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Quais países deram mais calotes na história?

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Grécia poderá ser forçada a deixar o euro se não pagar ao FMI.

Mercados financeiros de todo o mundo reagiram apreensivos ao primeiro dia de bancos fechados e imposição de controles de capital na Grécia.

Nesta terça-feira vence uma parcela de 1,6 bilhão de euros que Atenas deve pagar ao Fundo Monetário Internacional, mesmo dia em que o atual pacote de resgate ao país chega ao fim.

Há temores de que a Grécia tenha que decretar moratória e que até mesmo seja forçada a deixar a zona do euro.

Veja abaixo cinco perguntas e respostas sobre a crise grega e outros países que já passaram por problemas semelhantes.

1. Qual foi a primeira moratória da história?

Economistas dizem que a própria Grécia foi o primeiro país a dar calote de forma registrada, no ano 377 antes de Cristo, quando uma dezena de polis – cidades gregas – decidiram não cumprir com suas obrigações financeiras.

Desde então, o destino financeiro dos gregos tem sido cíclico: deixaram de pagar suas dívidas em várias ocasiões.

 

2. Dar calote é algo extraordinário ou comum?

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Mercados estão apreensivos em relação ao futuro da Grécia

Antes do século 19, as moratórias ocorriam majoritariamente por eventos extraordinários, como guerras e revoluções. Mas, desde então, estão mais vinculadas a problemas financeiros.

Os economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, da Universidade de Harvard, têm contabilizado as moratórias de dívidas soberanas (declaradas por Estados) de 1800 até a década de 2000.

Eles contaram cerca de 250 moratórias em 200 anos – ou seja, uma média de mais de uma por ano.

A conclusão, disse Rogoff à BBC Mundo – o serviço em espanhol da BBC – é que os defaults são inerentes à economia global e não são tão raros como alguns países centrais, economistas ortodoxos e veículos de imprensa fazem parecer.

 

3. Quais os países que mais deram calote?

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Espanha teria sido a pior pagadora, segundo historiadores

Considerando-se uma moratória como uma crise de dívida externa produzida por instabilidade política, guerras e revoluções, historiadores econômicos consideram que o pior devedor da história é a Espanha.

O país teve 14 crises relacionadas com compromissos financeiros desde 1800, segundo estudo compilado por Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, da Universidade de Harvard, e outros investigadores como o economista Miguel Ángel Boggiano, da Universidad de San Andrés, em Buenos Aires.

Boggiano disse que, neste ranking, default e reestruturação são considerados fenômenos similares.

Os que mais deram calote
Países Calote ou reestruturações
Espanha 14
Venezuela, Equador 11
Brasil 10
França, Costa Rica, México, Perú, Chile, Paraguai 9
Argentina, El Salvador, Alemanha (incluindo Prússia, Hesse, Schleswig-Holstein e Vestfália) 8
Colômbia, Uruguai, Portugal 7
EUA, Bolívia, Turquia, Rússia, Grécia, Império Austro-Húngaro 6
Nigéria 5

4. Qual o maior calote na história?

O não-pagamento de cerca de US$ 95 bilhões pela Argentina em 2001 é considerada por economistas como Jill Hedges como o maior default soberano da história.

No entanto, alguns especialistas afirmam que o maior calote dos últimos tempos foi da própria Grécia em 2010, quando o país europeu, fortemente atingido pela crise financeira de 2008, chegou a um acordo com detentores de bônus para pagar-lhes US$ 138 bilhões a menos do que devia.

Tratou-se de uma reestruturação ocorrida sob supervisão da União Europeia e o FMI.

Em todo caso, economistas dizem ser difícil falar em “maior calote da história” já que é complicado comparar cenários do passado, com moedas cujos valores são difíceis de serem atualizados.

 

5. Há países com histórico impecável de pagamento de suas dívidas?

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Crise pode forçar a Grécia a deixar a zona do euro

Há poucos países que nunca deixaram de pagar suas dívidas ou tiveram que reestruturá-las.

Entre eles estão Suíça, Bélgica, Noruega, Finlândia, Coreia do Sul, Cingapura e Nova Zelândia.

Países como Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha, apesar de não terem um histórico totalmente limpo, são considerados “confiáveis” pelos mercados internacionais.

Fonte: BBC

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