
HBR: Você é realmente tão cínico em relação à administração corporativa, como Dilbert sugere?
Adams: Minha crença básica sobre os executivos é que são pessoas que ficam matando tempo, esperando que algo aconteça e dê a impressão que fizeram um ótimo trabalho. Além do Dilbert, lancei outros negócios e vários fracassaram, mas objetivamente não eram ideias piores do que projetos que dão certo, e não foi um problema de execução, era o momento, a sorte. Ou ela te acompanha, ou não.
Antes de se tornar um cartunista, você fez um MBA. O que ele te ensinou?
Quando a tirinha foi publicada pela primeira vez, ela mostrava Dilbert em uma variedade de ambientes, não só no escritório. Eu realmente não sabia o que estava funcionando, porque não tinha contato direto com os leitores. Mas em um programa de MBA, você aprende que precisa de um canal direto com seus clientes para obter feedback. Então, lá atrás, nos primórdios da internet, comecei a colocar meu endereço de e-mail ao pé da tirinha. Recebia centenas de mensagens por dia, e havia um tema comum: as pessoas adoravam quando Dilbert estava no escritório, e gostavam muito menos quando ele estava em outro lugar. Então, Dilbert se tornou um personagem de quadrinhos baseado no escritório, e essa mudança fez com que tudo funcionasse.
Por que você manteve seu trabalho na area de TI, mesmo depois de Dilbert decolar?
Na verdade, isso tornou meus dois trabalhos muito mais fáceis. Meu trabalho de TI não me incomodava mais, porque eu não me preocupava em ser demitido, eu tinha um plano B.
Um de seus empregados disse uma vez: “Scott deve ser protegido contra as decisões difíceis da mesma forma que um bebê engatinhando precisa ser protegido dos perigos domésticos”. Isso é verdade?
Ele provavelmente foi muito gentil. Há um equilíbrio difícil em ser executivo. Você não pode ser muito querido, e eu quero ser amado, por isso sou completamente incapaz de ser um executivo no dia a dia.
O que você achou da série de TV The Office?
Eu vi as versões britânica e americana e amei as duas. Mas acho que a sensibilidade dessas séries era 100% diferente da do Dilbert. Elas são sobre chefes incompetentes e maus funcionários, mas as semelhanças param por aí. Os programas do The Office eram baseados inteiramente nos personagens, nos seus interesses amorosos. Dilbert é mais sobre a estranheza da dinâmica de poder entre gerentes e funcionários, o absurdo da estrutura administrativa e a loucura de modismos gerenciais.
Você sente que há uma trégua nesse modismo gerencial?
Sim. O número de livros de gestão foi aumentando até cerca de 1996, quando publiquei o livro Princípio Dilbert e disse: “Tudo isso é uma absoluta bobagem”. Tantas pessoas concordaram que ficou um pouco mais constrangedor produzir esse tipo de literatura, a menos que você tivesse uma boa pesquisa para respaldá-la. Muita gente já me disse: “Meu chefe começou a usar termos originados no modismo de gerenciamento, mas logo parou e disse: “O.k., isso soa como se tivesse saído de uma tirinha do Dilbert, e passou a falar em língua normal novamente”.
Adams: Minha crença básica sobre os executivos é que são pessoas que ficam matando tempo, esperando que algo aconteça e dê a impressão que fizeram um ótimo trabalho. Além do Dilbert, lancei outros negócios e vários fracassaram, mas objetivamente não eram ideias piores do que projetos que dão certo, e não foi um problema de execução, era o momento, a sorte. Ou ela te acompanha, ou não.
Antes de se tornar um cartunista, você fez um MBA. O que ele te ensinou?
Quando a tirinha foi publicada pela primeira vez, ela mostrava Dilbert em uma variedade de ambientes, não só no escritório. Eu realmente não sabia o que estava funcionando, porque não tinha contato direto com os leitores. Mas em um programa de MBA, você aprende que precisa de um canal direto com seus clientes para obter feedback. Então, lá atrás, nos primórdios da internet, comecei a colocar meu endereço de e-mail ao pé da tirinha. Recebia centenas de mensagens por dia, e havia um tema comum: as pessoas adoravam quando Dilbert estava no escritório, e gostavam muito menos quando ele estava em outro lugar. Então, Dilbert se tornou um personagem de quadrinhos baseado no escritório, e essa mudança fez com que tudo funcionasse.
Por que você manteve seu trabalho na area de TI, mesmo depois de Dilbert decolar?
Na verdade, isso tornou meus dois trabalhos muito mais fáceis. Meu trabalho de TI não me incomodava mais, porque eu não me preocupava em ser demitido, eu tinha um plano B.
Um de seus empregados disse uma vez: “Scott deve ser protegido contra as decisões difíceis da mesma forma que um bebê engatinhando precisa ser protegido dos perigos domésticos”. Isso é verdade?
Ele provavelmente foi muito gentil. Há um equilíbrio difícil em ser executivo. Você não pode ser muito querido, e eu quero ser amado, por isso sou completamente incapaz de ser um executivo no dia a dia.
O que você achou da série de TV The Office?
Eu vi as versões britânica e americana e amei as duas. Mas acho que a sensibilidade dessas séries era 100% diferente da do Dilbert. Elas são sobre chefes incompetentes e maus funcionários, mas as semelhanças param por aí. Os programas do The Office eram baseados inteiramente nos personagens, nos seus interesses amorosos. Dilbert é mais sobre a estranheza da dinâmica de poder entre gerentes e funcionários, o absurdo da estrutura administrativa e a loucura de modismos gerenciais.
Você sente que há uma trégua nesse modismo gerencial?
Sim. O número de livros de gestão foi aumentando até cerca de 1996, quando publiquei o livro Princípio Dilbert e disse: “Tudo isso é uma absoluta bobagem”. Tantas pessoas concordaram que ficou um pouco mais constrangedor produzir esse tipo de literatura, a menos que você tivesse uma boa pesquisa para respaldá-la. Muita gente já me disse: “Meu chefe começou a usar termos originados no modismo de gerenciamento, mas logo parou e disse: “O.k., isso soa como se tivesse saído de uma tirinha do Dilbert, e passou a falar em língua normal novamente”.
Fonte: Harvard Business