{"id":8032,"date":"2016-07-29T09:52:16","date_gmt":"2016-07-29T12:52:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=3508"},"modified":"2016-07-29T09:52:16","modified_gmt":"2016-07-29T12:52:16","slug":"produtividade-e-a-pior-desde-os-anos-50","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/produtividade-e-a-pior-desde-os-anos-50\/","title":{"rendered":"Produtividade \u00e9 a pior desde os anos 50"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"\" src=\"http:\/\/teste.maistempo.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/euausa_thumb3.jpg\" width=\"455\" height=\"316\" \/>O abismo que separa a produtividade brasileira da americana n\u00e3o para de crescer. Enquanto os Estados Unidos conseguem fabricar um produto com apenas um trabalhador, no Brasil, a mesma pe\u00e7a exige quatro pessoas. \u00c9 a pior rela\u00e7\u00e3o desde a d\u00e9cada de 1950, quando o Pa\u00eds vivia os reflexos da industrializa\u00e7\u00e3o iniciada 20 anos antes. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que, com in\u00fameros gargalos para serem superados e afundado numa das piores crises da hist\u00f3ria, o Pa\u00eds n\u00e3o esbo\u00e7a nenhuma rea\u00e7\u00e3o para reverter esse quadro no curto e m\u00e9dio prazos.<\/p>\n<p>No fim do ano passado, um trabalhador brasileiro era capaz de produzir US$ 29.583 e um americano US$ 118.826, segundo levantamento do Conference Board, compilado pelo pesquisador Fernando Veloso, do Instituto Brasileiro de Economia, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV). Nas palavras do Nobel de Economia, Paul Krugman, \u201cprodutividade n\u00e3o \u00e9 tudo, mas no longo prazo \u00e9 quase tudo\u201d. Na pr\u00e1tica, ela est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0s riquezas geradas por um pa\u00eds e seu comportamento determina o padr\u00e3o de vida da sociedade.<br \/>\nAt\u00e9 1980, o Brasil conseguia melhorar a sua produtividade em rela\u00e7\u00e3o aos concorrentes e diminuir a diferen\u00e7a para os Estados Unidos \u2013 hoje considerada a economia mais produtiva do mundo. \u201cEntre as d\u00e9cadas de 1930 e 1970, havia um crescimento f\u00e1cil da produtividade brasileira por causa do processo de industrializa\u00e7\u00e3o que levou parte dos trabalhadores rurais para as f\u00e1bricas \u2013 trajet\u00f3ria vivida hoje pela China\u201d, afirma a diretora do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), Fernanda De Negri.<br \/>\nNo melhor momento na rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses, em 1980, pouco mais de dois trabalhadores brasileiros produziam o mesmo que um americano. A partir da\u00ed, no entanto, o cen\u00e1rio mudou e o Brasil foi ficando para tr\u00e1s. Com a abertura comercial, at\u00e9 houve um ganho da produtividade das empresas brasileiras, mas a um custo muito alto por causa da quebradeira de v\u00e1rias empresas que n\u00e3o estavam preparadas para a concorr\u00eancia internacional. \u201cNa ind\u00fastria, por exemplo, houve um ganho de produtividade muito grande at\u00e9 1997 e a gente atribui parte \u00e0 abertura. Ela for\u00e7ou as empresas a produzir melhor, mas tamb\u00e9m eliminou as mais ineficientes\u201d, diz Regis Bonelli, pesquisador do IBRI\/FGV.<br \/>\nAtualmente, a economia brasileira enfrenta um cen\u00e1rio perverso. O setor produtivo tem dificuldade para aumentar a sua efici\u00eancia porque passou a conviver com problemas que v\u00e3o da baixa qualifica\u00e7\u00e3o do trabalhador ao chamando Custo Brasil, que envolve a elevada e complexa carga tribut\u00e1ria, excesso de burocracia e m\u00e1 qualidade da infraestrutura \u2013 um dos pesadelos das empresas no Pa\u00eds.<br \/>\nSem ferrovias suficientes e com as estradas em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, qualquer efici\u00eancia conseguida dentro da f\u00e1brica \u00e9 achatada pelos custos log\u00edsticos. A Weg, multinacional presente em 11 pa\u00edses, sabe bem o que isso significa. \u201cNos Estados Unidos, um caminh\u00e3o consegue percorrer 400 quil\u00f4metros (km) num dia. Aqui, conseguimos s\u00f3 45 km\u201d, diz o superintendente Administrativo e Financeiro, Andr\u00e9 Luis Rodrigues. Ele destaca que o descumprimento de prazos acarreta multas \u00e0 empresa, j\u00e1 que o atraso pode comprometer o andamento de um projeto.<br \/>\nInvestimento. Parte desses problemas \u00e9 resultado do baixo investimento nos \u00faltimos anos \u2013 no primeiro trimestre de 2016, ficou em 16,9% do PIB (na China, \u00e9 de quase 50% e na \u00cdndia, 33%). \u201cMenos investimentos significa menos produtividade, do trabalho e de capital. Apenas a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra n\u00e3o \u00e9 suficiente se a empresa n\u00e3o investe em m\u00e1quinas modernas\u201d, diz o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Fagundes Cagnin.<br \/>\nO motivo, diz ele, \u00e9 a elevada taxa de juros no Pa\u00eds (hoje 14,25% ao ano), que desestimula projetos de expans\u00e3o e melhorias de efici\u00eancia. \u201cH\u00e1 uma drenagem de recursos que poderiam ir para a produ\u00e7\u00e3o e v\u00e3o para o mercado financeiro.\u201d<br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o do vice-presidente S\u00eanior da Basf, Eduardo Leduc, da Unidade de Prote\u00e7\u00e3o de Cultivos, o baixo investimento do Brasil \u00e9 decorrente da falta de previsibilidade e de um plano de governo que indique a dire\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. \u201cTemos feito investimentos elevados, mas poder\u00edamos trazer ainda mais recursos se as condi\u00e7\u00f5es fossem mais favor\u00e1veis. Na disputa com outros pa\u00edses por dinheiro, \u00e0s vezes a gente perde.\u201d<br \/>\nMas, assim como h\u00e1 entraves da porteira para fora, tamb\u00e9m h\u00e1 problemas da porteira para dentro das f\u00e1bricas. E uma delas \u00e9 a gest\u00e3o ultrapassada de muitas empresas, que continuam administrando os neg\u00f3cios como em d\u00e9cadas passadas. Falta educa\u00e7\u00e3o para os gestores adotarem pr\u00e1ticas modernas de gerenciamento e conseguir elevar o padr\u00e3o da companhia, afirma o coordenador do Centro de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Insper, Naercio Menezes Filho.<br \/>\nO quadro da produtividade brasileira \u00e9 ainda mais dram\u00e1tico quando comparado com outros pa\u00edses. Atualmente, at\u00e9 a China tem se aproximado do Brasil. Neste ano, um trabalhador chin\u00eas vai produzir US$ 25.198. \u201cEstamos ficando cada vez mais para tr\u00e1s e isso \u00e9 resultado do processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds\u201d, diz o diretor da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Ricardo Roriz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fenacon.org.br\/noticias\/produtividade-e-a-pior-desde-os-anos-50-866\/\">FENACON<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abismo que separa a produtividade brasileira da americana n\u00e3o para de crescer. 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