{"id":8008,"date":"2016-03-04T10:56:09","date_gmt":"2016-03-04T13:56:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=3199"},"modified":"2016-03-04T10:56:09","modified_gmt":"2016-03-04T13:56:09","slug":"olhar-estrangeiro-veja-relatos-de-quem-veio-de-fora-para-trabalhar-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/olhar-estrangeiro-veja-relatos-de-quem-veio-de-fora-para-trabalhar-no-brasil\/","title":{"rendered":"Olhar estrangeiro: veja relatos de quem veio de fora para trabalhar no Brasil"},"content":{"rendered":"<figure>H\u00e1 cada vez mais estrangeiros trabalhando no Brasil. S\u00f3 nos \u00faltimos tr\u00eas anos o n\u00famero cresceu 50%, segundo estudo divulgado pelo Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego em mar\u00e7o. E parte dessa for\u00e7a de trabalho vem para comandar grandes empresas. Em 2014, 1 433 autoriza\u00e7\u00f5es foram concedidas para que gringos ocupassem cargos de dire\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Uma das raz\u00f5es para esse movimento \u00e9 que as empresas carecem de gente experiente para profissionalizar pr\u00e1ticas e entregar resultados rapidamente. &#8220;O Brasil est\u00e1 transformando os processos de gest\u00e3o e precisa de pessoas que tenham viv\u00eancia nessa \u00e1rea&#8221;, diz Carla Rebelo, diretora-geral da Hays, consultoria de recrutamento com sede em S\u00e3o Paulo &#8211; ela pr\u00f3pria de origem portuguesa.<\/figure>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0Como h\u00e1 pressa em contratar, muitos se mudam sem ter ainda aprendido o portugu\u00eas ou conhecer o pa\u00eds, o que \u00e9 um desafio para eles e para as equipes. &#8220;H\u00e1 resist\u00eancia no come\u00e7o, mas isso \u00e9 superado quando as diferen\u00e7as culturais s\u00e3o respeitadas&#8221;, diz Carla. VOC\u00ca S\/A entrevistou quatro presidentes que vieram de outros pa\u00edses para entender como eles enxergam o jeito do brasileiro trabalhar &#8211; e como v\u00eam se adaptando \u00e0 gest\u00e3o de nosso gingado.<\/div>\n<div><\/div>\n<h1>Gelo para esquim\u00f3s<\/h1>\n<div>Stefan Nilsson, 45 anos, da Su\u00e9cia, CEO da Nespresso no Brasil<\/div>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/adm.carascloud.com:8888\/orinoco\/media\/\/images\/large\/2016\/03\/03\/stefan-nilsson.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Vender caf\u00e9 no Brasil era como vender gelo para esquim\u00f3s. Foi isso o que pensei quando fui chamado, em 2006, para trazer a Nespresso ao pa\u00eds. Na \u00e9poca, morava na Su\u00ed\u00e7a e era o engenheiro respons\u00e1vel por ter aberto a primeira f\u00e1brica da marca no mundo. Aceitei o convite pelo desafio. J\u00e1 tinha trabalhado em companhias como Tetra Pak e Nestl\u00e9, mas seria a primeira vez que abriria uma empresa, e n\u00e3o uma f\u00e1brica. Para fazer a Nespresso crescer, ficou claro que n\u00e3o poder\u00edamos s\u00f3 lan\u00e7ar um caf\u00e9, ter\u00edamos de criar uma experi\u00eancia. Essa estrat\u00e9gia exigiu negocia\u00e7\u00f5es, porque preparar um bom espresso \u00e9 f\u00e1cil, mas preparar 1 milh\u00e3o \u00e9 outra hist\u00f3ria. Tivemos de introduzir novas pr\u00e1ticas nas fazendas de caf\u00e9 pensando em resultados para dali a cinco anos. Mas, quando a gente acredita no que faz, as coisas acontecem. O que aprendi morando em tantos pa\u00edses (j\u00e1 vivi na Alemanha, Mal\u00e1sia, Espanha e Col\u00f4mbia) \u00e9 que a cultura deve ser respeitada. Em alguns lugares, tudo bem falar: `Fa\u00e7a isso agora!&#8217;. Tentei ser enf\u00e1tico e disse: `Quero isso na segunda-feira!&#8217;. Boa sorte para quem fizer isso no Brasil! O prazo n\u00e3o ser\u00e1 respeitado, e o profissional vai perder tempo encontrando desculpas para justificar o atraso. Agora dou direcionamento e autonomia. Os brasileiros me ensinaram que, \u00e0s vezes, voc\u00ea n\u00e3o sabe como vai executar uma ideia, mas, que se sabe aonde quer chegar, vai achar o caminho.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<h1>Calor tropical<\/h1>\n<p>M\u00e1rta Sanchez, 39 anos, da espanha, Country manager da Iberia e British Airways no Brasil\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/adm.carascloud.com:8888\/orinoco\/media\/\/images\/large\/2016\/03\/03\/marta-sanchez.jpg\" \/><\/div>\n<div>&#8220;Meus primeiros meses no Brasil dariam um livro. Cheguei em janeiro de 2014, \u00e9poca em que as ruas viviam cheias de gente protestando. Uma cena me marcou. Eu via uma manifesta\u00e7\u00e3o da janela do meu escrit\u00f3rio, na avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo, e, de repente, reparei em um helic\u00f3ptero parado no sem\u00e1foro, ao lado dos carros. Nunca vou me esquecer disso. Para a Iberia e a British Airways o momento era bom: a Copa do Mundo aumentou a demanda por voos, e o novo terminal internacional do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, foi inaugurado, ampliando nossas rotas. Foi minha primeira experi\u00eancia profissional fora da Espanha. Duas coisas me assustaram: a burocracia (voc\u00eas t\u00eam papel para tudo) e o contato f\u00edsico (n\u00e3o estava acostumada a tanto beijo e abra\u00e7o at\u00e9 nos e-mails). Pedi para ir com calma. Agora j\u00e1 sou mais carinhosa, at\u00e9 minha fam\u00edlia percebe isso. Talvez por causa dessa receptividade os brasileiros fiquem magoados com facilidade &#8211; preciso ser mais cuidadosa ao fazer cr\u00edticas. E a palavra `n\u00e3o\u00bf est\u00e1 fora do vocabul\u00e1rio por aqui. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que tudo \u00e9 poss\u00edvel, mesmo quando n\u00e3o \u00e9. Por isso, tento sempre confirmar e alinhar as expectativas &#8211; conversando em `portuespangl\u00eas&#8217;: uma mistura de portugu\u00eas, espanhol e ingl\u00eas. Tem funcionado bem.&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<h1>Pa\u00eds de atacantes<\/h1>\n<p>Toru Okazaki, 49 anos, do jap\u00e3o, Presidente da Nissin-Ajinomoto no Brasil\n<\/p><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/adm.carascloud.com:8888\/orinoco\/media\/\/images\/large\/2016\/03\/03\/toru-okazaki.jpg\" \/><\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Assumi a presid\u00eancia da Nissin-Ajinomoto no Brasil em 2013, com a miss\u00e3o de expandir o alcance da empresa no pa\u00eds. Mas cheguei a S\u00e3o Paulo em 2009, com minha mulher e duas filhas, como gerente de marketing da empresa. Vim para c\u00e1 sem falar portugu\u00eas e sem conhecer nada do pa\u00eds. Tinha a impress\u00e3o de que seria uma festa todos os dias, pela fama de alegre dos brasileiros. Percebi que as pessoas s\u00e3o felizes, mas que tamb\u00e9m levam o trabalho a s\u00e9rio e s\u00e3o gentis. Nos meus primeiros dias, todos vinham at\u00e9 minha mesa me cumprimentar. O que me surpreendeu de verdade foi o carinho de voc\u00eas pelo Miojo: todo mundo tem a pr\u00f3pria receita do macarr\u00e3o. Esse lado afetivo me marcou. Costumo dizer que, no trabalho, os brasileiros s\u00e3o atacantes, e os japoneses, zagueiros. No Jap\u00e3o, analisamos objetivamente os fatos para prever todos os riscos e s\u00f3 ent\u00e3o pensar na pr\u00f3xima etapa. No Brasil, usam mais a intui\u00e7\u00e3o: acreditam nela e v\u00e3o com for\u00e7a total. Minha tarefa foi harmonizar esses dois lados. Primeiro, tentava convencer minha equipe a parar e decidir, com anteced\u00eancia, todo o passo a passo. N\u00e3o deu certo. Passei a esperar tudo ser feito. Quando acontecia algum problema, mostrava que aquilo poderia ter sido previsto e evitado. Fico aqui at\u00e9 2016, quando acaba meu contrato como presidente no Brasil, mas minha fam\u00edlia voltou em 2013. Como minhas responsabilidades aumentaram e uma das minhas filhas entrou na faculdade, todos retornaram ao Jap\u00e3o.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<h1>Caf\u00e9 e p\u00e3o de queijo<\/h1>\n<p>Santiago Chamorro, 45 anos, da Col\u00f4mbia, Presidente da GM no Brasil\n<\/p><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/adm.carascloud.com:8888\/orinoco\/media\/\/images\/large\/2016\/03\/03\/santiago-chamorro.jpg\" \/><\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;A combina\u00e7\u00e3o perfeita \u00e9 o caf\u00e9 colombiano com o p\u00e3o de queijo brasileiro. Na vida e no trabalho. Colombianos e brasileiros t\u00eam pontos em comum: alta energia, vontade de vencer desafios e coragem para fazer acontecer. Aprendi isso em 2003, na minha primeira fase por aqui, como diretor de marketing da GM. Estava na empresa h\u00e1 22 anos, mas vir ao Brasil me deu frio na barriga: em um m\u00eas, voc\u00eas vendiam o que eu vendia em um ano na Col\u00f4mbia. Voltei em 2012, depois de ter assumido a presid\u00eancia da GM na Col\u00f4mbia. Uma das qualidades do brasileiro pode ser tamb\u00e9m um problema: voc\u00eas s\u00e3o criativos e conseguem dar um jeito de solucionar v\u00e1rios problemas usando recursos que est\u00e3o \u00e0 m\u00e3o, s\u00f3 que, \u00e0s vezes, isso \u00e9 feito com pouca transpar\u00eancia. Mas h\u00e1 muito o que aprender por aqui. O Brasil \u00e9 um monstro e tem a fama de ser uma tremenda escola para profissionais. Agora n\u00e3o ser\u00e1 diferente: meu desafio \u00e9 retomar o crescimento e a confian\u00e7a dos investidores neste momento de crise. \u00c9 dif\u00edcil, mas estou otimista.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Invas\u00e3o estrangeira &#8211; veja daonde v\u00eam e para onde v\u00e3o os gringos no Brasil<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Principais pa\u00edses de origem<\/div>\n<div><\/div>\n<div>1\u00ba Jap\u00e3o<\/div>\n<div><\/div>\n<div>2\u00ba Coreia do Sul<\/div>\n<div><\/div>\n<div>3\u00ba Espanha<\/div>\n<div><\/div>\n<div>4\u00ba Fran\u00e7a<\/div>\n<div><\/div>\n<div>5\u00ba Portugal<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para onde eles v\u00e3o<\/div>\n<div><\/div>\n<div>1\u00ba S\u00e3o Paulo<\/div>\n<div><\/div>\n<div>2\u00ba Rio de Janeiro<\/div>\n<div><\/div>\n<div>3\u00ba Minas Gerais<\/div>\n<div><\/div>\n<div>4\u00ba Paran\u00e1<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fonte: Voc\u00ea S.A.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cada vez mais estrangeiros trabalhando no Brasil. 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