
O 4º trimestre de 2017 começa hoje e com uma cara melhor que a exibida nos trimestres anteriores. O IPCA de setembro, que será divulgado pelo IBGE na sexta-feira, deve arrematar o cenário benigno. A inflação calculada em doze meses até o mês passado deve permanecer ligeiramente abaixo de 2,5%. Em agosto, a inflação oficial apurada na mesma base fechou a 2,46%. Confirmada a expectativa de reprise do dado, será a segunda vez desde o lançamento do Plano Real, em 1994, que o IBGE apresentará inflação dois meses seguidos no patamar de 2% – em doze meses. De agosto a outubro de 1998, o IPCA foi acumulado em, respectivamente, 2,55%, 2,27% e 2,05%. Nos meses de novembro e dezembro de 1998 e janeiro de 1999, o indicador ficou abaixo de 2%, subindo a 2,24% em fevereiro daquele ano.
O equilíbrio da inflação não sugere que ocorreu uma maxidesvalorização do real na segunda semana de janeiro de 1998. O episódio, associado à âncora cambial que ajudou a patrocinar o Plano Real e à crise cambial na Rússia, abriu caminho para a implantação do regime de metas para inflação no país – regime que retomou sua arquitetura no último ano, após sofrer explícitas distorções no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Naquele período de complacência com a inflação, o teto de flutuação da meta transformou-se informalmente no centro da meta, originando desequilíbrios de preços – sobretudo administrados – que tiveram elevado custo para os brasileiros. A inflação de 2015 voltou aos dois dígitos (10,67%) em consequência de correções de preços controlados pelo governo
É nesse contexto que se pode avaliar o que ocorreu no setor elétrico. A MP de Dilma foi um exemplo de grandes proporções dessa política, que teve como consequência o desmonte do setor. A MP visava reduzir os preços ao consumidor, mas rapidamente (coincidentemente depois das eleições) os preços voltaram a subir com força por causa da seca.
A desinflação que apanhou de jeito a economia brasileira nos últimos dois anos – creditada à retração da atividade e à prática de juros bem altos pelo Banco Central – incentiva hoje o aumento da confiança, a despeito da salgada taxa de desemprego.
Nesta manhã, a Fundação Getulio Vargas (FGV) adicionou informações positivas em seu estoque de estatísticas de confiança. A maioria das pesquisas produzidas pela FGV foi divulgada na semana passada.
Hoje foi publicado o Índice de Confiança Empresarial (ICE) que subiu 1,3 ponto percentual em setembro. Na terceira alta consecutiva, esse índice alcançou 87,3 pontos – pontuação mais elevada desde dezembro de 2014. A Fundação lembra que o ICE consolida os índices de confiança dos quatro macrosetores cobertos pelas sondagens empresariais por ela construídas: Indústria, Serviços, Comércio e Construção. O Índice de Confiança Empresarial é composto pelo Índice de Situação Atual (ISA-E) – em alta de 1,2 ponto em setembro ante agosto, para 82,9 pontos – e o Índice de Expectativas (IE-E) também ampliado em 1,0 ponto, para 93,8 pontos
Todos os índices de confiança da FGV têm evolução positiva, como indicado na coluna publicada hoje no Valor e antecipada pelo Valor Pro, no domingo. Mantida essa direção, a corrida eleitoral tende a ocorrer com os brasileiros um tanto aliviados e, possivelmente, interessados em bancar candidatos à presidência da República que tenham compromisso com o crescimento econômico. A inflação, quando bem comportada, acaba se transformando – equivocadamente — em questão secundária
Fonte: Valor Econômico