{"id":8160,"date":"2019-01-30T15:25:24","date_gmt":"2019-01-30T17:25:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=5073"},"modified":"2019-01-30T15:25:24","modified_gmt":"2019-01-30T17:25:24","slug":"inovacao-vai-reduzir-o-custo-do-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/inovacao-vai-reduzir-o-custo-do-credito\/","title":{"rendered":"Inova\u00e7\u00e3o vai reduzir o custo do cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 essencial que a agenda de est\u00edmulo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o financeira seja mantida no novo governo. Este ser\u00e1 um dos principais fatores para a redu\u00e7\u00e3o no custo de cr\u00e9dito. Como se sabe, o Brasil possui um dos spreads banc\u00e1rios mais altos do mundo. A diferen\u00e7a de 39,6% entre o custo de capta\u00e7\u00e3o dos bancos e o que cobram ao emprestar esses recursos coloca o pa\u00eds na inc\u00f4moda posi\u00e7\u00e3o de recordista mundial, segundo estudo do Banco Mundial de 2016. Perdemos apenas para Madag\u00e1scar (45%), uma ilha na \u00c1frica com uma economia que n\u00e3o chega a 1% do tamanho da nossa.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Custo do Cr\u00e9dito (ICC), calculado pelo Banco Central, mostra que o spread banc\u00e1rio pode ser explicado, em ordem decrescente de grandeza, por inadimpl\u00eancia, custos administrativos, impostos e margem financeira. O aspecto concorrencial afeta este \u00faltimo componente por meio do lucro dos bancos. A inova\u00e7\u00e3o \u00e9 o caminho mais curto para introduzir concorr\u00eancia no sistema financeiro brasileiro, proporcionando cr\u00e9dito mais barato para empresas e fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O Relat\u00f3rio de Economia Banc\u00e1ria de setembro de 2017, do Banco Central, diz que &#8220;a maior concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, por si s\u00f3, n\u00e3o causa spreads elevados&#8221;. Como mostra o estudo, h\u00e1 pa\u00edses com elevada concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, como Finl\u00e2ndia e Holanda, que possuem spreads banc\u00e1rios menores do que pa\u00edses com baixo n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o, como Alemanha e It\u00e1lia. De fato, desde a grande crise financeira de 2008, a concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria aumentou em todo o mundo, sem que os spreads banc\u00e1rios necessariamente crescessem.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 certo que o aumento da competi\u00e7\u00e3o reduz spreads. Por essa raz\u00e3o, &#8220;ampliar a concorr\u00eancia \u00e9 prioridade e se insere no pilar &#8216;cr\u00e9dito mais barato&#8217; da Agenda BC+&#8221; do Banco Central, registra o Relat\u00f3rio. Diz o trabalho que o BC &#8220;tem se empenhado em aumentar a concorr\u00eancia como uma das formas de reduzir o custo de cr\u00e9dito. De maneira mais ampla, o BCB tem trabalhado para reduzir o custo de cr\u00e9dito de maneira estrutural e sustent\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do BC aponta que o Brasil tem a segunda maior concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria entre as suas cinco maiores institui\u00e7\u00f5es financeiras em uma lista de 20 pa\u00edses. A Holanda fica em primeiro lugar, com 89% dos ativos nesse grupo de cinco bancos. Em seguida, vem o Brasil e a Fran\u00e7a, com 82%. Nos Estados Unidos, esse \u00edndice \u00e9 de apenas 43%. Na Alemanha, 35%. Na \u00cdndia, 36%.<\/p>\n<p>A Agenda BC+ envolve medidas para aumentar a disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras, adaptar a regula\u00e7\u00e3o de acordo com o porte da institui\u00e7\u00e3o, fomentar a portabilidade dos empr\u00e9stimos, facilitar o acesso ou mudan\u00e7a de institui\u00e7\u00e3o pelas clientes e incentivar inova\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>O ecossistema de startups intensivas no uso de tecnologia financeira, as chamadas fintechs, \u00e9 diversificado e tem apresentado crescimento. O Radar FintechLab, editado em 2018 registrou 453 empresas atuantes no Brasil, al\u00e9m de cinco bancos digitais. S\u00e3o companhias que pretendem inovar nos segmentos de pagamentos, gest\u00e3o financeira, empr\u00e9stimos, investimentos, financiamento privado, seguros, negocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, criptoativos e processo cont\u00e1bil.<\/p>\n<p><strong><cite dir=\"ltr\">Uma das maiores fontes de inova\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 o mercado de investimentos em d\u00edvida privada<\/cite><\/strong><\/p>\n<p>Uma das maiores fontes de inova\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 o mercado de investimentos em d\u00edvida privada (private debt). Levantamento da Preqin, empresa de pesquisas em investimentos alternativos, mostra que os fundos de d\u00edvida privada devem dobrar de tamanho de 2017 a 2023, chegando a US$ 1,4 trilh\u00e3o em ativos.<\/p>\n<p>O objetivo desses fundos de d\u00edvida privada \u00e9 unir investidores que tem apetite para esse tipo de risco e est\u00e3o buscando retornos maiores diretamente a quem precisa dos recursos. No mundo, este mercado j\u00e1 representa quase US$ 700 bilh\u00f5es. No Brasil, est\u00e1 nascendo.<\/p>\n<p>Os fundos de d\u00edvida privada possuem algumas caracter\u00edsticas que refor\u00e7am a inova\u00e7\u00e3o financeira. Em primeiro lugar, tem a possibilidade de dar cr\u00e9dito com base em modelos de risco independentes dos requisitos dos \u00f3rg\u00e3os reguladores, eventualmente acessando bons pagadores que os bancos deixam passar.<\/p>\n<p>Segundo, como a fun\u00e7\u00e3o desses fundos \u00e9 conectar investidores com tomadores de cr\u00e9dito, naturalmente se interessam por mercados nos quais existe demanda pelo lado do tomador e um retorno ajustado ao risco interessante para o investidor. Desta forma, este modelo usa os fundamentos econ\u00f4micos de oferta e demanda para alocar capital de forma eficiente no mercado de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, o desenvolvimento de qualquer novo produto pelos grandes bancos requer um n\u00edvel de investimento relativamente elevado. Isso dificulta a aprova\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento de produtos direcionados para mercados menores. Como os gestores dos fundos de investimentos em d\u00edvida privada contam com uma estrutura mais leve do que os bancos, fica interessante para eles tentar atender as necessidades desses nichos, ajudando na diversidade de produtos de cr\u00e9dito dispon\u00edveis no mercado de forma geral.<\/p>\n<p>Como os fundos de investimentos em d\u00edvida privada ainda representam uma fatia pequena do mercado, eles s\u00e3o o que chamamos em economia de &#8220;price takers&#8221; ou tomadores de pre\u00e7o, ao contr\u00e1rio dos grandes bancos, que s\u00e3o &#8220;price setters&#8221; ou determinadores de pre\u00e7os. Diante desta realidade, os pre\u00e7os banc\u00e1rios servem como teto para os fundos de d\u00edvida privada, e assim, necessariamente precisam oferecer um pre\u00e7o, no m\u00ednimo igual, e mais provavelmente menor, do que aquilo oferecido pelos bancos.<\/p>\n<p>Com respeito ao custo, \u00e9 importante lembrar que o modelo mais puro de d\u00edvida privada busca desintermediar o mercado de cr\u00e9dito. O modelo de neg\u00f3cios de intermedia\u00e7\u00e3o dos bancos busca ganhar spread, ou seja, a diferen\u00e7a entre o custo de capital e o seu pre\u00e7o (equivalente a diferen\u00e7a entre o que \u00e9 pago ao poupador ou correntista e o que \u00e9 cobrado do tomador de um empr\u00e9stimo).<\/p>\n<p>J\u00e1 os fundos de d\u00edvida privada trabalham em um modelo de desintermedia\u00e7\u00e3o, que passa toda a rentabilidade da carteira (menos custos e inadimpl\u00eancia) para os seus investidores. Os gestores respons\u00e1veis pelas atividades de gerenciamento desta carteira de ativos de cr\u00e9dito ganham um fee. Desta forma, um modelo de desintermedia\u00e7\u00e3o n\u00e3o cria grandes incentivos para maximizar o custo de cr\u00e9dito para elevar receitas. Alternativamente, um modelo de desintermedia\u00e7\u00e3o maximiza receitas ao buscar o pre\u00e7o de compensa\u00e7\u00e3o de mercado (o market-clearing price) onde o retorno final do investidor compensa o risco e iliquidez do seu investimento para o maior n\u00famero de investidores.<\/p>\n<p>Dentro de um contexto da taxa Selic historicamente baixa, este modelo apresenta benef\u00edcios n\u00e3o somente para tomadores com a possibilidade de trazer novos produtos e custos mais atraentes, mas tamb\u00e9m para investidores, que precisam diversificar suas carteiras para conseguir entregar os mesmos retornos que j\u00e1 est\u00e3o acostumados.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Economico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 essencial que a agenda de est\u00edmulo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o financeira seja mantida no novo governo. 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