{"id":8319,"date":"2020-11-12T16:02:35","date_gmt":"2020-11-12T19:02:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/app\/webroot\/blog\/?p=5825"},"modified":"2025-03-20T09:31:44","modified_gmt":"2025-03-20T12:31:44","slug":"o-dilema-fiscal-para-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.campal.com.br\/site\/o-dilema-fiscal-para-2021\/","title":{"rendered":"O dilema fiscal para 2021"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Se mantida, incerteza sobre as contas p\u00fablicas vai afetar crescimento<\/h2>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio para as contas p\u00fablicas brasileiras em 2021 segue amplamente indefinido. H\u00e1 d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao cumprimento do teto de gastos, tanto pelos sinais amb\u00edguos emitidos pelo governo quanto pela dificuldade em si de se respeitar o mecanismo, num ano em que as despesas n\u00e3o financeiras da Uni\u00e3o poder\u00e3o crescer apenas 2,13%. Al\u00e9m disso, h\u00e1 grande incerteza sobre a capacidade e a disposi\u00e7\u00e3o do governo de Jair Bolsonaro de promover reformas que enfrentem o avan\u00e7o dos gastos obrigat\u00f3rios e aumentem o crescimento potencial do pa\u00eds, como a administrativa e a tribut\u00e1ria, pela ordem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse quadro confuso e incerto tem contribu\u00eddo para a desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio e a alta dos juros futuros, afetando as perspectivas para a infla\u00e7\u00e3o e para o ritmo de recupera\u00e7\u00e3o da economia. Os juros b\u00e1sicos a 2% ao ano, o grande trunfo para a retomada e para dar algum al\u00edvio \u00e0s contas p\u00fablicas, ficam em xeque. O maior risco \u00e9 o Brasil ter em 2021 mais um ano de crescimento med\u00edocre, o que seria p\u00e9ssimo depois de o pa\u00eds ter passado pela recess\u00e3o cavalar do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016, pela expans\u00e3o do PIB pouco superior a 1% ao ano em 2017, 2018 e 2019 e pelo tombo da atividade em 2020, devido aos efeitos da pandemia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Se mantida, incerteza sobre contas p\u00fablicas vai afetar crescimento<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Neste ano, a economia brasileira vai encolher com for\u00e7a, provavelmente em torno de 5%, mas a retra\u00e7\u00e3o do PIB foi atenuada em especial pelas expressivas medidas fiscais adotadas pelo governo, al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o firme do Banco Central (BC) no front monet\u00e1rio. O J.P. Morgan ressalta que a resposta fiscal do Brasil ao impacto da covid-19 foi uma das mais fortes entre os pa\u00edses emergentes, calculada em 8,6% do PIB, incluindo gastos emergenciais e medidas de al\u00edvio tribut\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso produziu um grande impulso fiscal para a economia. Nas contas do J.P. Morgan, ele deve ficar em 9,2% do PIB em 2020, considerando a mudan\u00e7a do resultado prim\u00e1rio (excluindo gastos com juros) ajustada pelo ciclo econ\u00f4mico, segundo relat\u00f3rio assinado pelos economistas Cassiana Fernandez, Cristiano Souza, Ben Ramsey e Gabriel Lozano. No estudo, eles comparam a atua\u00e7\u00e3o dos governos do Brasil e do M\u00e9xico na pandemia e as perspectivas para as duas economias. Para comparar, o impulso fiscal no M\u00e9xico ser\u00e1 de apenas 0,5% do PIB neste ano. Por l\u00e1, o PIB deve cair 8,9% em 2020, em grande parte por causa da aus\u00eancia de medidas fiscais mais fortes, na vis\u00e3o do J.P. Morgan. Para o Brasil, o banco estima queda do PIB de 4,9% neste ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil entrou na pandemia com uma situa\u00e7\u00e3o fiscal delicada, embora houvesse sinais de melhora da din\u00e2mica do endividamento do setor p\u00fablico. A d\u00edvida bruta fechou 2019 em 75,8% do PIB, um n\u00edvel muito mais alto que o da m\u00e9dia dos emergentes. Com as medidas para combater os efeitos da pandemia, o endividamento bruto deve encerrar 2020 na casa de 96% do PIB, nas estimativas do banco.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed se escancara o tamanho do desafio fiscal brasileiro. De um lado, \u00e9 fundamental indicar uma trajet\u00f3ria sustent\u00e1vel para a d\u00edvida p\u00fablica. Hoje, n\u00e3o est\u00e1 claro como e quando o endividamento bruto vai se estabilizar e come\u00e7ar a cair. Ao mesmo tempo, a redu\u00e7\u00e3o muito forte dos gastos poder\u00e1 levar a um tranco na atividade econ\u00f4mica. No cen\u00e1rio-base do J.P. Morgan, em que o teto de gastos \u00e9 respeitado, a expectativa \u00e9 de uma forte contra\u00e7\u00e3o fiscal, levando a um impulso negativo de 9% do PIB no ano que vem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse quadro, o banco projeta uma expans\u00e3o da economia brasileira de 2,5% em 2021, insuficiente para levar o PIB para o n\u00edvel anterior \u00e0 pandemia no fim do ano que vem. \u201cN\u00f3s esperamos que o fim do aux\u00edlio emergencial tenha um impacto sobre a renda, amortecendo o consumo e uma recupera\u00e7\u00e3o not\u00e1vel das vendas no governo\u201d, dizem os economistas do J.P. Morgan. O consumo do governo cairia 2,8%, tirando 0,6 ponto percentual do crescimento, ao mesmo tempo em que o investimento teria uma expans\u00e3o modesta, de 3,5%, depois de encolher 13,5% em 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os analistas do banco, contudo, destacam os riscos ao crescimento da economia brasileira vindos n\u00e3o apenas do fim das medidas fiscais, mas tamb\u00e9m da eventual perda de credibilidade do gerenciamento da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Se a administra\u00e7\u00e3o federal perder a capacidade de convencer os agentes econ\u00f4micos da sustentabilidade da d\u00edvida p\u00fablica, o pa\u00eds enfrentar\u00e1 problemas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, se o governo for capaz de continuar com as reformas estruturais, mesmo que com algum aumento de gastos, as perspectivas de m\u00e9dio prazo para o Brasil poderiam melhorar, desde que a credibilidade da pol\u00edtica econ\u00f4mica permane\u00e7a, avaliam Cassiana e Souza, respons\u00e1veis pela an\u00e1lise da economia brasileira no relat\u00f3rio. Nesse sentido, dizem eles, uma trajet\u00f3ria melhor para o pa\u00eds seria permitir que o est\u00edmulo fiscal seja reduzido mais lentamente, ao mesmo tempo preservando a \u00e2ncora de m\u00e9dio prazo pela redu\u00e7\u00e3o de outras despesas e consolidando todos os programas sociais existentes numa vers\u00e3o mais efetiva e simplificada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um equil\u00edbrio dif\u00edcil de ser atingido, mas o governo deveria se empenhar numa solu\u00e7\u00e3o nessa linha, que combinasse um compromisso inequ\u00edvoco com medidas que ataquem os problemas estruturais das contas p\u00fablicas e uma redu\u00e7\u00e3o menos abrupta das medidas de sustenta\u00e7\u00e3o fiscal \u00e0 economia. Bolsonaro, por\u00e9m, n\u00e3o mostra disposi\u00e7\u00e3o para tomar medidas politicamente dif\u00edceis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado \u00e9 que, faltando menos de dois meses para come\u00e7ar o novo ano, os rumos para a pol\u00edtica fiscal n\u00e3o est\u00e3o claros. Essas incertezas t\u00eam dificultado a rolagem da d\u00edvida p\u00fablica pelo Tesouro, levando \u00e0 alta das taxas e ao encurtamento dos t\u00edtulos. O c\u00e2mbio segue excessivamente desvalorizado, contribuindo para press\u00f5es inflacion\u00e1rias que, embora concentradas nos alimentos, n\u00e3o se limitam mais apenas a esses produtos. Condi\u00e7\u00f5es financeiras mais apertadas afetam o ritmo da atividade e podem colocar em risco at\u00e9 mesmo um crescimento na casa de 2,5% em 2021, apesar da enorme ociosidade existente na economia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, se o governo n\u00e3o se esfor\u00e7ar rapidamente para reduzir as incertezas sobre as contas p\u00fablicas, o pa\u00eds ter\u00e1 mais um ano de baixo crescimento em 2021, entrando na pr\u00f3xima d\u00e9cada em marcha lenta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se mantida, incerteza sobre as contas p\u00fablicas vai afetar crescimento O cen\u00e1rio para as contas p\u00fablicas brasileiras em 2021 segue amplamente indefinido. 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