{"id":8105,"date":"2017-06-19T09:32:27","date_gmt":"2017-06-19T12:32:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=4054"},"modified":"2017-06-19T09:32:27","modified_gmt":"2017-06-19T12:32:27","slug":"mitos-e-verdades-sobre-viver-de-dividendos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/mitos-e-verdades-sobre-viver-de-dividendos\/","title":{"rendered":"Mitos e verdades sobre viver de dividendos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" alt=\"Resultado de imagem para dividendos\" src=\"http:\/\/viverdeinvestimento.com\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/pagar-se-por-primeiro.jpg\" \/>\u00c9 o sonho de muitas pessoas viver da renda proporcionada pelos dividendos. E alguns conseguem. Mas o montante de dividendos recebidos \u00e9 a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o a ser observada? Montar uma carteira de dividendos \u00e9 um bom investimento?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suponhamos o caso de uma pessoa com gasto mensal de R$ 30 mil que tenha investido R$ 7,2 milh\u00f5es em uma a\u00e7\u00e3o com um retorno anual de dividendos de 5%. Esse investidor consegue ter suas despesas cobertas pelo recebimento de dividendos. Mas esse investimento superou o \u201ccusto de oportunidade\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao investirmos em a\u00e7\u00f5es \u00e9 importante observarmos a rentabilidade de um ativo livre de risco. Esse \u00e9 o custo de oportunidade. No caso brasileiro, ele \u00e9 dado pela taxa Selic, que hoje est\u00e1 em 11,5% ao ano. Pode\u00ad-se obter essa rentabilidade comprando um t\u00edtulo p\u00fablico federal conhecido como LFT. Levando-\u00adse em conta o imposto de renda (IR), cuja al\u00edquota varia de 15% a 22,5% dependendo do prazo do investimento, o retorno cai para a faixa de 8,9% a 9,8% anuais, ainda assim superior ao proporcionado pelos dividendos. Logo, somente os dividendos, nesse caso, n\u00e3o tornam a aplica\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es atrativa. \u00c9 necess\u00e1rio que haja tamb\u00e9m um ganho de capital, a diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o de venda e o de aquisi\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mais. N\u00e3o basta que os ativos apresentem a mesma rentabilidade. O ganho obtido com a\u00e7\u00f5es deve apresentar um pr\u00eamio sobre a rentabilidade das LFTs, chamado de <em>\u201cequity\u00adrisk premium<\/em>\u201d, pois o mercado acion\u00e1rio \u00e9 mais arriscado. No Brasil, n\u00e3o h\u00e1 estudos a respeito. O professor Aswath Damodaran, da New York University, disponibiliza em seu site o c\u00e1lculo do \u201cequity\u00adrisk premium\u201d para o mercado acion\u00e1rio americano. Em novembro, ele encontrava-\u00adse em 6,49% ao ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto a ser destacado em uma carteira de dividendos \u00e9 que algumas a\u00e7\u00f5es que a comp\u00f5em podem apresentar baixa liquidez. Portanto, a forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o acaba sendo deficiente, o que impede um c\u00e1lculo apurado do \u201c<em>dividend yield<\/em>\u201d. Sem contar que, caso o investidor necessite dos recursos, ele tende a vender suas a\u00e7\u00f5es com desconto devido ao maior spread, ou seja, diferen\u00e7a entre o pre\u00e7o de compra e de venda do papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a pol\u00edtica de dividendos das empresas n\u00e3o \u00e9 imut\u00e1vel. Veja o caso de Eletropaulo (ELPL4). Na divulga\u00e7\u00e3o do resultado do segundo trimestre de 2011 (em 10 de agosto), a companhia informou que reduziria o percentual de dividendos a ser distribu\u00eddo sobre o lucro (\u201cpay\u00adout ratio\u201d), pois considerava que boa parte do resultado do primeiro semestre n\u00e3o havia sido recorrente, ou seja, n\u00e3o iria se repetir no futuro. A empresa havia se beneficiado do d\u00f3lar depreciado, que reduziu as despesas com energia de Itaipu que s\u00e3o dolarizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda a expectativa de que as tarifas da concession\u00e1ria se reduzam na pr\u00f3xima revis\u00e3o. Por causa do an\u00fancio, a a\u00e7\u00e3o caiu 5,4% no dia 11, enquanto o Ibovespa subiu 3,79%. A perda de capital nesse dia \u201ccomeu\u201d boa parte do rendimento oriundo dos dividendos do ano. Interessante dizer que a ELPL teve problemas financeiros no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000 e, naquela ocasi\u00e3o, a companhia n\u00e3o era uma boa pagadora de dividendos. O mundo d\u00e1 voltas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro caso interessante \u00e9 o de Transmiss\u00e3o Paulista (TRPL4). Cerca de 70% de suas concess\u00f5es vencem em 2015. Ningu\u00e9m ainda sabe ao certo o que ocorrer\u00e1. Caso a TRPL tenha que pagar uma tarifa ao \u00f3rg\u00e3o concedente, a gera\u00e7\u00e3o de caixa ser\u00e1 reduzida, o que poder\u00e1 impactar negativamente o pagamento dos dividendos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00e7\u00f5es de companhias com pol\u00edtica de dividendos agressiva devem fazer parte do portf\u00f3lio de qualquer investidor. Mas os dividendos pagos n\u00e3o podem ser o \u00fanico par\u00e2metro. O ideal \u00e9 ter uma carteira balanceada, incluindo a\u00e7\u00f5es defensivas e\u00a0c\u00edclicas. As c\u00edclicas tendem a apresentar melhor desempenho na recupera\u00e7\u00e3o dos mercados. Al\u00e9m disso, as companhias geradoras de caixa podem passar por infort\u00fanios ao longo do tempo e, como conseq\u00fc\u00eancia, alterar sua pol\u00edtica de dividendos. Por fim, compare anualmente a rentabilidade de sua carteira (dividendos + ganho\/perda de capital) vis-\u00ad\u00e0-\u00advis o custo de oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 o sonho de muitas pessoas viver da renda proporcionada pelos dividendos. E alguns conseguem. 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