{"id":8116,"date":"2017-10-30T12:57:56","date_gmt":"2017-10-30T15:57:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=4260"},"modified":"2017-10-30T12:57:56","modified_gmt":"2017-10-30T15:57:56","slug":"falta-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/falta-crise\/","title":{"rendered":"Falta crise?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva \u00e9 que tenhamos uma Selic real de menos de 3%. O potencial transformador dos juros baixos \u00e9 muito grande. Depois de tanto tempo de juros altos, \u00e9 natural que tenhamos esquecido o potencial de um impulso monet\u00e1rio corretamente aplicado. S\u00e3o v\u00e1rios os canais de transmiss\u00e3o do juro baixo \u00e0 atividade econ\u00f4mica, envolvendo principalmente o custo dos empr\u00e9stimos, os pre\u00e7os de ativos e a taxa de c\u00e2mbio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que tenhamos spreads banc\u00e1rios muito elevados, a queda dos juros deve continuar reduzindo o custo dos empr\u00e9stimos. O gr\u00e1fico mostra o comportamento da taxa m\u00e9dia de empr\u00e9stimos para pessoas f\u00edsicas, com recursos livres (escala \u00e0 direita). Note como a s\u00e9rie da taxa dos empr\u00e9stimos para pessoas f\u00edsicas tende a seguir a s\u00e9rie de taxa de juros de um ano (defasada em tr\u00eas meses, escala \u00e0 esquerda)1 . Tudo se passa como se os bancos utilizassem a taxa de juros de um ano como base para a &#8220;produ\u00e7\u00e3o&#8221; do empr\u00e9stimo, adicionando \u00e0 taxa de um ano seus custos operacionais, impostos, perdas previstas e lucros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Sem-t\u00edtulo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4261\" alt=\"Sem t\u00edtulo\" src=\"http:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Sem-t\u00edtulo.jpg\" width=\"761\" height=\"429\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A correla\u00e7\u00e3o entre as duas s\u00e9ries \u00e9 evidente, mas ela parece se quebrar a partir de abril de 2016, quando a taxa de um ano come\u00e7a a despencar, mas a taxa de empr\u00e9stimos para pessoas f\u00edsicas permanece em eleva\u00e7\u00e3o. S\u00f3 quase um ano depois, em mar\u00e7o de 2017, a taxa de empr\u00e9stimos volta a acompanhar a queda da taxa de um ano. Ainda que n\u00e3o saibamos exatamente por que tal correla\u00e7\u00e3o foi interrompida, o fato \u00e9 que a taxa de juros para pessoa f\u00edsica est\u00e1 em queda e tal movimento deve prosseguir, assim contribuindo para a retomada da atividade. Os volumes de empr\u00e9stimos tamb\u00e9m est\u00e3o voltando a crescer, pelo menos nos bancos privados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, o aumento dos pre\u00e7os dos ativos, como bem demonstrado pelo avan\u00e7o do Ibovespa, estimula o investimento. A taxa de c\u00e2mbio mant\u00e9m-se em patamares compat\u00edveis com a atividade exportadora, o que vem ajudando a trazer excelentes resultados para as contas externas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo pareceria indicar que a recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica poderia se transformar em um per\u00edodo mais duradouro de crescimento econ\u00f4mico, n\u00e3o fosse a enorme incerteza pol\u00edtica que ainda vivemos. O problema continua sendo que, sem reformas estruturais, notadamente a da Previd\u00eancia, a d\u00edvida p\u00fablica seguir\u00e1 em sua atual trajet\u00f3ria explosiva, ao fim e ao cabo, revertendo a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que ora vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo Temer , em que pese a excelente equipe econ\u00f4mica, tem gasto todo seu capital pol\u00edtico para manter seus l\u00edderes pol\u00edticos fora da cadeia. Isto\u00a0vem inviabilizando o avan\u00e7o de novas medidas de m\u00e9dio prazo para a\u00a0melhora fiscal, al\u00e9m de prejudicar a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas no curto prazo. N\u00e3o obstante, o otimismo que ora grassa no mercado financeiro v\u00ea nas dificuldades atualmente enfrentadas pela agenda de reformas a imin\u00eancia de pretensamente inevit\u00e1veis avan\u00e7os futuros. Propalam-se aforismos segundo os quais a reforma da Previd\u00eancia ter\u00e1 que ser feita, mais cedo ou mais tarde, pois os atuais benef\u00edcios s\u00e3o impag\u00e1veis a m\u00e9dio prazo. Sim, s\u00e3o impag\u00e1veis, mas a reforma ter\u00e1 que advir de complexa negocia\u00e7\u00e3o, que exigir\u00e1 for\u00e7a pol\u00edtica e dedica\u00e7\u00e3o, algo que n\u00e3o parece vi\u00e1vel no atual governo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E no governo que emergir\u00e1 das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es? Ser\u00e1 que elegeremos um governo que consiga articular a agenda reformista indispens\u00e1vel para a retomada do crescimento? Ou ser\u00e1 que precisaremos abortar a atual recupera\u00e7\u00e3o para criar as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para o avan\u00e7o das reformas? Em passado n\u00e3o t\u00e3o remoto, para acabarmos com a hiperinfla\u00e7\u00e3o, depois que todos os demais pa\u00edses acometidos desse mal j\u00e1 o haviam feito, precisamos de seis planos fracassados e muitos anos de sofrimento. Vamos ter que passar por isso de novo? Falta crise<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A perspectiva \u00e9 que tenhamos uma Selic real de menos de 3%. O potencial transformador dos juros baixos \u00e9 muito grande. 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