{"id":8071,"date":"2017-01-02T10:50:39","date_gmt":"2017-01-02T13:50:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=3790"},"modified":"2017-01-02T10:50:39","modified_gmt":"2017-01-02T13:50:39","slug":"por-que-o-pais-parou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/por-que-o-pais-parou\/","title":{"rendered":"Por que o pa\u00eds parou?"},"content":{"rendered":"<style type=\"text\/css\"><!--\np.p1 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 18.0px Georgia; color: #1b1b1b; -webkit-text-stroke: #1b1b1b}\nspan.s1 {font-kerning: none; background-color: #fbfbfb}\nspan.s2 {font-kerning: none; background-color: #fbfbfb; direction: ltr; unicode-bidi: embed}\n--><\/style>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/thumb-og.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-3791 aligncenter\" alt=\"thumb-og\" src=\"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/thumb-og-1024x537.png\" width=\"625\" height=\"327\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 uma perda potencial de investimentos em infraestrutura e capacidade produtiva em curso. De acordo com a s\u00e9rie hist\u00f3rica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), a inten\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios em investir caiu cinco pontos percentuais do PIB em apenas tr\u00eas anos, considerando valores atualizados pela infla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo acumulado em 12 meses, as consultas apresentadas ao banco somaram R$ 430 bilh\u00f5es em meados de 2013 e hoje est\u00e3o em R$ 116 bilh\u00f5es. Os desembolsos, por sua vez, chegaram a ter peso direto equivalente a quatro pontos do PIB e hoje s\u00e3o inferiores a dois pontos.<br \/>\nOutra perda vem dos pagamentos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC). Para 2017, o or\u00e7amento aprovado pelo Congresso \u00e9 de R$ 37,2 bilh\u00f5es, metade dos R$ 73 bilh\u00f5es injetados por ele no seu auge (12 meses encerrados em setembro de 2014).<br \/>\n<b><i>Recess\u00e3o &#8220;mista&#8221; tamb\u00e9m torna a sa\u00edda mais dif\u00edcil<\/i><\/b><br \/>\nAl\u00e9m do custo controverso, a pol\u00edtica de financiamento subsidiado adotada no primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) parece ter tido o efeito de antecipar investimentos e elevar a capacidade produtiva do pa\u00eds logo na v\u00e9spera da recess\u00e3o. Quando a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento come\u00e7ou, v\u00e1rios setores (automotivo, por exemplo) sa\u00edam de um expressivo ciclo de investimentos durante o qual ampliaram seu potencial de produ\u00e7\u00e3o de olho em uma demanda futura. Ela n\u00e3o veio, mas deixou a d\u00edvida.<br \/>\nNa m\u00e9dia, a ind\u00fastria brasileira est\u00e1 com um quarto da capacidade de produ\u00e7\u00e3o ociosa. \u00c9 como se uma f\u00e1brica pudesse produzir 100 cal\u00e7as jeans a cada hora, mas produz apenas 75. Em contas de padaria, at\u00e9 que a demanda cres\u00e7a 30%, ela n\u00e3o precisar\u00e1 ampliar a capacidade produtiva. E quando investir, o far\u00e1 em m\u00e1quinas mais modernas, cuja opera\u00e7\u00e3o demanda menos m\u00e3o de obra.<br \/>\nSe o setor privado opera com ociosidade, se o BNDES vai emprestar menos, se o PAC encolhe diante do ajuste fiscal, e se o investidor externo quer hedge cambial para entrar em concess\u00f5es de infraestrutura, de onde podem vir recursos para puxar a economia pelo investimento? Ou que outro motor pode ser acionado?<br \/>\nConsulta das rep\u00f3rteres Tainara Machado, Ar\u00edcia Martins e Camilla Veras Mota, para o Valor Data, junto a 24 consultorias e departamentos econ\u00f4micos de institui\u00e7\u00f5es financeiras, mostrou que eles projetam, na m\u00e9dia, um crescimento de 0,6% do PIB em 2017 &#8211; as estimativas variam desde nova retra\u00e7\u00e3o de 0,2% at\u00e9 um crescimento de 2,1%.<br \/>\nPor tr\u00e1s da dispers\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es est\u00e1 uma dificuldade em entender o que realmente fez a economia desabar mais de 7% em dois anos, por que a recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica esperada n\u00e3o aconteceu e de onde pode vir o crescimento futuro.<br \/>\nEm 18 de mar\u00e7o de 2016, em artigo publicado no <b>Valor<\/b>, o professor e coordenador do Centro de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Insper, Naercio Menezes Filho, trouxe para o debate um ponto extremamente interessante.<br \/>\nSob o t\u00edtulo de &#8220;Por que o pa\u00eds parou&#8221; &#8211; que essa coluna assumidamente plagia -, ele ponderava que o Brasil &#8220;est\u00e1 passando por uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as institucionais que est\u00e3o provocando uma mudan\u00e7a brusca no jeito de fazer neg\u00f3cios no Brasil que est\u00e1 deixando alguns dos atores-chave da economia brasileira paralisados. Essas mudan\u00e7as, que come\u00e7aram com o julgamento do &#8216;mensal\u00e3o&#8217;, continuaram com a proibi\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o de empresas privadas para as campanhas eleitorais e prosseguem com a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, est\u00e3o mudando o jeito como o pa\u00eds funciona. O governo n\u00e3o est\u00e1 conseguindo fazer uma transi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para um novo modus operandi&#8221;, escreveu ele.<br \/>\nO professor do Insper lembrava que no Brasil sempre existiu uma rela\u00e7\u00e3o estreita entre uma parcela dos empres\u00e1rios e a burocracia estatal. &#8220;Esse modelo econ\u00f4mico foi sendo constru\u00eddo ao longo de 500 anos e ningu\u00e9m sabe o que fazer agora que ele est\u00e1 desmoronando&#8221;, apontou, antes de come\u00e7ar a relacionar quais pol\u00edticas econ\u00f4micas teriam que ser adotadas para que o pa\u00eds volte a crescer.<br \/>\nO ponto levantado por Menezes Filho sugere que o crescimento do PIB foi retardado porque n\u00e3o apenas fatores conjunturais e erros de pol\u00edtica econ\u00f4mica se misturaram para compor a pior recess\u00e3o da hist\u00f3ria brasileira, mas quest\u00f5es estruturais est\u00e3o na mesa e precisam ser revistas.<br \/>\nO mix da atual recess\u00e3o &#8211; pol\u00edticas macroecon\u00f4micas equivocadas, fatores conjunturais, crise pol\u00edtica e mudan\u00e7a estrutural &#8211; torna mais dif\u00edcil estimar quando, quanto e como o pa\u00eds vai voltar a crescer. O governo vinha apostando em medidas de longo prazo, mas na semana passada titubeou.<br \/>\nAs press\u00f5es pol\u00edticas e as pesquisas que mostraram a queda (e a baix\u00edssima popularidade do presidente Michel Temer) levaram ao an\u00fancio de medidas para ajudar o PIB. O agrado ao eleitor e o foco no consumo, que marcaram a gest\u00e3o anterior e foram tantas vezes criticados por integrantes da atual equipe econ\u00f4mica, est\u00e3o por tr\u00e1s do saque das contas inativas do FGTS, da redu\u00e7\u00e3o dos juros do cart\u00e3o do cr\u00e9dito e do fim da proibi\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio praticar pre\u00e7os diferenciados para vendas \u00e0 vista.<br \/>\nA regra do teto de gastos vai em outra dire\u00e7\u00e3o, mas sua efic\u00e1cia vai depender de como for implementada. O governo deveria aproveit\u00e1-la para rever tamb\u00e9m a chamada &#8220;bolsa empres\u00e1rio&#8221;. A conta da ren\u00fancia fiscal e dos gastos da Uni\u00e3o com subs\u00eddios j\u00e1 passa de 5% do PIB, mas nesses seis meses de governo Temer, de novo, diferentes setores foram \u00e0 Bras\u00edlia pedir algum tipo de nova &#8220;ajuda&#8221; ou pressionar para que as antigas n\u00e3o fossem descontinuadas. A maioria saiu de m\u00e3os abanando, mas j\u00e1 estavam cheias.<br \/>\nH\u00e1 nove meses, Menezes Filho, no referido artigo, deu uma contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 receita do crescimento que passava por regras claras para todos, fortalecimento das ag\u00eancias reguladoras, reavalia\u00e7\u00e3o de todas as pol\u00edticas de incentivo ao desenvolvimento regional e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e aumento da concorr\u00eancia internacional, diminuindo as barreiras tarif\u00e1rias para o com\u00e9rcio, com manuten\u00e7\u00e3o dos percentuais m\u00ednimos de gastos p\u00fablicos em sa\u00fade, e educa\u00e7\u00e3o, mesmo com ajuste fiscal, para garantir igualdade de oportunidade para todos os brasileiros. Esse era apenas o come\u00e7o da sua lista, cujo cerne era o Brasil migrar para um capitalismo menos atrelado ao Estado.<br \/>\nFonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma perda potencial de investimentos em infraestrutura e capacidade produtiva em curso. 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