
Um dos conhecimentos mais básicos de finanças pessoais é saber a diferença entre renda fixae renda variável. Você já deve ter ouvido por aí que renda fixa é segura e renda variável tem mais risco. Mas não é bem assim.
Um investimento é chamado de renda fixa quando seus “fluxos e pagamento são incondicionais”. Traduzindo, isso significa que o valor da remuneração que o investidor recebe não tem a ver com a saúde financeira ou o desempenho da entidade responsável por pagar essa remuneração.
Assim, ao comprar um título de renda fixa emitido por uma empresa, por exemplo, o investidor já sabe qual vai ser sua remuneração e quando vai recebê-la. Ela vai ser paga da forma acordada, não importando se a empresa teve lucro ou prejuízo.
Da mesma forma, esse investidor não vai receber mais do que o combinado se a empresa for melhor que o esperado, nem menos que o combinado se a empresa for mal.
É claro que, se o emissor do título de renda fixa realmente não tiver como pagar – se ele estiver quebrando, por exemplo – pode haver um calote.
Mesmo para esses casos, porém, pode haver garantias que assegurem o pagamento, como bens que possam ser vendidos para pagar os investidores – um imóvel, por exemplo.
Você já deve ter percebido que outra característica da renda fixa é o fato de a forma de pagamento ser determinada antes mesmo de o investidor fazer o primeiro aporte. Nem sempre o investidor sabe exatamente quanto vai ganhar, mas ele ao menos sabe como a remuneração será calculada.
Em geral, o investidor ganha uma taxa prefixada (por exemplo, 10% ao ano, 13% ao ano, e assim por diante) ou a variação de um indexador, a chamada remuneração pós-fixada (por exemplo, 90% da taxa de juros CDI). Em alguns casos, pode ainda receber uma taxa prefixada mais a variação de um indexador (por exemplo, 5% ao ano mais a variação da inflação pelo IPCA).
Já os investimentos em renda variável têm fluxos e pagamento condicionais, ou seja, a remuneração que o investidor vai receber depende da saúde financeira e do desempenho da entidade responsável pelos pagamentos.
Por exemplo, se você compra a ação de uma empresa, você só receberá dividendos se ela tiver lucro. Além disso, os dividendos podem ser maiores se o lucro for mais alto, ou menores se o lucro for mais baixo.
No caso das ações, o estatuto da empresa pode definir um percentual mínimo do lucro que os investidores devem receber na forma de dividendos. Quando não estiver especificado, o mínimo estabelecido em Lei é de 50% do lucro líquido, após algumas deduções.
Alguns exemplos de aplicações de renda fixa
– Títulos públicos federais (Tesouro Direto) – emitidos pelos governo federal;
– Certificados de Depósito Bancário (CDB) – emitidos por bancos;
– Letras de Crédito Imobiliário (LCI) – emitidas por bancos;
– Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) – emitidas por bancos;
– Caderneta de poupança – conta bancária;
– Debêntures – emitidas por empresas não financeiras;
– Fundos de investimento em renda fixa – investe em títulos e outros fundos, além de fazerem operações que geram resultado semelhante ao de um investimento de renda fixa.
Em geral, os papéis de renda fixa são títulos de dívida. O investidor que compra esse tipo de título está emprestando dinheiro ao emissor em troca de uma remuneração.
Alguns exemplos de aplicações de renda variável
– Ações;
– Fundos de ações;
– Fundos imobiliários;
– Derivativos.
As ações são os investimentos de renda variável mais conhecidos de renda variável. Cada ação é um pedacinho de uma empresa. Quem compra ações de uma companhia torna-se sócio dela.
Os fundos imobiliários também podem ser considerados investimentos de renda variável. Eles normalmente investem em imóveis, e seus cotistas recebem aluguéis regularmente. Só que esses aluguéis muitas vezes dependem das receitas dos inquilinos dos imóveis da carteira. Há ainda os fundos imobiliários que obtém lucro com a valorização dos seus imóveis, por meio de compra e venda.
Segundo a Receita Federal do Brasil, os investimentos em renda variável são aqueles negociados em bolsas de valores, mercadorias e futuros, além do ouro ativo financeiro negociado fora de bolsa.
Ou seja, também os derivativos podem ser considerados renda variável. Eles consistem em contratos referenciados em indicadores (como o Ibovespa), ações (caso das opções de ações) e mercadorias (ouro, boi, café etc.).
Derivativos não são usados apenas para gerar ganhos, mas também – e talvez principalmente – para fazer hedge, isto é, proteger carteiras de investimentos de perdas e fortes oscilações.
A renda fixa é mais segura?
É difícil afirmar que investimentos em renda fixa são sempre mais seguros que investimentos em renda variável. Cada um tem seus riscos, e convém conhecê-los.
O principal risco da renda fixa é o risco de crédito ou risco de calote. Embora uma empresa que tenha tido prejuízo em determinado ano ainda pague quem comprou seus títulos, se ela ficar mal das pernas e quebrar, é possível que os credores não consigam receber tudo a que têm direito.
Nesse sentido, os investimentos em renda fixa mais seguros são os títulos públicos, que contam com a garantia do governo federal. Em seguida, vêm os títulos emitidos por grandes bancos e empresas sólidas, com boa saúde financeira.
No caso da poupança e títulos emitidos por bancos, grandes ou pequenos, o investidor pessoa física conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por isso, eles são menos arriscados que os títulos de empresas, que não contam com essa proteção. Entenda o que é e como funciona o FGC.
Nos piores casos, portanto, o investimento em um título de renda fixa que não conta com qualquer tipo de garantia pode levar o investidor a perder todo o valor aplicado.
Já na renda variável, os principais riscos dizem respeito ao negócio em que o investidor está aplicando – se está indo bem ou mal, se vai ter lucro, se gera caixa, se o endividamento é muito alto, se inova, se tem clientes/inquilinos etc.
Se uma empresa vai mal, o valor dos dividendos pagos pode diminuir, e suas más perspectivas também vão se refletir no preço das suas ações, que tendem a cair. Se vender suas ações e seus preços tiverem caído, o investidor vai amargar perdas, ainda que não perca tudo que investiu.
É importante atentar para o fato de que o risco de flutuação de preços, também chamado de risco de mercado, não é exclusivo da renda variável.
É senso comum que os preços das ações negociadas em bolsa oscilam. Mas você sabia que os preços e taxas de remuneração das aplicações de renda fixa também variam?
A razão é um mecanismo chamado de marcação a mercado. Quem se desfaz do investimento antes do vencimento pode amargar fortes perdas.
Os preços desses títulos de renda fixa são atualizados com base na taxa básica de juros no momento da venda. Com isso, o investidor que faz a venda antecipada pode ganhar ou perder dinheiro.
A marcação a mercado é muito evidente nos títulos públicos, que podem ser negociados pelas pessoas físicas no Tesouro Direto. Quem acompanha o site do Tesouro Direto pode ver que os preços e as rentabilidades dos diferentes títulos variam diariamente.
Investidores que aplicam em renda fixa por meio de fundos de investimento também percebem essa flutuação, pois o valor das cotas é atualizado todos os dias.
Fonte: Geração Futuro