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3 riscos do Tesouro Direto para você prestar atenção

Farol
Atenção aos riscos pode te ajudar a evitá-los e tirar o máximo de proveito do investimento

Tesouro Direto é a plataforma de negociação de títulos públicos federais, papéis de renda fixa que permitem ao pequeno investidor emprestar dinheiro para o governo. Trata-se do investimento de menor risco do país, uma vez que sua garantia é o governo federal.

Mas, como você já viu aqui no Blog Genial, não existe aplicação financeira totalmente isenta de risco, nem mesmo os títulos públicos. Eles têm alguns riscos que podem, no entanto, ser evitados ou gerenciados. Basta ter consciência deles.

Preste atenção nesses três riscos para investir no Tesouro Direto com segurança e inteligência:

1. Vendas antecipadas não garantem rentabilidade contratada – e podem levar a perdas

Dizer que os títulos públicos são os investimentos de menor risco da economia significa dizer que eles têm o menor risco de crédito, também chamado de risco de calote.

Eles têm garantia do governo brasileiro, que tem o poder inclusive de emitir moeda para pagar suas obrigações, coisa que outros devedores, como pessoas físicas e empresas, não podem fazer. Entenda por que o risco de calote do governo é menor que o de outros emissores de títulos.

Os títulos públicos também têm baixo risco de liquidez, uma vez que podem ser vendidos de volta para o Tesouro Nacional diariamente, caso o investidor deseje reaver seu dinheiro. A quantia fica disponível no dia útil seguinte na conta do investidor.

Porém, embora os títulos possam ser vendidos a qualquer momento, nem sempre isso é uma boa. Ao vender um título público antes do seu vencimento, não há qualquer garantia de que você vai receber a rentabilidade contratada.

O rendimento prometido no ato da compra só será pago se o investidor ficar com o papel até o vencimento. Na venda antecipada, ele deverá vender o papel a preço de mercado.

Os preços dos títulos públicos variam diariamente de acordo com as perspectivas para a taxa básica de juros, a Selic.

Isso vale para todos os tipos de títulos. Mas no caso dos títulos pós-fixados, os chamados Tesouro Selic (LFT), essa oscilação é bem menor e costuma ser positiva.

Eles prometem pagar, no vencimento, algo próximo à variação da Selic no período. Vendidos antes do vencimento, não necessariamente o investidor receberá a variação da Selic até o momento da venda, mas sua rentabilidade será, em geral, positiva.

Contudo, os demais tipos de títulos podem apresentar rentabilidade negativa se vendidos antes do vencimento. Os preços de papéis prefixados ou atrelados à inflação costumam oscilar para cima e para baixo, e muitas vezes com grande intensidade.

Assim, vender esses tipos antecipadamente pode resultar em altos ganhos ou grandes perdas, dependendo do momento econômico em que ocorrer a venda. E quanto maior o prazo do papel, maior é sua volatilidade.

Como evitar esse risco: Se você realmente precisa de liquidez diária, prefira o título Tesouro Selic (LFT).

Se estiver buscando uma rentabilidade pré-definida ou proteção contra a inflação – por exemplo, para um investimento de longo prazo, como a aposentadoria – pode comprar títulos prefixados ou os chamados Tesouro IPCA+, atrelados à inflação.

Porém, procure levá-los até o vencimento. Se precisar vendê-los, tente fazer isso em um momento em que o preço de venda esteja maior que o preço de compra, pelo menos para não ter perdas no principal.

2. Você pode não conseguir vender exatamente no momento desejado

Apesar da liquidez diária, de vez em quando o Tesouro Direto fica suspenso por algumas horas devido a excesso de volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos. Quando isso acontece, não é possível comprar ou vender.

Como evitar esse risco: Quando precisar de dinheiro, tente fazer o resgate com mais de um dia de antecedência – até porque demora um dia útil para o Tesouro depositar o resultado da venda na sua conta.

Quando o mercado for suspenso e você precisar fazer uma venda, não fique apreensivo. Fique de olho, porque dentro de algumas horas ele deve voltar a funcionar.

3. Se você vender um título antecipadamente para realizar lucros, certifique-se de que tem um bom destino para aquele dinheiro

Da mesma forma que você pode ter perdas na venda antecipada de prefixados ou títulos atrelados à inflação, você também pode ter ganhos formidáveis. Esses títulos se valorizam quando há uma perspectiva de queda na taxa básica de juros até a data do seu vencimento.

De janeiro até agora, por exemplo, os títulos Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) com vencimento em 2035 já renderam nada menos que 36,1%.

Ao ver um rendimento como esse em um período inferior a seis meses, você pode ficar tentado a vender seus títulos e realizar os lucros. Mas é preciso cuidado: o que você vai fazer com o dinheiro da venda?

Se decidir comprar novos títulos públicos, você não estará fazendo uma troca inteligente. Se os títulos prefixados e indexados à inflação se valorizaram tanto, isso significa que hoje estão pagando menos do que antes.

O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 prometia pagar, no início de janeiro, 7,42% ao ano mais IPCA. Isso quer dizer que o investidor que comprou esse papel naquela época receberá uma rentabilidade de 7,42% ao ano mais IPCA se carregá-lo até o vencimento, em 2035.

Hoje, depois dessa valorização de 36%, ele promete pagar “apenas” 5,91% ao ano mais IPCA. Quando o preço sobe, a rentabilidade cai, e vice-versa.

Assim, se você vende esse papel e investe o dinheiro em outro título prefixado ou indexado à inflação que tenha se valorizado, você não fez um bom negócio. Abriu mão de uma rentabilidade certa de mais de 7% ao ano acima da inflação por um rendimento menor.

Como evitar esse risco: só venda antecipadamente para realizar lucros se você tiver encontrado uma oportunidade de investimento com potencial de rentabilidade maior que o rendimento contratado quando você comprou aquele papel.

Ou, é claro, se você for usar efetivamente o dinheiro para realizar algum de seus objetivos financeiros. Mas nesses casos, mexer em aplicações mais conservadoras pode ser mais indicado.

Fonte: Geração Futuro

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