{"id":8206,"date":"2019-07-05T09:44:04","date_gmt":"2019-07-05T12:44:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=5266"},"modified":"2019-07-05T09:44:04","modified_gmt":"2019-07-05T12:44:04","slug":"cenario-externo-uma-repeticao-de-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/cenario-externo-uma-repeticao-de-2018\/","title":{"rendered":"Cen\u00e1rio externo: uma repeti\u00e7\u00e3o de 2018?"},"content":{"rendered":"\n<p>At\u00e9 recentemente, eram raros aqueles que consideravam o ambiente externo como uma fonte importante de risco para os mercados dom\u00e9sticos neste ano. Essa aparente falta de preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos riscos vindos de fora estava fortemente baseada na cren\u00e7a de que os bancos centrais de pa\u00edses desenvolvidos iriam atuar no sentido de contrapor uma eventual desacelera\u00e7\u00e3o global e seriam capazes de promover um &#8220;pouso suave&#8221;, isto \u00e9, gerenciar uma eventual queda de crescimento econ\u00f4mico sem que suas respectivas economias entrassem em recess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse diagn\u00f3stico, ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 particularmente recente. Desde o final do ano passado os bancos centrais de economias avan\u00e7adas v\u00eam sendo bastante vocais em afirmar que atuariam para evitar a perda de \u00edmpeto de seus respectivos blocos econ\u00f4micos. A consequ\u00eancia para os mercados dessa mudan\u00e7a de postura foi clara, com ativos de risco globais apresentando uma performance espetacular nos primeiros meses do ano. At\u00e9 os ativos brasileiros mesmo com as conhecidas incertezas pol\u00edticas, tamb\u00e9m surfaram essa onda, embora em magnitude menos acentuada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas semanas, no entanto, os acontecimentos globais voltaram a assombrar os investidores locais. O gatilho foi a declara\u00e7\u00e3o por parte dos EUA de que o acordo comercial com a China, que parecia encaminhado, seria adiado em raz\u00e3o de desaven\u00e7as entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>O recrudescimento do atrito entre as duas maiores economias do mundo trouxe novamente \u00e0 tona uma preocupa\u00e7\u00e3o que parecia superada desde a mudan\u00e7a de discurso por parte dos bancos centrais: o receio de recess\u00e3o global.<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia para mercados de risco foi imediata e negativa, com fuga de recursos para mercados considerados &#8220;portos seguros&#8221; pelos investidores (como treasuries e o d\u00f3lar americano, por exemplo). Merece destaque, ali\u00e1s, as quedas acentuadas no mercado de moedas de pa\u00edses emergentes. Nesse per\u00edodo, pa\u00edses t\u00e3o diversos como China, Coreia do Sul, Austr\u00e1lia, \u00c1frica do Sul, Col\u00f4mbia e Chile tiveram suas moedas afetadas negativamente. O real brasileiro n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m se desvalorizou no per\u00edodo, apesar de alguns analistas argumentarem que a causa da fraqueza da nossa moeda foi primordialmente dom\u00e9stica e de natureza pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema est\u00e1, no entanto, posto: as incertezas decorrentes da piora da rela\u00e7\u00e3o comercial entre EUA e China v\u00e3o levar a uma forte desacelera\u00e7\u00e3o da economia global, fortalecendo assim ativos considerados como &#8220;quase livres de risco&#8221;? Ou a atua\u00e7\u00e3o dos bancos centrais poder\u00e1 contrapor uma eventual perda de ritmo dessas economias, favorecendo assim ativos mais arriscados como a\u00e7\u00f5es e moedas emergentes?<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 2018 foi um bom exemplo do que pode acontecer se os investidores continuarem fugindo para ativos seguros como o d\u00f3lar americano, por exemplo. O impacto foi amplo e bem negativo, atingindo n\u00e3o s\u00f3 os mercados acion\u00e1rios globais como tamb\u00e9m o de cr\u00e9dito e de moedas. Ao contr\u00e1rio, o ano de 2017, marcado pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar americano, foi espetacular para ativos de risco globalmente. Muda o ano mas a mensagem dos investidores parece ser a mesma: d\u00f3lar forte \u00e9 prejudicial aos mercados de risco globais e aos pa\u00edses emergentes em particular.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bem verdade que as raz\u00f5es que levaram \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no \u00faltimo m\u00eas s\u00e3o bem diferentes daquelas que influenciaram o comportamento da moeda americana no ano passado. Nesse sentido, alguns analistas argumentam que o movimento do corrente ano \u00e9 menos preocupante pois os bancos centrais j\u00e1 se colocaram dispon\u00edveis para contrapor eventuais quedas no ritmo de crescimento de suas economias.<\/p>\n\n\n\n<p>O que o passado recente nos mostra, no entanto, \u00e9 que n\u00e3o basta que os bancos centrais consigam combater eventuais perdas de dinamismo em suas respectivas economias. \u00c9 fundamental que o fa\u00e7am de maneira coordenada. \u00c9 nesse ponto que aparecem os problemas. Nem todos os bancos centrais possuem a mesma capacidade e os mesmos instrumentos para a tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, o Fed parece possuir alguma flexibilidade e instrumentos para estimular a economia americana, o mesmo n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido para os demais blocos econ\u00f4micos. Particularmente preocupante \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o na Europa, em que a desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mostra-se mais acentuada. Mesmo na China, que possui alguma capacidade de resposta fiscal aos cen\u00e1rios de desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o alto endividamento das empresas imp\u00f5e um grande desafio para que o governo efetivamente consiga realizar um &#8220;pouso suave&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta saber, portanto, se esses mesmos bancos centrais ser\u00e3o capazes de coordenar uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica gradual e, assim, gerar um ambiente econ\u00f4mico marcado por juros ainda muito baixos, crescimento perto do potencial e infla\u00e7\u00e3o sob controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ainda parece ser o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel. Comprometimento por parte das autoridades monet\u00e1rias certamente n\u00e3o falta. Mas n\u00e3o \u00e9 uma tarefa trivial. Se bem executada, n\u00e3o resta d\u00favida que os investidores aplaudir\u00e3o de p\u00e9. Caso contr\u00e1rio, poderemos ver uma repeti\u00e7\u00e3o do ano de 2018, que foi particularmente dif\u00edcil para os investidores globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Clini \u00e9 diretor de investimentos da Western Asset<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 recentemente, eram raros aqueles que consideravam o ambiente externo como uma fonte importante de risco para os mercados dom\u00e9sticos neste ano. 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