{"id":7844,"date":"2014-07-01T15:53:46","date_gmt":"2014-07-01T18:53:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=1760"},"modified":"2025-03-20T09:31:45","modified_gmt":"2025-03-20T12:31:45","slug":"a-beira-de-uma-crise-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/a-beira-de-uma-crise-fiscal\/","title":{"rendered":"\u00c0 beira de uma crise fiscal"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"image\" src=\"http:\/\/www.jornalcontabil.com.br\/v2\/thumbnail.php?file=610_money_graph_154368259_290844547.jpg&amp;size=article_medium\" width=\"223\" height=\"148\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A combina\u00e7\u00e3o de um modelo econ\u00f4mico pr\u00f3-consumo, pr\u00f3-ind\u00fastria e de populismo tarif\u00e1rio com a manuten\u00e7\u00e3o do atual sistema de pagamentos de benef\u00edcios sociais e previdenci\u00e1rios cria uma armadilha perigosa para o Brasil.<\/strong><\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">A combina\u00e7\u00e3o de um modelo econ\u00f4mico pr\u00f3-consumo, pr\u00f3-ind\u00fastria e de populismo tarif\u00e1rio com a manuten\u00e7\u00e3o do atual sistema de pagamentos de benef\u00edcios sociais e previdenci\u00e1rios cria uma armadilha perigosa para o Brasil: graves crises fiscais \u2013 de curto e tamb\u00e9m de longo prazo, que deixariam o governo sem condi\u00e7\u00f5es de dar conta de seus compromissos. A avalia\u00e7\u00e3o foi feita ontem pelo economista e estudioso de contas p\u00fablicas Raul Velloso durante palestra em reuni\u00e3o do Conselho de Altos Estudos de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o (Caeft) da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo (ACSP).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cChegou a hora de o Pa\u00eds rever esses modelos. Acredito que um ano eleitoral \u00e9 um per\u00edodo ideal para colocar a discuss\u00e3o sobre os gastos p\u00fablicos em pauta, mas eu ainda vejo pouca disposi\u00e7\u00e3o dos candidatos para participar do debate\u201d, afirmou Velloso. Participaram da reuni\u00e3o, aberta pelo presidente da ACSP, da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Comerciais do Estado de S\u00e3o Paulo (Facesp) e presidente interino da Confedera\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Rog\u00e9rio Amato, o coordenador do Caeft, Lu\u00eds Eduardo Schoueri, e vice-presidentes da ACSP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Velloso, o \u201cmodelo pr\u00f3-consumo Lula-Dilma\u201d, baseado em fortes impulsos ao consumo, prote\u00e7\u00e3o a setores selecionados (especialmente da ind\u00fastria) e o populismo tarif\u00e1rio (que o economista chama de \u201cargentiniza\u00e7\u00e3o\u201d) est\u00e1 esgotado \u2013 e ele enumera os sintomas desse esgotamento: \u201cAs consequ\u00eancias desse modelo s\u00e3o infla\u00e7\u00e3o acima da meta mesmo com os pre\u00e7os administrados contidos, ind\u00fastria e taxa de investimento estagnados, PIB (Produto Interno Bruto) crescendo pouco e iminente crise fiscal. Ali\u00e1s, a crise fiscal de curto prazo s\u00f3 n\u00e3o estourou at\u00e9 agora porque as ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco deram uma tr\u00e9gua ao Brasil e porque o Pa\u00eds conseguiu acumular um volume expressivo de reservas cambiais\u201d, observou o especialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTAS P\u00daBLICAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Velloso disse que elementos desse modelo como a manuten\u00e7\u00e3o artificial de pre\u00e7os administrados (de energia el\u00e9trica, petr\u00f3leo, tarifas de \u00f4nibus urbanos e ped\u00e1gios), as constantes desonera\u00e7\u00f5es fiscais para alguns setores e a expans\u00e3o da oferta de cr\u00e9dito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), tudo isso em um ambiente de baixo crescimento (leia-se arrecada\u00e7\u00e3o com menor ritmo de expans\u00e3o), t\u00eam significativo impacto sobre as contas p\u00fablicas, \u00e0 medida que pressionam em uma intensidade insustent\u00e1vel os gastos do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo feito pelo economista mostrou que, para atingir em 2014 a mesma meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio (receitas menos despesas do governo exclu\u00eddos os juros da d\u00edvida) do ano passado as despesas do governo deveriam aumentar no m\u00e1ximo 4% \u2013 e elas j\u00e1 avan\u00e7aram 6% at\u00e9 abril. Na ponta oposta, as receitas teriam que crescer 6,1%, ante aumento de apenas 3,3% at\u00e9 abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os n\u00fameros sugerem, segundo Velloso, que fica muito dif\u00edcil para o governo atingir a meta sem apelar para artif\u00edcios que, de tanto usados pelo governo Dilma, j\u00e1 ganharam a denomina\u00e7\u00e3o de \u201ccontabilidade criativa\u201d. \u201cAs ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco est\u00e3o esperando para ver como o governo vai administrar essa situa\u00e7\u00e3o e acho que existe o risco de o Brasil perder o selo de investment grade\u201d, disse, referindo-se \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o que o Pa\u00eds obteve no primeiro semestre de 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LONGO PRAZO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O economista tamb\u00e9m destaca a possibilidade de o Brasil enfrentar dificuldades nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas se as reformas necess\u00e1rias n\u00e3o forem levadas adiante. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o fiscal de longo prazo, o problema est\u00e1 no que chamo de \u2018welfare state dos tr\u00f3picos\u2019 (refer\u00eancia ao estado de bem-estar social caracter\u00edstico da Europa ocidental no p\u00f3s-guerra). As pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda, iniciadas com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 e refor\u00e7adas ao longo do tempo, podem provocar uma verdadeira explos\u00e3o dos gastos p\u00fablicos at\u00e9 2040. Pelas minhas contas, mantido o atual modelo e considerando um crescimento anual da economia de 3%, os gastos do governo em propor\u00e7\u00e3o do PIB em 2040 ser\u00e3o o dobro do que eram em 2012\u201d, afirmou Velloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda mais grave, observou, \u00e9 o fato de \u201ca grande\u00a0folha de pagamento\u00a0do governo\u201d, como o economista classifica as transfer\u00eancias de recursos a servidores p\u00fablicos, aposentados, pensionistas e benefici\u00e1rios de programas sociais, hoje representar cerca de 75% do or\u00e7amento da Uni\u00e3o. \u201cConsiderando a entrada de mais pessoas na \u2018folha\u2019 e o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o a uma taxa superior \u00e0 do crescimento esperado da economia, a produ\u00e7\u00e3o de riquezas no Pa\u00eds ser\u00e1, em 2040, insuficiente. O modelo \u00e9 invi\u00e1vel, n\u00e3o cabe no PIB\u201d, alertou, lembrando que o aumento da carga tribut\u00e1ria como compensa\u00e7\u00e3o poderia ser um dos efeitos perversos desse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vis\u00e3o de Velloso, para deixar esse quadro menos grave s\u00e3o indispens\u00e1veis reformas como a altera\u00e7\u00e3o da regra de reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo (que tem impacto direto nos gastos da Previd\u00eancia Social), o fim do abono salarial, a revis\u00e3o do sistema brasileiro de pens\u00f5es e a mudan\u00e7a na idade de aposentadoria. De acordo com o economista, se essas reformas n\u00e3o forem feitas os desequil\u00edbrios macroecon\u00f4micos v\u00e3o se agravar, com a inevit\u00e1vel volta da infla\u00e7\u00e3o. \u201cSe o governo, qualquer governo, n\u00e3o fizer esses ajustes, a infla\u00e7\u00e3o vai fazer\u201d, concluiu Velloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Fonte: DCI-SP<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A combina\u00e7\u00e3o de um modelo econ\u00f4mico pr\u00f3-consumo, pr\u00f3-ind\u00fastria e de populismo tarif\u00e1rio com a manuten\u00e7\u00e3o do atual sistema de pagamentos de benef\u00edcios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1810,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"iawp_total_views":1,"footnotes":""},"categories":[25,39],"tags":[],"class_list":["post-7844","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-campal","category-reforma-tributaria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7844\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}