{"id":8240,"date":"2019-10-31T10:55:47","date_gmt":"2019-10-31T12:55:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=5406"},"modified":"2025-03-20T09:31:44","modified_gmt":"2025-03-20T12:31:44","slug":"a-expectativa-do-mercado-para-a-economia-brasileira-em-3-graficos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/a-expectativa-do-mercado-para-a-economia-brasileira-em-3-graficos\/","title":{"rendered":"A expectativa do mercado para a economia brasileira em 3 gr\u00e1ficos"},"content":{"rendered":"\n<p>O risco Brasil medido pelo CDS (Credit Default Swap) atingiu na ter\u00e7a-feira (29) o menor n\u00edvel desde maio de 2013. A pontua\u00e7\u00e3o reflete, em linhas gerais, a percep\u00e7\u00e3o que o mercado tem da sa\u00fade financeira de um pa\u00eds e da capacidade que ele ter\u00e1 de pagar as suas d\u00edvidas. Se as expectativas dos agentes quanto ao andamento da economia s\u00e3o positivas, o risco tende a cair. Se as expectativas s\u00e3o de deteriora\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio econ\u00f4mico, o risco tende a subir.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, \u00e9 normal que as perspectivas dos agentes de mercado sejam moldadas a partir do que ocorre tanto na pol\u00edtica quanto na economia. Afinal, os sinais de estabilidade ou turbul\u00eancia na trajet\u00f3ria de um pa\u00eds s\u00e3o importantes na decis\u00e3o de um investidor de colocar ou n\u00e3o dinheiro em determinado mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, a principal pauta da agenda econ\u00f4mica do governo brasileiro, a reforma da Previd\u00eancia, foi aprovada ap\u00f3s tramita\u00e7\u00e3o de sete meses no Congresso. Agora, a prioridade da equipe do presidente Jair Bolsonaro \u00e9 seguir promovendo mudan\u00e7as que visam a atacar o deficit fiscal. Desde 2014, a Uni\u00e3o gasta mais do que arrecada durante o ano \u2013 isso sem contar os gastos com juros da d\u00edvida p\u00fablica. As pr\u00f3ximas mudan\u00e7as no foco do Pal\u00e1cio do Planalto envolvem o pacto federativo, a reforma administrativa e a reforma tribut\u00e1ria. A leitura dos agentes do mercado sobre o momento econ\u00f4mico do Brasil aparece de diversas formas: no pre\u00e7o de pap\u00e9is negociados na bolsa, em \u00edndices e em relat\u00f3rios. Abaixo, o Nexo mostra em tr\u00eas gr\u00e1ficos como est\u00e3o as expectativas do mercado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O Credit Default Swap\u00a0<\/h3>\n\n\n\n<p>O Credit Default Swap n\u00e3o \u00e9 exatamente um \u00edndice de risco, mas ele acaba servindo como um medidor da percep\u00e7\u00e3o dos investidores sobre a economia. <\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, o CDS, como \u00e9 conhecido, \u00e9 um papel que \u00e9 negociado diariamente no mercado. Ele serve como uma esp\u00e9cie de seguro contra inadimpl\u00eancia ou calotes. Como em qualquer seguro, se a percep\u00e7\u00e3o de risco \u00e9 alta, o pre\u00e7o fica mais alto. De forma inversa, se o entendimento \u00e9 de que h\u00e1 pouco risco, o pre\u00e7o do seguro cai. <\/p>\n\n\n\n<p>Quem tem t\u00edtulos da d\u00edvida brasileira pode comprar CDS para tentar evitar preju\u00edzos. Por serem pap\u00e9is que circulam no mercado, seu pre\u00e7o varia de acordo com a oferta e a procura. Quanto mais forte \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de que o Brasil \u00e9 arriscado, maior \u00e9 a procura por esses t\u00edtulos, e mais alto fica o pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">PERCEP\u00c7\u00c3O DE RISCO BAIXO<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/image-8.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5407\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O risco Brasil refletido pelo CDS viu uma escalada a partir da segunda metade de 2014. Segundo o Codace (Comit\u00ea de Data\u00e7\u00e3o de Ciclos Econ\u00f4micos da FGV), a forte recess\u00e3o pela qual passou a economia brasileira come\u00e7ou justamente nessa \u00e9poca, no segundo trimestre de 2014. <\/p>\n\n\n\n<p>A escalada do risco-pa\u00eds teve como \u00e1pice o m\u00eas de dezembro de 2015, quando o processo de impeachment da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff foi aceito na C\u00e2mara dos Deputados. <\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, o grau de investimento do Brasil em ag\u00eancias de risco como Standard and Poor\u2019s e Fitch j\u00e1 havia sido retirado \u2013 dois meses depois, foi a vez da Moody\u2019s. <\/p>\n\n\n\n<p>O risco Brasil come\u00e7ou a cair a partir do primeiro semestre de 2016, momento que ficou marcado pelo avan\u00e7o do impeachment de Dilma, que acabou substitu\u00edda no cargo pelo vice, Michel Temer, em maio daquele ano. Em 2018, a pontua\u00e7\u00e3o do CDS voltou a subir, o que perdurou at\u00e9 o fim do per\u00edodo eleitoral brasileiro. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, o mercado vem reagindo com otimismo \u00e0 agenda econ\u00f4mica do governo Bolsonaro. O risco refletido no CDS observou queda acentuada ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia no Congresso, em 22 de outubro. Isso levou o risco ao menor patamar desde maio de 2013 \u2013 antes das Jornadas de Junho daquele ano e antes tamb\u00e9m do in\u00edcio da recess\u00e3o econ\u00f4mica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O EMBI+ e a diferen\u00e7a de juros<\/h3>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do CDS, o EMBI+ n\u00e3o \u00e9 um papel, e sim um \u00edndice criado pelo banco americano JP Morgan. A sigla representa \u00cdndice de T\u00edtulos de Pa\u00edses Emergentes em ingl\u00eas. <\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice compara os juros pagos pelos t\u00edtulos de d\u00edvida brasileiros (ou de qualquer pa\u00eds que esteja sendo analisado) aos de pap\u00e9is da d\u00edvida americana, considerados de baix\u00edssimo risco. Ao fazer essa compara\u00e7\u00e3o, o EMBI+ mede quanto os investidores exigem de diferencial de rendimentos para emprestar dinheiro ao Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>Quanto maior a percep\u00e7\u00e3o de risco de calote, maior ser\u00e1 esse diferencial. Afinal, se a chance de receber o dinheiro de volta \u00e9 menor, o agente ir\u00e1 cobrar um extra por correr esse risco.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/image-9.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5408\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim como no caso do Credit Default Swap, o risco avaliado pelo EMBI+ tamb\u00e9m teve escalada significativa a partir de 2014, culminando nos primeiros meses de 2016. Tamb\u00e9m houve queda a partir do primeiro semestre de 2016 e aumento durante o per\u00edodo da campanha presidencial de 2018. Mas, ao contr\u00e1rio do CDS, o EMBI+ n\u00e3o teve uma queda t\u00e3o acentuada em 2019. <\/p>\n\n\n\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior \u00e0 recess\u00e3o, o \u00edndice observado em outubro de 2019 est\u00e1 no mesmo patamar do n\u00edvel observado em mar\u00e7o de 2014. As expectativas do mercado com a economia brasileira est\u00e3o melhorando em rela\u00e7\u00e3o a como estavam durante o per\u00edodo da crise.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O relat\u00f3rio Focus<\/h3>\n\n\n\n<p>A cada semana, o Banco Central divulga o relat\u00f3rio Focus, que compila as proje\u00e7\u00f5es de economistas de bancos, corretoras, ag\u00eancias de c\u00e2mbio e de outros participantes do mercado financeiro e do setor empresarial. S\u00e3o mais de 100 opini\u00f5es que s\u00e3o coletadas semanalmente por meio de uma pesquisa feita por um sistema online. <\/p>\n\n\n\n<p>O Focus traz as expectativas do mercado de como o PIB (Produto Interno Bruto), a infla\u00e7\u00e3o, o c\u00e2mbio, a taxa de juros e outros importantes indicadores econ\u00f4micos ter\u00e3o evolu\u00eddo at\u00e9 o final do ano. As perspectivas dos agentes s\u00e3o compiladas tamb\u00e9m para os tr\u00eas anos seguintes. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de mostrar como os mercados esperam que a economia ir\u00e1 se comportar, o relat\u00f3rio Focus registra como essas expectativas evolu\u00edram ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/image-10.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5409\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ao olhar a evolu\u00e7\u00e3o da expectativa do mercado para o n\u00edvel de atividade da economia brasileira, percebe-se que, at\u00e9 mar\u00e7o de 2019, a cren\u00e7a era de que o PIB tivesse um crescimento de cerca de 2,5% no total do ano de 2019. Mas, diferentemente do refletido no CDS e no EMBI+, as expectativas se deterioraram ao longo do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre mar\u00e7o e junho, as expectativas para o PIB brasileiro em 2019 ca\u00edram de um aumento de 2,5% para um aumento na faixa de apenas 0,85%. Nos meses que seguiram, essa perspectiva se estabilizou, observando apenas um leve aumento em agosto e outro no final de outubro, quando a reforma da Previd\u00eancia foi aprovada no Senado. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 as expectativas para o PIB em 2020 tamb\u00e9m estavam em 2,5% at\u00e9 o in\u00edcio de 2019. Entre meados de fevereiro e meados de abril, elas tiveram uma leve melhora, mas logo voltaram ao patamar anterior. A partir de junho, houve uma queda gradual at\u00e9 chegar em setembro ao n\u00edvel de 2%, no qual permaneceu est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Nexo Jornal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O risco Brasil medido pelo CDS (Credit Default Swap) atingiu na ter\u00e7a-feira (29) o menor n\u00edvel desde maio de 2013. 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