{"id":8179,"date":"2019-05-09T09:42:52","date_gmt":"2019-05-09T12:42:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=5173"},"modified":"2019-05-09T09:42:52","modified_gmt":"2019-05-09T12:42:52","slug":"dificuldade-em-exportar-evidencia-baixa-competitividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/dificuldade-em-exportar-evidencia-baixa-competitividade\/","title":{"rendered":"Dificuldade em exportar evidencia baixa competitividade"},"content":{"rendered":"\n<p>Um dos sinais mais gritantes da falta de competitividade da ind\u00fastria brasileira \u00e9 o mau desempenho das exporta\u00e7\u00f5es de produtos manufaturados. Em 2018, o volume exportado desses bens cresceu apenas 2,8%, ficando ainda 14,2% abaixo do n\u00edvel m\u00e1ximo atingido em 2007. Em resumo, a quantidade de produtos manufaturados vendidos ao exterior no ano passado foi quase 15% menor do que o registrado h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, segundo n\u00fameros da Funda\u00e7\u00e3o Centro de Estudos de Com\u00e9rcio Exterior (Funcex). Mudar esse quadro \u00e9 um dos grandes desafios da ind\u00fastria nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, e ser\u00e1 um grande term\u00f4metro para verificar se o segmento voltou a se tornar mais competitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 verdade que o impacto da crise da Argentina \u00e9 forte, mas o problema est\u00e1 longe de ser apenas isso&#8221;, diz Julio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Ainda que a recess\u00e3o no pa\u00eds vizinho ajude a explicar a falta de f\u00f4lego das vendas de manufaturados do pa\u00eds, o problema vai muito al\u00e9m disso, avalia Almeida. &#8220;O desempenho atual \u00e9 uma l\u00e1stima.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse quadro de falta de competitividade, o pa\u00eds n\u00e3o tem no mercado externo uma v\u00e1lvula de escape em caso de forte desacelera\u00e7\u00e3o da economia dom\u00e9stica, segundo ele. Boa parte das empresas industriais enfrenta muitas dificuldades para concorrer no exterior, n\u00e3o conseguindo exportar uma parcela maior da produ\u00e7\u00e3o quando a demanda interna cai. &#8220;Quando havia crise no mercado interno, as empresas buscavam a op\u00e7\u00e3o de um mercado mais forte no exterior&#8221;, diz Almeida. &#8220;Era como se fosse um estabilizador autom\u00e1tico. Isso n\u00e3o ocorre mais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O economista Paulo Morceiro diz que o pa\u00eds perde uma fonte de crescimento adicional por ter uma ind\u00fastria pouco competitiva. Grande parte das empresas industriais brasileiras n\u00e3o conseguem competir no mercado externo. Pesquisador do N\u00facleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de S\u00e3o Paulo (Nereus), Morceiro observa que, desse modo, o Brasil deixa de se beneficiar do dinamismo da economia de outras economias. &#8220;\u00c9 o que os pa\u00edses asi\u00e1ticos fazem&#8221;, diz ele, tamb\u00e9m pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe) da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, o Brasil viu encolher a sua participa\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es globais de produtos manufaturados nas \u00faltimas d\u00e9cadas. No come\u00e7o dos anos 1980, essa fatia chegou a ser ligeiramente superior a 1%. Em 2017, o percentual estava em 0,61%, de acordo com n\u00fameros da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) calculados com base em estat\u00edsticas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Morceiro, uma das medidas fundamentais para tirar a ind\u00fastria da crise em que se encontra \u00e9 justamente estimular exporta\u00e7\u00f5es. Isso passa por mecanismos de financiamento das vendas externas, por acordos comerciais que ampliem o acesso dos produtos brasileiros a novos mercados e por impedir a sobrevaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio por longos per\u00edodos, na vis\u00e3o de Morceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A baixa produtividade da economia brasileira \u00e9 uma das causas da cr\u00f4nica dificuldade da ind\u00fastria do pa\u00eds competir no exterior. O Iedi destaca estudo da consultoria McKinsey sobre os ganhos de efici\u00eancia em v\u00e1rias economias. De 1990 a 2018, a produtividade do trabalho no Brasil cresceu a uma m\u00e9dia de apenas 1,3% ao ano. Mesmo nos EUA, &#8220;onde a produtividade j\u00e1 \u00e9 bastante elevada&#8221;, o crescimento m\u00e9dio foi maior do que no Brasil, alcan\u00e7ando o ritmo de 1,9% ao ano, nota o Iedi.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas quase tr\u00eas d\u00e9cadas, os ganhos de efici\u00eancia de v\u00e1rios outros pa\u00edses emergentes foram muito maiores que no Brasil. Na China, a produtividade do trabalho avan\u00e7a com muita for\u00e7a, a um ritmo de quase 9% anuais. Desse modo, ela j\u00e1 est\u00e1 muito pr\u00f3ximo do n\u00edvel brasileiro. &#8220;\u00cdndia, Chile e R\u00fassia tamb\u00e9m se sa\u00edram melhor que o Brasil&#8221;, nota o Iedi. A produtividade indiana cresceu 5% anuais de 1990 a 2018, enquanto a chilena subiu 3% e a russa, 1,5%, de acordo com os n\u00fameros da McKinsey.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O pior \u00e9 que o problema corre o risco de se agravar&#8221;, adverte o Iedi. &#8220;Com as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas em curso no mundo, o esfor\u00e7o para reverter esse quadro da produtividade brasileira pode se tornar cada vez maior.&#8221; Pelo estudo da McKinsey, o n\u00edvel da produtividade brasileira ainda \u00e9 superior ao da China e da \u00cdndia, embora tenda a ser rapidamente superado pela primeira, dado que a efici\u00eancia pouco avan\u00e7a por aqui, ao passo que dispara na economia chinesa. Chile e R\u00fassia j\u00e1 s\u00e3o mais produtivos no trabalho do que o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma economia de baixa produtividade cresce pouco e tem dificuldades para exportar. Os n\u00fameros da McKinsey d\u00e3o uma ideia das dificuldades do Brasil para se tornar mais eficiente e ser mais competitivo no mercado externo nos pr\u00f3ximos 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos sinais mais gritantes da falta de competitividade da ind\u00fastria brasileira \u00e9 o mau desempenho das exporta\u00e7\u00f5es de produtos manufaturados. 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