A contabilidade é a ciência que estuda o patrimônio. Acompanha o ser humano desde a Idade da Pedra, quando utilizava registros através de pinturas rupestres, marcas em ossos, entre outros, o que leva muitos historiadores a apontarem o contador como profissional mais antigo da humanidade.
Desde os débitos e créditos de Luca Pacioli (tido como o pai da contabilidade moderna) até a prensa de Gutembeg, a Gestão Contábil esteve presente em toda a história humana; de reinados a feudos, explorações além-mar, início da indústria até os dias atuais. Contamos em números a História da geração de riquezas das civilizações.
Mas jamais tivemos evolução como a atual; a tecnologia permite que os registros sejam feitos de forma instantânea e integrada, possibilitando melhores informações para a tomada de decisões, o que representa um diferencial competitivo importante.
Lembro com muito carinho de nossos primeiros trabalhos de consultoria no início dos anos 2000. Passávamos mais de 75% do tempo contratado coletando informações, especialmente na área financeira, cujo primeiro passo invariavelmente incluía a implantação de algum modo de “anotação”; os pequenos e médios negócios tinham pouquíssimos controles e todo o dado levantado e analisado trazia novidades relevantes ao empresário.
Sistemas de informática eram caríssimos, luxo de poucos, pois demandavam muitas horas de programação e chegavam a custar meio ano de faturamento das empresas e, devido a isto, desenvolvemos nós mesmos diversas planilhas para auxíliar às empresas.
Hoje qualquer mercado minimamente competitivo obriga o gestor a conhecer a fundo seu negócio. Informações sobre qual o principal gasto da empresa, o quanto vem sendo seu Ebitda[1], em quanto estava o ponto de equilíbrio e margem de contribuição no ano passado, dentre outras, são questões que qualquer contador qualificado trará na ponta da língua e cruciais para o bom funcionamento do negócio. A automação reduz muito aquele tempo dedicado ao registro e coleta de dados, tendo invertido a balança em favor da análise inteligente.
A Gestão Contábil já esteve restrita à parte fiscal, dedicando inúmeras horas à escrituração manual de notas e documentos. Com a chegada da Nota Fiscal Eletrônica em 2006 (e todo o projeto SPED[2]), muitos negócios tiveram o primeiro contato com a formalização e automação de suas empresas. O eSocial, existente desde 2014 na parte trabalhista, a eFinanceira desde 2016 para as transações bancárias e o PIX em 2020, são avanços de “fora pra dentro”, que tornam a rotina fiscal automaticamente interligada.
Assim, a evasão baseada em esconder informações do fisco está praticamente extinta. Este já possui fontes para cruzamentos, restando ao gestor com seu contador planejar a melhor forma de tributação, acompanhar os processos, fazer análises e auditorias para atenuar riscos, nesta nossa esfera tributária por demais confusa e complexa, mas de suma importância.
Em nossa época, portanto, uma organização contábil busca e organiza os dados das empresas, gerando declarações seguras para o fisco e informações valiosas para os gestores. Sustentados pelos pilares de tecnologia e pessoas, esta organização está sempre investindo em novas ferramentas e melhorando sua equipe, composta por programadores, contabilistas, contadores, advogados, administradores, etc. Problemas tributários causam grandes danos às empresas, e a falta de informação já não é mais tolerável nesse âmbito que rejeita amadores.
Por tudo isso, a contabilidade também é uma atividade de altíssimo risco. Há novas leis e normas diariamente, com possíveis interpretações subjetivas na legislação jurídico-tributário, o que obriga o profissional contábil a estar sempre atento, atualizado, estudando e se preparando; as declarações por nós entregues podem ter multas pesadíssimas (principalmente quando da omissão), além da complexidade do departamento pessoal, que interpreta leis e normas de sindicato a todo instante.
Estão escassas as entidades contábeis com competência de informação e que estejam na vanguarda de tecnologia e de pessoal. Nossa única certeza é a mudança, tendo desgastado muita gente durante a pandemia. Na ACI temos __ empresas contábeis associadas, que assim como nós estão engajadas em aperfeiçoamento e na busca por benefícios para seus clientes.
Daniel Antônio de Campos: Sócio da Campal Serviços Contábeis, Vice-Presidente de Serviços da ACI e Delegado do CRC/RS.
[1] Ebitda: é a sigla em inglês para “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”, que significa Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Seria o resultado da operação-fim do negócio;
[2] Sped é a sigla de “Sistema Público de Escrituração Digital”, e se trata de um projeto do governo federal com o objetivo de modernizar, agilizar e garantir a segurança na relação entre o Fisco e os contribuintes.