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Tarifa média imposta ao Brasil nos EUA passa de 2,2% para 33%

Anúncio por Trump para 67 países, ontem, eleva alíquotas para até 41% em alguns casos

O Brasil sofre sanção forte com o tarifaço de Donald Trump, comparando também com o anúncio do presidente americano ontem para 67 países de alíquotas que variam de 10% a 41% e que causarão mais turbulências na economia mundial. A tarifa punitiva agora de 50% imposta ao Brasil por Trump não atinge 46,1% das exportações brasileiras, considerando os valores dos embarques em 2024, pelos cálculos do Centro de Estudos de Negócios Globais da FGV EESP (FGV Global Business).

Nesse cenário, a tarifa média ponderada (procura refletir o impacto efetivo sobre as importações reais) a que os produtos brasileiros serão submetidos para acessar o mercado dos EUA fica em 33% – ainda assim particularmente violento comparado a 2,2% de antes de 2 de abril.

Apesar das muitas exceções, foi uma pancada forte e nada de Taco (Trump volta sempre atrás e amarela), diz Lucas Ferraz, professor da FGV e ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia (2019-2022) e Secretário de Negócios Internacionais do Estado de São Paulo (2023-2024).

Considerando a média simples das tarifas, para todas as linhas tarifárias exportadas pelo Brasil para os EUA em 2024, a qual não é influenciada por variação dos fluxos comerciais, a conclusão é de que a taxa subiu de 3,9% (antes de 2 de abril) para 49%.

As exportações brasileiras que serão submetidas à tarifa de 50% cairão significativamente a partir da vigência do tarifaço. E a sanção de Trump permanece como uma séria ameaça ao setor produtivo brasileiro, sobretudo para a indústria de transformação, avalia a FGV.

Outros países, inclusive com comércio mais aberto, foram atingidos em cheio na noite da quinta-feira com a ordem executiva de Trump.

Os suíços, por exemplo, acordaram em choque nesta sexta-feira, 1 de agosto, quando comemoram o dia nacional, ao serem informados que a alíquota que será aplicada sobre seus produtos para entrar nos EUA será de 39% – ainda mais que os 31% anunciados preliminarmente em abril pela Casa Branca.

A Suíça será tributada assim com a taxa mais alta da Europa. Ninguém sabe como a administração Trump chegou a essas cifras. A expectativa suíça era de sofrer taxação inferior à da União Europeia, de 15% e que boa parte dos países do bloco europeu considera vergonhosa e uma capitulação.

A Suíça e os EUA não conseguiram chegar a um acordo comercial. A tarifa anunciada não se justifica, insistem os suíços. A Suíça não impede a importação de produtos americanos através de direitos aduaneiros ou outras barreiras à importação. E é o sexto maior investidor estrangeiro nos EUA, gerando 400 mil empregos no país. Pouco antes do anúncio de ontem, Trump disse ter enviado cartas a 17 empresas farmacêuticas exigindo que reduzissem os preços dos medicamentos vendidos nos EUA, sob pena de represálias.

A Casa Branca anunciou que as tarifas entrarão em vigor à meia-noite e um minuto do dia 7 de agosto, e não mais hoje, 1 de agosto, como mencionado antes. A pressão da maior potência comercial do mundo será enorme para arrancar mais concessões dos parceiros na próxima semana, e fechar os acordos ditos ‘recíprocos’ para reduzir o deficit comercial americano.

Síria, Laos e Mianmar sofreram as taxas mais altas, de 40% a 41%. Trump deu fôlego ao México (mantem tarifa de 25% por mais 90 dias), enquanto aumentou a taxa para 35% sobre o Canadá, o outro vizinho.

Com a India, aliado estratégico dos EUA, Trump não só anunciou tarifa de 25% como não poupou insulto, dizendo que a Índia e a Rússia “podem afundar suas economias mortas juntas”.

Trump ameaça com mais penalidades à India também por causa de comércio com a Rússia e participação no Brics, o grupo dos grandes emergentes. Shashi Tharoor, um membro proeminente da oposição a Narendra Modi, disse na imprensa indiana que havia ‘’até rumores de uma penalidade de 100%, o que destruirá nosso comércio com os EUA”.

A imprevisibilidade misturada com chantagem e brutalidade continuarão a estabelecer contornos de novos fluxos comerciais.

Fonte: Valor Economico

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