\u00e7\u00f5es se conversam entre si uma vez que na vida tudo acontece de forma integrada. Antes de fechar o texto, no entanto, vale mencionar os motivos que justificam minha volta, j\u00e1 que defendo fortemente as benesses de morar no estrangeiro. Volto porque acredito que no Brasil poderei ter mais impacto, ver mais valor no meu trabalho, e manter e estabelecer rela\u00e7\u00f5es humanas que tamb\u00e9m definem quem eu sou. Sinto-me privilegiado por encontrar um pa\u00eds que busca e valoriza profissionais com experi\u00eancias similares \u00e0s que passei, e honestamente, tamb\u00e9m sinto a obriga\u00e7\u00e3o de compartilhar essas experi\u00eancias, e continuar aprendendo, com os meus. Os planos de curto prazo est\u00e3o bem definidos, mas o que vir\u00e1 depois ainda est\u00e1 a ser escrito. Em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.hbrbr.com.br\/sites\/default\/files\/imgs_blog\/alex_anton_light.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Alex Anton<\/strong>\u00a0\u00e9 MBA pela Harvard Business School e tem no seu curr\u00edculo empresas como Nestl\u00e9, Unilever e Firmas Globais de Consultoria em Estrat\u00e9gia e Gest\u00e3o. J\u00e1 morou e trabalhou no Canad\u00e1, Alemanha, Su\u00ed\u00e7a, Indon\u00e9sia, Estados Unidos e China. Al\u00e9m disso, \u00e9 fundador da TopMBA Coaching \u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.topmba.com.br\/\">www.topmba.com.br<\/a>\u00a0&#8211; e entusiasta da medita\u00e7\u00e3o, fotografia e corrida. Suas ideias podem ser conferidas no blog transforME \u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.transforme.is\/\">www.transforme.is<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: HBRB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram 73.680 horas, 3.070 dias, ou 8 anos e 5 meses. 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