{"id":8276,"date":"2020-06-08T14:40:46","date_gmt":"2020-06-08T17:40:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=5626"},"modified":"2020-06-08T14:40:46","modified_gmt":"2020-06-08T17:40:46","slug":"acoes-para-combater-crise-ganham-forca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/acoes-para-combater-crise-ganham-forca\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00f5es para combater crise ganham for\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p>O retrato das companhias no fim de mar\u00e7o envelheceu muito rapidamente com a pandemia de Covid-19. Embora os primeiros efeitos da crise reflitam nos resultados, as empresas come\u00e7aram a mudar os rumos dos neg\u00f3cios. No geral, entre os setores afetados, a mensagem \u00e9 de que o segundo trimestre ser\u00e1 muito ruim em termos de resultados, salvo raras exce\u00e7\u00f5es, com farm\u00e1cias, supermercados, e-commerce e setores ligados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. &#8220;Os resultados deste trimestre est\u00e3o servindo para mostrar como as empresas est\u00e3o se posicionando para atravessar a pandemia. O impacto maior para as empresas ser\u00e1 no segundo trimestre&#8221;, afirma a analista de a\u00e7\u00f5es da XP Investimentos, Betina Roxo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas empresas mais afetadas com a crise, a pandemia e as medidas de isolamento pegar\u00e3o em cheio o segundo trimestre e os efeitos financeiros, a serem observados na pr\u00f3xima temporada de resultados, devem ser muito maiores. &#8220;Entre os setores que podem demorar a se recuperar, listamos o turismo e o a\u00e9reo, pelo fato de as companhias estarem com a maior parte da frota parada e sem previs\u00e3o de retomada no patamar anterior \u00e0 pandemia, o que pode vir a acontecer apenas a partir do segundo semestre de 2021&#8221;, diz o analista da Toro Investimentos Lucas Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais importante do que os n\u00fameros passados, as empresas preocuparam-se em mostrar o que est\u00e3o fazendo em transformar o neg\u00f3cio para o futuro. Os varejistas t\u00eam adiantado n\u00fameros relacionados a vendas do segundo trimestre nas teleconfer\u00eancias desta temporada de balan\u00e7os. Virou pr\u00e1tica comum para mostrar resili\u00eancia na crise e avan\u00e7os nas estrat\u00e9gias digitais.<\/p>\n\n\n\n<p>O GPA, por exemplo, disse que o crescimento do e-commerce em abril e maio tem sido superior ao do primeiro trimestre, que registrou alta de 82%. Al\u00e9m disso, afirmou que as margens do segundo trimestre podem ser maiores que nos tr\u00eas primeiros meses do ano, durante entrevista ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o de resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Empresas ligadas a bens essenciais, como alimentos e medicamentos, devem conseguir apresentar bons resultados no cen\u00e1rio p\u00f3s-Covid-19. As empresas exportadoras, com a recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os da celulose e a resili\u00eancia dos pre\u00e7os de min\u00e9rio, por exemplo, e o d\u00f3lar valorizado ante o real, s\u00e3o outro setor interessante. Empresas que possuem boa estrutura de vendas on-line, da mesma forma, conseguem minimizar os impactos no faturamento da &#8216;venda f\u00edsica'&#8221;, diz Lucas Carvalho, analista da Toro.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor de shopping centers, um dos mais afetados pela pandemia, tende a sentir aumento da inadimpl\u00eancia dos lojistas e poss\u00edveis devolu\u00e7\u00f5es de pontos comerciais, com eleva\u00e7\u00e3o da vac\u00e2ncia. Pelo lado positivo, as empresas t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o de caixa confort\u00e1vel, com um volume baixo de vencimentos no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>No setor el\u00e9trico, o impacto da Covid-19 ainda n\u00e3o se refletiu de maneira significativa no desempenho do primeiro trimestre. Embora as medidas de combate \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a adotadas na maior parte do Pa\u00eds tenham se refletido de imediato na redu\u00e7\u00e3o do consumo de energia, por uma quest\u00e3o de ciclo de faturamento, os n\u00fameros de janeiro a mar\u00e7o n\u00e3o mostram redu\u00e7\u00e3o de receita com as vendas de energia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Aumento na inadimpl\u00eancia acende sinal de alerta de bancos<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5627\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O aumento da inadimpl\u00eancia das empresas por causa da crise do coronav\u00edrus j\u00e1 entrou no radar do sistema financeiro. Na divulga\u00e7\u00e3o dos balan\u00e7os do primeiro trimestre, os quatro maiores bancos do Pa\u00eds (Ita\u00fa Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) destinaram R$ 28 bilh\u00f5es para bancar poss\u00edveis calotes de empr\u00e9stimos concedidos no passado &#8211; R$ 10 bilh\u00f5es a mais que em igual per\u00edodo de 2019. O valor foi mais que o dobro do lucro l\u00edquido de R$ 13,7 bilh\u00f5es apurado no per\u00edodo, segundo a Econom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Teste de estresse feito pelo Banco Central (BC) para avaliar a capacidade do sistema financeiro diante da pandemia considera que, para fazer frente a perdas de cr\u00e9dito em um cen\u00e1rio mais &#8220;catastr\u00f3fico&#8221;, as provis\u00f5es poderiam chegar a quase R$ 400 bilh\u00f5es. O resultado faz parte de um relat\u00f3rio feito periodicamente pelo BC e, desta vez, trouxe a estimativa do aumento da inadimpl\u00eancia por causa da Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>O calote projetado viria de um conjunto de empresas consideradas mais vulner\u00e1veis e que respondem por 29% da d\u00edvida de pessoas jur\u00eddicas &#8211; ou seja, juntas elas devem R$ 893 bilh\u00f5es. Em nota, o BC refor\u00e7ou que se trata de uma proje\u00e7\u00e3o para um cen\u00e1rio severo e que o pior resultado do sistema at\u00e9 hoje foi em 2016, quando os bancos tiveram de fazer provis\u00f5es de R$ 81,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O exerc\u00edcio \u00e9 um choque que simula a perda de todas as opera\u00e7\u00f5es num \u00fanico momento. Na pr\u00e1tica, isso ocorreria ao longo do tempo&#8221;, diz o BC, ressaltando que o sistema financeiro tem capacidade para enfrentar a crise, mas exigiria aporte de recursos. Na divulga\u00e7\u00e3o dos balan\u00e7os, a maioria dos bancos falou sobre a necessidade de elevar provis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Economistas temem piora no endividamento<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5628\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>No mercado, economistas destacam que os n\u00fameros de inadimpl\u00eancia v\u00e3o come\u00e7ar a piorar a partir de agora. At\u00e9 meados do m\u00eas passado, os cart\u00f3rios estavam fechados e, portanto, sem protesto de t\u00edtulos. Mesmo assim, no primeiro trimestre do ano, ainda com efeito limitado da crise, algumas linhas de cr\u00e9dito j\u00e1 vinham registrando alta, segundo dados do BC. Na modalidade de capital de giro, com prazo de at\u00e9 um ano, a taxa de inadimpl\u00eancia avan\u00e7ou 1,4 ponto porcentual; cart\u00e3o de cr\u00e9dito, 0,4 ponto; e desconto de duplicata, 0,3 ponto.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fl\u00e1vio Calife, economista da Boa Vista, esse avan\u00e7o no est\u00e1 associado \u00e0 alta do cr\u00e9dito em 2019, quando havia expectativa de retomada de emprego e renda. O cen\u00e1rio mudou bastante e os n\u00fameros v\u00e3o piorar, j\u00e1 que a atividade econ\u00f4mica est\u00e1 parada, destaca ele.<\/p>\n\n\n\n<p>O hist\u00f3rico das \u00faltimas crises d\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o do que pode vir pela frente. Em 2008 e entre 2014 e 2016, a inadimpl\u00eancia subiu 50% a 60%. Na primeira, provocada pelo subprime americano, a alta foi r\u00e1pida e alcan\u00e7ou o topo em um ano. J\u00e1 na retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que coincidiu com a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, a escalada levou dois anos, explica a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban). Para a entidade, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que, na crise atual, o movimento siga um padr\u00e3o mais parecido com o de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, haveria uma explos\u00e3o de calote no curto prazo, apesar da decis\u00e3o dos bancos de renegociarem cr\u00e9dito e darem car\u00eancia de 60 a 180 dias para pagamento de algumas parcelas. Segundo dados da Febraban, entre pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas, os bancos prorrogaram o pagamento de parcelas no valor de R$ 40 bilh\u00f5es desde o in\u00edcio da pandemia. &#8220;Esse montante, se n\u00e3o tivesse sido postergado, j\u00e1 estaria compondo o \u00edndice de inadimpl\u00eancia&#8221;, afirma Luis Miguel Santacreu, analista de bancos da Austin Rating.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo VanDyck Silveira, presidente da Trevisan, a efic\u00e1cia da iniciativa est\u00e1 relacionada ao prazo de fechamento da economia. &#8220;Se perdurar muito, a car\u00eancia dada pelos bancos vai terminar, as empresas v\u00e3o continuar sem caixa e inadimplentes.&#8221; Para ele, neste momento todas as empresas est\u00e3o preservando caixa. &#8220;J\u00e1 reduziram despesas, jornada de trabalho e sal\u00e1rios. Agora, v\u00e3o parar de pagar fornecedores, o que gera um efeito em cadeia.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisa da Corporate Consulting, que trabalha com reestrutura\u00e7\u00e3o de companhias, mostra que, neste momento, h\u00e1 um volume de R$ 93 bilh\u00f5es de cr\u00e9dito que n\u00e3o cabe na conta das empresas. Desse total, 60% devem terminar em recupera\u00e7\u00e3o judicial. &#8220;O resto vai virar calote ou vai passar por um processo de alongamento do passivo&#8221;, diz o economista e presidente da consultoria, Luis Alberto de Paiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das empresas est\u00e1 tendo dificuldade para ter acesso \u00e0 ajuda emergencial do governo federal. Com queda no faturamento e caixa no limite, as companhias relatam que n\u00e3o conseguem ter acesso \u00e0s linhas de cr\u00e9dito para cumprir obriga\u00e7\u00f5es de curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa feita pela consultoria Quist Investimentos, especializada em reestrutura\u00e7\u00e3o de empresa e recupera\u00e7\u00e3o judicial, mostra que 78% das companhias n\u00e3o tiveram acesso a nenhum tipo de cr\u00e9dito desde o an\u00fancio da equipe econ\u00f4mica. Foram ouvidas 100 empresas com receita entre R$ 30 milh\u00f5es e R$ 300 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">D\u00edvidas podem comprometer retomada econ\u00f4mica p\u00f3s-Covid<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es com o aumento da inadimpl\u00eancia \u00e9 o reflexo na retomada econ\u00f4mica no p\u00f3s-pandemia. Com as empresas endividadas, sem dinheiro em caixa e sem cr\u00e9dito, a recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais dif\u00edcil. A tend\u00eancia \u00e9 que, diante do aumento de calotes, os bancos elevem ainda mais as restri\u00e7\u00f5es para a concess\u00e3o de novos empr\u00e9stimos e isso vai dificultar a volta dos investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rio do Banco Central (BC), com o teste de estresse da pandemia, traz esse alerta. Com o aumento das provis\u00f5es, a capacidade das institui\u00e7\u00f5es financeiras para conceder &#8220;novos cr\u00e9ditos e sustentar o crescimento da economia ficaria temporariamente comprometida&#8221;. Segundo a autoridade monet\u00e1ria, considerando a rentabilidade em per\u00edodos de crises anteriores, precisaria de tr\u00eas anos para o sistema recompor sua atual capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sem perspectiva de melhora no mercado de trabalho e com empresas com caixa debilitado, a retomada econ\u00f4mica vai ser mais demorada&#8221;, afirma Rodolpho Tobler, economista da FGV\/Ibre. Segundo ele, hoje h\u00e1 uma popula\u00e7\u00e3o grande com renda baixa ou sem rendimentos. Isso vai criar uma bola de neve, elevar o calote entre as pessoas f\u00edsicas e bater nas empresas, que tamb\u00e9m ficar\u00e3o inadimplentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Tobler, ao contr\u00e1rio de outras crises, o coronav\u00edrus pegou a economia ainda com dificuldades para acelerar o crescimento e com alto \u00edndice de desemprego. &#8220;O cen\u00e1rio que antecedeu as crises de 2008 e 2014 era melhor. Desta vez, os indicadores j\u00e1 estavam ruins.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de economistas, a sa\u00edda da crise \u00e9 uma inc\u00f3gnita. Ningu\u00e9m sabe quanto tempo vai demorar para voltar aos n\u00edveis pr\u00e9-pandemia. Em alguns setores, a d\u00favida \u00e9 ainda mais latente, como as \u00e1reas de entretenimento e restaurantes, por causa do comportamento da popula\u00e7\u00e3o ao fim do isolamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, os investimentos v\u00e3o desabar, com capacidade ociosa alta e falta de cr\u00e9dito. &#8220;Hoje n\u00e3o podemos contar com o investimento externo. O impulso teria de vir do governo, de obras p\u00fablicas&#8221;, diz o presidente da Corporate Consulting, Luis Alberto de Paiva. Ele reconhece, no entanto, as limita\u00e7\u00f5es do governo de se autofinanciar. Antes de a pandemia afetar o Pa\u00eds, o governo vinha num esfor\u00e7o para reduzir gastos. Isso teve de ser abandonado para aliviar a perda de renda no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grupo formado pelos economistas Jos\u00e9 Roberto Afonso, Geraldo Biasoto Jr. e Murilo Ferreira Viana e pelo engenheiro Paulo Vales prop\u00f5e um programa de prote\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para evitar uma depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Afonso, o objetivo \u00e9 evitar a desorganiza\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio e transportes. &#8220;Sem saber ao certo at\u00e9 onde vai a quarentena, \u00e9 preciso dar oxig\u00eanio para empresas se manterem nesse per\u00edodo. Isso significa pagarem o m\u00ednimo essencial, que sejam sal\u00e1rios e encargos, as utilidades p\u00fablicas e os impostos.&#8221; Na avalia\u00e7\u00e3o dele, a ideia \u00e9 usar o mercado de capitais e as empresas de maquininhas, no lugar de bancos, para fazer com que o cr\u00e9dito p\u00fablico chegue para as empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Jornal do Com\u00e9rcio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O retrato das companhias no fim de mar\u00e7o envelheceu muito rapidamente com a pandemia de Covid-19. 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