{"id":8060,"date":"2016-12-13T14:34:00","date_gmt":"2016-12-13T17:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=3689"},"modified":"2016-12-13T14:34:00","modified_gmt":"2016-12-13T17:34:00","slug":"pare-de-confiar-em-tudo-que-ve-no-facebook","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/pare-de-confiar-em-tudo-que-ve-no-facebook\/","title":{"rendered":"Pare de confiar em tudo que v\u00ea no Facebook"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.administradores.com.br\/artigos\/economia-e-financas\/a-internet-e-os-filtros-bolha-nao-somos-tao-livres-assim\/63661\/\" target=\"_blank\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.administradores.com.br\/_assets\/modules\/artigos\/artigo_100030.jpeg?v=1479840076\" width=\"448\" height=\"318\" \/>O aviso foi dado h\u00e1 alguns anos<\/a>. As\u00a0<em>personas<\/em>nas redes sociais est\u00e3o se isolando cada vez mais em bolhas particulares, indispostas a buscar dados que contradigam suas opini\u00f5es formadas e adestrando os algoritmos para que continuem alimentando o que elas j\u00e1 entendem como a verdade absoluta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wired.com\/2016\/11\/filter-bubble-destroying-democracy\/\" target=\"_blank\">publicado na Wired<\/a>, o diretor de marketing da empresa de software WorkZone, Mostafa El-Bermamawy, relata como poucas informa\u00e7\u00f5es e artigos favor\u00e1veis a Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, chegavam ao seu feed \u2013 embora a presen\u00e7a online do republicano fosse bem superior \u00e0 da advers\u00e1ria, Hillary Clinton.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Percebi que o segundo artigo mais popular publicado nas redes sociais nos \u00faltimos seis meses com as palavras &#8216;Donald Trump&#8217;, intitulado &#8216;Por que eu vou votar em Donald Trump&#8217;, foi compartilhado 1,5 milh\u00e3o de vezes. Ainda assim, a hist\u00f3ria nunca chegou ao meu newsfeed do Facebook&#8221;, relata. &#8220;Perguntei aos meus colegas liberais de NOva Iorque, e todos eles disseram que nunca o leram&#8221;, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado todos conhecem: ningu\u00e9m cujo voto era favor\u00e1vel a Clinton esperava a derrota da democrata, vis\u00e3o validada inclusive por pesquisas eleitorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Facebook \u00e9 utilizado como fonte prim\u00e1ria de not\u00edcias por 61% dos chamados\u00a0<em>millenials<\/em>\u00a0quando o assunto \u00e9 governo e pol\u00edtica, aponta o centro de pesquisas Pew. No Brasil, cerca de 70% dos brasileiros usam a rede social como fonte principal de informa\u00e7\u00e3o, segundo a\u00a0<a href=\"http:\/\/observatoriodaimprensa.com.br\/e-noticias\/cerca-de-70-dos-brasileiros-se-informam-pelo-facebook\/\" target=\"_blank\">Quartz<\/a>. Mesmo assim, o Facebook n\u00e3o se define como um meio de comunica\u00e7\u00e3o e, geralmente, evita se responsabilizar pelo conte\u00fado disseminado. Isso mudou na \u00faltima semanam, quando o pr\u00f3prio Mark Zuckerberg anunciou medidas para combater as not\u00edcias falsas \u2013 especula-se que elas tiveram peso na decis\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.buzzfeed.com\/alexandrearagao\/noticias-falsas-lava-jato-facebook?utm_term=.ppaALAL4B#.wiMZwZw17\" target=\"_blank\">levantamento do Buzzfeed Brasil<\/a>\u00a0aponta, por exemplo, que as not\u00edcias falsas referentes \u00e0 opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato obtiveram mais engajamento na rede social do que as reportagens ver\u00eddicas. Segundo o levantamento, 10 das not\u00edcias falsas mais compartilhadas somaram 3,9 milh\u00f5es de intera\u00e7\u00f5es, enquanto entre as verdadeiras o volume chegou a 2,7 milh\u00f5es. Ainda h\u00e1 o problema marginal das\u00a0<strong>manchetes<\/strong>: poucos leitores sequer abrem os links para terem acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es apuradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas problemas \u2013 filtros-bolha, not\u00edcias falsas de amplo impacto e o p\u00e9ssimo h\u00e1bito de ler apenas as manchetes \u2013 concorrem para o fen\u00f4meno que o Dicion\u00e1rio Oxford elegeu como\u00a0<a href=\"https:\/\/en.oxforddictionaries.com\/word-of-the-year\/word-of-the-year-2016\" target=\"_blank\">palavra do ano<\/a>:\u00a0<strong>P\u00f3s-Verdade<\/strong>. A verdade factual d\u00e1 lugar a argumentos de apelo emocional e cren\u00e7as pessoais, tudo isso refor\u00e7ado com dados parciais e not\u00edcias de aparente credibilidade. O fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 novo, mas ganhou uma dimens\u00e3o extrema em 2016, ap\u00f3s o referendo conhecido como Brexit e a elei\u00e7\u00e3o presidencial nos Estados Unidos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">&#8216;Idiota confiante&#8217;<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O efeito Dunning-Kruger parece ter se espalhado em escala viral. O pr\u00f3prio David Dunning, cientista que nomeou o efeito mais conhecido como a s\u00edndrome do &#8220;idiota confiante&#8221;, sugeriu que as redes sociais e os tr\u00eas problemas elencados acima est\u00e3o apresentando\u00a0<a href=\"https:\/\/psmag.com\/we-are-all-confident-idiots-56a60eb7febc#.nsgpg4ldg\" target=\"_blank\">reflexos reais e perigosos quando tudo se mistura com pol\u00edtica<\/a>. &#8220;Em muitos casos, a incompet\u00eancia n\u00e3o deixa as pessoas desorientadas, perplexas ou cautelosas. Em vez disso, os incompetentes s\u00e3o aben\u00e7oados com uma confian\u00e7a inapropriada, impulsionada pelo que eles acham que \u00e9 conhecimento&#8221;, alega.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno exclusivo de pessoas que declaram voto por um candidato ou defendem uma determinada posi\u00e7\u00e3o. Todos est\u00e3o sujeitos a extrapolarem seu limite de conhecimento e opinar sobre o que n\u00e3o entende, provocando efeitos reais na vida das pessoas. &#8220;A maneira como concebemos ignor\u00e2ncia \u2013 como a falta de conhecimento \u2013 nos leva a pensar que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um ant\u00eddoto natural. Mas educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode produzir confian\u00e7a ilus\u00f3ria&#8221;, afirma.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Inunda\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se compara o efeito Dunning-Kruger com o potencial de dissemina\u00e7\u00e3o oferecido pelo Facebook \u2013 relembrando: utilizado como\u00a0<strong>fonte prim\u00e1ria<\/strong>\u00a0de not\u00edcias por\u00a0<strong>sete em cada 10 pessoas<\/strong>\u00a0\u2013 o progn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 animador. Se tudo o que aparece no feed das pessoas confirma o que elas pensam, aquilo passa a ser verdade, j\u00e1 que o contradit\u00f3rio \u00e9 mantido \u00e0 dist\u00e2ncia pelos algoritmos que mapeiam as prefer\u00eancias individuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como um liberal novaiorquino, meu feed estava repleto de hashtags como #ImWithHer ou #FeelTheBern somados a algumas manchetes do tipo &#8216;Obama \u00e9 o maior&#8217;, que eu ficava feliz em ler&#8221;, conta Mostafa. &#8220;Quando entramos na fase de debates, meu feed passou a exibir esc\u00e2ndalos de Trump e os motivos pelos quais eu deveria apoiar Clinton. Eu acessava artigos apenas de ve\u00edculos liberais, como o New York Times e o Washington Post. Eu sei que \u00e9 importante ser c\u00e9tico com a m\u00eddia, mas mesmo um olhar cr\u00edtico fica menos agu\u00e7ado com a propaganda de apenas um lado&#8221;, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos Estados Unidos, ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais, em geral, assumem prefer\u00eancias pol\u00edticas e apoio a candidatos em editoriais. \u00c9 uma maneira de deixar o leitor ciente do que est\u00e1 lendo. Mas o Facebook n\u00e3o \u00e9 um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem inger\u00eancia sobre o conte\u00fado nem se responsabiliza. &#8220;Na vida real, comunidades j\u00e1 s\u00e3o segregadas por cor, classes, e vis\u00f5es pol\u00edticas e culturais. Facebook, Google e outras redes s\u00e3o nossas comunidades online, e elas s\u00e3o similarmente segregadas. Precisamos lembrar a n\u00f3s mesmos que existem pessoas no outro lado da tela que querem ser ouvidos e podem pensar e sentir como n\u00f3s, mas chegar a diferentes conclus\u00f5es&#8221;, conclui Mostafa.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Como escapar da bolha<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ascens\u00e3o do Facebook e a fragiliza\u00e7\u00e3o \u2013 alguns diriam consequente \u2013 dos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais e do interesse pelo jornalismo de qualidade levam a apenas uma sa\u00edda. Os leitores precisam aprender a duvidar, buscar o contradit\u00f3rio e compreender as pessoas que est\u00e3o do outro lado. Para o exerc\u00edcio do senso cr\u00edtico diante do volume de informa\u00e7\u00f5es, a jornalista norte-americana\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@ashadornfest\/this-is-what-happens-when-we-stop-paying-for-quality-journalism-9be9c8d49dea#.pap2knt28\" target=\"_blank\">Asha Dornfest<\/a>\u00a0recomenda nove medidas para que as pessoas n\u00e3o se deixem manipular por suas pr\u00f3prias prefer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Pare de usar o Facebook como fonte prim\u00e1ria de not\u00edcias;<br \/>\n\u2013 Assine um jornal local;<br \/>\n\u2013 Assine um jornal nacional;<br \/>\n\u2013 Acesse informa\u00e7\u00f5es de ao menos uma fonte que n\u00e3o reflita suas vis\u00f5es pol\u00edticas;<br \/>\n\u2013 Leia ao menos uma fonte de not\u00edcias dedicada \u00e0 cobertura internacional;<br \/>\n\u2013 Aprenda a identificar not\u00edcias falsas;<br \/>\n\u2013 Conecte-se pessoalmente com sua comunidade local;<br \/>\n\u2013 Comprometa-se a fazer gentilezas todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Administradores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aviso foi dado h\u00e1 alguns anos. 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