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Consumo Saudável: Proteja seu bolso de tentações com juros baixos e impostos reduzidos

Linha branca: não há limite para parcelamento desse tipo de produto, que pode ser dividido a perder de vista - Crédito: Leonardo Wen
Linha branca: não há limite para parcelamento desse tipo de produto, que pode ser dividido a perder de vista

Desconto. Basta essa palavra aparecer para que um con­sumidor normal se trans­forme num comprador vo­raz. De promoções a redução de impostos, qualquer faixa vermelha nas vitrines já atrai milhares de brasileiros. Com o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) so­bre os eletrodomésticos, no dia 31 de março, a previsão é de que uma boa parcela dos brasileiros corra às lojas à procura de boas oportunida­des de compra.

É justamente aí que mora o peri­go. Lojas de braços abertos somadas a consumidores famintos, que não medem sua real necessidade e mui­to menos a capacidade de endivida­mento, são um sinal amarelo para o bolso. O fato é que o brasileiro anda devendo e não tem consegui­do pagar suas contas. A inadimplên­cia já incomoda as próprias institui­ções financeiras, que tiveram o lucro prejudicado graças aos maus pagadores. Segundo dados do Ban­co Central, o percentual de inadim­plentes atingiu 7,3% em dezembro de 2011, número bem superior ao mesmo mês de 2010, quando repre­sentavam 5,7% do total.

Para Ricardo Fairbanks, coorde­nador da consultoria Dinheiro em Foco, o endividamento em si não é o maior problema. “O que preocupa é a forma indiscriminada com que empréstimos e parcelamentos são feitos”, diz. Os valores da tevê de LCd, da geladeira e do último modelo de máquina de lavar podem ser divididos a perder de vista. Para Ricardo, esse é um dos indicativos clássicos de que o indivíduo está a caminho do endividamento nocivo. “Quando a pessoa tem vários cartões de crédito com vencimentos diferentes e começa a programar suas contas a partir dessas datas, há algo errado”, afirma.

Crédito 
O parcelamento e a disponibilidade de crédito podem ser ferramentas facilitadoras, desde que usadas com parcimônia. a capacidade de endividamento está diretamente atrelada aos compromissos financeiros que têm de ser honrados.

Para um indivíduo solteiro, que mora com os pais, ricardo indica que até 60% da sua receita pode ser comprometida em parcelamentos. No entanto, se há contas como aluguel e escola dos filhos, a coisa muda de figura. “Para um pai de família que tem o orçamento apertado, o endividamento deve ser zero, pois diante de qualquer imprevisto ele pode virar um inadimplente”, diz o consultor.

Nos últimos dez anos, comprar ficou bem mais fácil devido ao custo do crédito, que reduziu significativamente os juros. a taxa Selic, que baliza os juros no mercado, chegou a 26,5% ao ano em março de 2003, mas hoje está em 10,5%.

Porém, os juros praticados no mercado agravam ainda mais esse cenário, podendo ultrapassar os 600% ao ano em cartões de crédito com saldos devedores. Com o crédito facilitado, é fácil se empolgar e passar da conta. a falta de educação financeira encurta bastante o caminho entre o endividamento e a inadimplência.

“O consumidor não faz a conta objetivamente, mas percebe que, quando os juros caem, a parcela fica mais baixa e o prazo mais longo”, diz Luiz rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa experian. “Crédito é bom, mas ainda não aprendemos a apreciá-lo com moderação.” essa imaturidade financeira é que tem colocado o brasileiro em rota de colisão com os altos índices de inadimplência — os picos históricos coincidem com os cortes nos juros em 2005, 2009 e no ano passado, segundo a Serasa Experian.

Luiz não identifica uma “explosão da inadimplência”, ainda que os bancos já reclamem de um aumento do número de maus devedores e esperem uma piora no primeiro semestre.

Super-herói 
Artifícios como cortes na taxa básica de juros e redução de impostos como o IPI, que atingem o bolso do consumidor, têm a função de manter a economia interna aquecida e, consequentemente, isolar o país das tempestades financeiras globais.

A crise mundial já foi tantas vezes mencionada que até deixou de assustar. Mas, sem solução pontual para os problemas financeiros da Europa, o mundo segue em estado de alerta. Diante do arrefecimento na demanda global, firmas exportadoras dão seus sinais de pânico.

Embora o estímulo por meio do consumo tenha mantido o Brasil afastado das crises internacionais, não há convicção de que essa seja a melhor forma de manter a economia interna aquecida, uma vez que é um fator gerador de inadimplência.

Roberto Messenberg, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), acredita que políticas como essa conduzem o país a um “voo de galinha”, ou seja, ciclos curtos de aceleração e desaceleração econômica. “Só o corte de juros não é suficiente para que as empresas invistam e o brasileiro ganhe sólido poder de consumo”, diz Roberto.

No entanto, o caos financeiro nos Estados Unidos e na zona do euro em 2011 não foi a primeira experiência do Brasil na adoção de medidas corretivas. O governo brasileiro investiu pesado em ampliar a capacidade de consumo do cidadão em 2009. Na época, enquanto o mundo ainda chorava a perda do Lehman Brothers, o então presidente Lula cunhou o termo “marolinha” para medir os impactos desse mau momento sobre as contas nacionais.

Se a crise por aqui não teve efeitos similares ao de um tsunami, foi porque o brasileiro consumiu o suficiente para manter a economia interna aquecida.

Fonte: Você S.A.

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